{"id":10865,"date":"2008-02-06T00:00:00","date_gmt":"2008-02-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:41","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:41","slug":"terra-dos-homens","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/terra-dos-homens\/","title":{"rendered":"Terra dos Homens"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos estava \u00e0 procura do livro Terra dos Homens, de Antoine Saint-Exup\u00e9ry. Escrito em 1939, a obra recebeu uma impec\u00e1vel edi\u00e7\u00e3o brasileira coapresenta\u00e7\u00e3o do jornalista Armando Nogueira e tradu\u00e7\u00e3o do escritor e cronista Rubem Braga. <\/p>\n<p>No texto de abertura, Nogueira destaca:<\/p>\n<p>\u201cSaint-Exup\u00e9ry tornou-se piloto civil aos 21 anos. Aos 26 integrou a equipe que foi sobrevoar o Saara e os Andes levando o correio a\u00e9reo da Europa para a \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul. Como devia ser a emo\u00e7\u00e3o de voar em aparelhos t\u00e3o pequenos, contando apenas com a h\u00e9lice e sem nenhuma pressuriza\u00e7\u00e3o? \u00c9 dessa emo\u00e7\u00e3o a mat\u00e9ria deste livro\u201d.<\/p>\n<p>Mais do que os desassombros e devaneios do piloto-escritor (autor tamb\u00e9m de O Pequeno Pr\u00edncipe), o que transformou o livro em objeto de desejo \u2013 voc\u00eas devem imaginar \u2013 foi a delicada ourivesaria das palavras que o tradutor Rubem Braga desenvolveu ao longo das 140 p\u00e1ginas desse po\u00e9tico relato. Que tem como ess\u00eancia a valoriza\u00e7\u00e3o da solidariedade, da amizade e do amor.<\/p>\n<p>Semana passada consegui um exemplar, da editora Nova Fronteira. N\u00e3o preciso dizer qual foi o enredo do meu pacato carnaval nesses dias chuvosos. Enredo que, hoje, reparto singelamente com voc\u00eas. Segue abaixo alguns trechos da obras:<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u201cSe \u00e0s vezes julgamos que a m\u00e1quina domina o homem \u00e9 talvez porque ainda n\u00e3o temos perspectiva bastante para julgar os efeitos de transforma\u00e7\u00f5es t\u00e3o r\u00e1pidas como essas que sofremos. Que s\u00e3o os cem anos da hist\u00f3ria da m\u00e1quina em face aos duzentos mil anos de hist\u00f3ria do homem? Ainda nem acabamos de nos instalar nesta paisagem de minas e centrais el\u00e9tricas. Ainda nem nos sentimos moradores desta casa nova que nem sequer acabamos de construir. Tudo mudou t\u00e3o depressa em volta de n\u00f3s: rela\u00e7\u00f5es humanas, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, costumes&#8230; At\u00e9 mesmo a nossa psicologia foi subvertida em suas bases mais \u00edntimas. As no\u00e7\u00f5es de separa\u00e7\u00e3o, aus\u00eancia , dist\u00e2ncia, regresso, s\u00e3o realidades diferentes no seio de palavras que permaneceram as mesmas. Para aprender o mundo de hoje usamos uma linguagem que foi feita para o mundo de ontem. E a vida do passado parece corresponder melhor \u00e0 nossa natureza apenas porque corresponde melhora nossa linguagem.\u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u201cEm um mundo em que a vida se une tanto \u00e0 vida, em que as flores amam as flores no pr\u00f3prio leito dos ventos, em que o cisne conhece todos os cisnes, s\u00f3 os homens constroem a sua solid\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>\u201cDe onde foram tirar os homens esse gosto de eternidade.\u201d<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 a dist\u00e2ncia que mede o afastamento. O muro de um jardim de nossa casa pode encerrar mais segredos do que as muralhas da China, e a alma de uma simples mocinha \u00e9 melhor protegida pelo sil\u00eancio do que o o\u00e1sis do Saara pela extens\u00e3o das areias.\u201d<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>\u201cDe onde vem a verdade do homem?\u201d<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>\u201cA passagem do tempo n\u00e3o \u00e9, em geral, sentida pelos homens. Eles vivem numa paz provis\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>\u201cEm um mundo que se fez deserto, temos sede em encontrar companheiros: o gosto do p\u00e3o dividido entre companheiros nos faz aceitar os valores da guerra.Mas, n\u00e3o temos necessidade da guerra para encontrar o calor dos ombros vizinhos para o mesmo fim. A guerra nos engana. O \u00f3dio n\u00e3o junta nada \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o da corrida.\u201d<\/p>\n<p>IX..<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 o esp\u00edrito, soprando sobre a argila, pode criar o Homem.\u201d<\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>Saint-Exup\u00e9ry desapareceu em combate no Mediterr\u00e2neo, em 1944. Os destro\u00e7os do avi\u00e3o que pilotava nunca foram encontrados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos estava \u00e0 procura do livro Terra dos Homens, de Antoine Saint-Exup\u00e9ry. 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