{"id":10868,"date":"2008-02-09T00:00:00","date_gmt":"2008-02-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:40","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:40","slug":"o-dia-seguinte-nasci-e-dogiva-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-dia-seguinte-nasci-e-dogiva-parte-iii\/","title":{"rendered":"O Dia Seguinte (Nasci e Dogiva &#8211; parte III)"},"content":{"rendered":"<p>V.<\/p>\n<p>No dia seguinte, amanhecemos nas bancas para ler a estr\u00e9ia de Dogiva no mundo das celebridades. Nada encontramos. Ou melhor, o assunto fora, como s\u00f3 e acontecer, meticulosamente destrinchado na coluna do Ismael Fernandes. Ao que tudo levava a crer, o homem saiu do hospital direto para a festa da nova novela da Globo.<\/p>\n<p> E o Dogival, que tanto se preparara, o que teria sido do amigo?<\/p>\n<p>&#8212; Beleza, gente. Estou devolvendo os badulaques que voc\u00eas me emprestaram, com sinceros agradecimentos e, certo estou, que jamais esquecerei o que fizeram por mim. Para os amigos, tudo&#8230;<\/p>\n<p>Era o velho rep\u00f3rter policial chegando e no melhor estilo. Bom ver o amigo bem humorado. Como de h\u00e1bito, respondemos em coro \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Para os inimigos, apenas a lei&#8230;<\/p>\n<p>Mas, caramba, imagin\u00e1vamos o homem arrasado. Tanto se preparara para a mat\u00e9ria \u2013 e, no fim, n\u00e3o escreveu uma linha sequer sobre o assunto.<\/p>\n<p>Ele explicou numa boa, e sorriu um riso suspeito de quem havia se dado bem.<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, quando eu cheguei l\u00e1, o Ismael j\u00e1 estava canetando Deus e o Tarcis\u00e3o. Disse que n\u00e3o perderia esse lan\u00e7amento por nada no mundo. Que era um especialista em novela. Voc\u00eas sabem, o Ismael sabe tudo nessa \u00e1rea. Fiquei chateadinho, mas n\u00e3o por muito tempo.<\/p>\n<p>Dogival tomou f\u00f4lego e continuou:<\/p>\n<p>&#8212; Estava consultando meu bloquinho para ver o que sobraria para eu fazer hoje quando voltasse de m\u00e3os vazias para a reda\u00e7\u00e3o, quando ouvi uma voz suave a me perguntar: \u201cPosso saber o que voc\u00ea tanto escreve a\u00ed?\u201d<\/p>\n<p>VI. <\/p>\n<p>Posso assegurar, senhores, que a hist\u00f3ria ganhou, a partir daquele momento, contornos de aventura para n\u00f3s. Todos se colocaram no lugar do rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>&#8212; Ia responder que n\u00e3o era l\u00e1 da conta da distinta. N\u00e3o deu tempo. A hora que olhei aquele monumento, falei o que podia e o que n\u00e3o podia. A mo\u00e7a parece que gostou, pois n\u00e3o desgrudou de mim a festa toda. Dispensou at\u00e9 o motorista particular, dizendo que preferia ir comigo.<\/p>\n<p>Todos fechamos os olhos num arrepio. Lembramos, de imediato do chevetinho bala, do amigo. A mo\u00e7a parecia ser uma dessas dondocas, da alta. Como enfrentaria aquela jabiraca de tempos idos, vividos e havidos? O que ela diria das almofadinhas de croch\u00ea que enfeitavam o banco traseiro e serviam de travesseiro para quando os filhos estavam com sono?<\/p>\n<p>&#8212; Na boa, meus queridos. Ela disse que era um cara todo estiloso \u2013 e um carro daqueles era mesmo uma excentricidade. Completou dizendo que adorava exc\u00eantricos.<\/p>\n<p>Claro, claro que, olhando a estampa do Dogival e a hist\u00f3ria que estava contando, algu\u00e9m lembrou outro mote muito comum entre os nossos. \u201cFogo, morro acima. \u00c1gua, morro abaixo. Mulher quando&#8230; cisma, ningu\u00e9m segura\u201d.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>&#8212; Pois \u00e9, figuras, quem \u00e9 \u00e9. Quem n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o se conforma&#8230;<\/p>\n<p>Mas, e a\u00ed, conta o resto, pedimos. Pedimos, n\u00e3o. Quase imploramos. <\/p>\n<p>E ele n\u00e3o se fez de rogado.<\/p>\n<p>(Continua amanh\u00e3&#8230;)<\/p>\n[Texto publicado no livro &quot;Meus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es&quot;]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V.<\/p>\n<p>No dia seguinte, amanhecemos nas bancas para ler a estr\u00e9ia de Dogiva no mundo das celebridades. Nada encontramos. 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