{"id":10871,"date":"2008-02-12T00:00:00","date_gmt":"2008-02-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:40","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:40","slug":"sinatra-e-o-dinossauro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sinatra-e-o-dinossauro\/","title":{"rendered":"Sinatra e o dinossauro"},"content":{"rendered":"<p>\u201cHahahha&#8230; Doido&#8230; doido&#8230; Mil vezes doido&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Sei que a maior parte dos meus cinco ou seis leitores \u00e9 composta por mulheres, ok? N\u00e3o d\u00e1 para afirmar com precis\u00e3o, mas \u00e9 o que se depreende dos emails e coment\u00e1rios que recebo sobre os posts.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, vamos l\u00e1, minhas caras. Ajudem-me a decifrar o enigma do email acima que um certo amigo recebeu de mo\u00e7a incerta por quem, ali\u00e1s, est\u00e1 encantado. <\/p>\n<p>Diria que encantado \u00e9 um belo eufemismo \u2013 mas, cabe bem aqui. <\/p>\n<p>Assim a coisa fica, digamos, mais leve.<\/p>\n<p>Como sou um cara do s\u00e9culo XX, n\u00e3o consigo entender a modernidade dos tais relacionamentos via email, orkut, msn, torpedos e outras trapitongas do g\u00eanero. Portanto, n\u00e3o soube o qu\u00ea lhe responder. Se a mensagem \u00e9 boa, se \u00e9 um chega pra l\u00e1 ou se n\u00e3o \u00e9 nada. <\/p>\n<p>Na verdade, fico mesmo com a \u00faltima op\u00e7\u00e3o &#8212; mas nada lhe digo.<\/p>\n<p>Ele, afinal, \u00e9 meu amigo.  <\/p>\n<p>Imagino o que aconteceu.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a estava tristinha certa noite. Uma bobaginha. Brigou com o namoradinho. Ou se indisp\u00f4s com o chefe ou teve qualquer outro contratempo passageiro. Ent\u00e3o, se p\u00f4s em frente ao computador. Abriu os emails, visitou alguns blogs, foi at\u00e9 o orkut, leu algumas not\u00edcias e viu l\u00e1 uma informa\u00e7\u00e3o qualquer que fez lembrar-se do nosso amigo.<\/p>\n<p>Sem sair do lugar, ligou a TV e baixou a nova m\u00fasica (?) da Claudinha Leite, agora em carreira solo, e lhe bateu uma coisinha assim estranha. Uma vontade de v\u00ea-lo, de conversar com ele. Falar e ouvir \u2013 coisa rara, hoje em dia.<\/p>\n<p>H\u00e1 os que falam, falam, falam&#8230;<br \/>\nH\u00e1 os que s\u00f3 ouvem&#8230;<br \/>\nH\u00e1 os que nem falam, nem ouvem \u2013 e s\u00e3o os nerds.<br \/>\nOu os que nada s\u00e3o. Nem falam, nem ouvem \u2013 teclam.<\/p>\n<p>De qualquer forma, a mo\u00e7a n\u00e3o resistiu a tenta\u00e7\u00e3o e saiu a disparar emails para meio mundo. Um para ele. Nada importante, tipo assim:<\/p>\n<p>\u201cOie. Me deu saudades. Como voc\u00ea est\u00e1. Me manda not\u00edcias.\u201d<\/p>\n<p>Ele respondeu. <\/p>\n<p>Disse que ficou feliz com o email. Que estava fazendo isso, aquilo e aquiloutro. Que tamb\u00e9m pensava nela. Que coincid\u00eancia, poderiam se ver e tal.<\/p>\n<p>Foi o suficiente para a mo\u00e7a congelar. E responder laconicamente.<\/p>\n<p>\u201cHahahaha&#8230; S\u00f3 voc\u00ea mesmo&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Ele retornou. Emeiou que era um cara legalzinho. Um tanto sem futuro. Mas, divertido e que poderiam se encontrar.<\/p>\n<p>Foi o suficiente para ela cravar o email supra citado e abaixo repetido:<\/p>\n<p>\u201cHahahha&#8230; Doido&#8230; doido&#8230; Mil vezes doido&#8230;\u201d<\/p>\n<p>E a\u00ed como voc\u00eas me traduzem tal coment\u00e1rio? <\/p>\n<p>Digam l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Seja qual for o veredicto peguem leve, por favor. O cara \u00e9 sens\u00edvel. Digamos que um tanto sem futuro. Mas, \u00e9 divertido&#8230; <\/p>\n<p>E, afinal, \u00e9 meu amigo&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Na esteira dessa hist\u00f3ria, lembrei de outra recente. <\/p>\n<p>Uma jovem amiga me emeiou dizendo se eu conhecia o Fulano de Tal.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o, respondi. Foi meu aluno.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 um fofo, ela retornou de imediato.<\/p>\n<p>Devolvi dizendo que n\u00e3o era l\u00e1 o meu tipo inesquec\u00edvel. <\/p>\n<p>Mas, lembrava do menino, sim. Claro&#8230;<\/p>\n<p>A\u00ed ela me confessou:<\/p>\n<p>\u201cAcho que estou apaixonada por ele.\u201d<\/p>\n<p>Que bom, acrescentei.<\/p>\n<p>&quot;O que voc\u00ea acha?&quot; \u2013  perguntou.<\/p>\n<p>Eu?<\/p>\n<p>N\u00e3o acho nada. Voc\u00ea que deve saber, <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 que pelo jeito que as coisas v\u00e3o indo, logo, logo vai rolar. Vamos nos encontrar\u201d &#8212; disse sorrindo.<\/p>\n<p>Estranhei. <\/p>\n<p>Como assim? Deviam ser s\u00f3 bons amigos ou se conheceram h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p>\u201cA gente j\u00e1 vem teclando h\u00e1 algumas semanas\u201d &#8212; explicou<\/p>\n<p>Entendi mesmo n\u00e3o querendo entender.<\/p>\n<p>Voc\u00eas nunca se viram, \u00e9 isso? \u2013 me espantei.<\/p>\n<p>E ela com naturalidade:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o. Entrei no orkut dele. Deixei um recado e a\u00ed a gente come\u00e7ou a se falar.\u201d<\/p>\n<p>Desentendi a vida. Para ela, esse era o caminho.<\/p>\n<p>\u201cEle \u00e9 t\u00e3o fofo. Voc\u00ea acha que combina comigo?\u201d<\/p>\n<p>Eu? N\u00e3o acho nada, minha filha. S\u00f3 perco, respondi.<\/p>\n<p>E mais do que nunca me socorri do velho e bom Frank Sinatra para n\u00e3o me sentir um grande e desconjuntado dinossauro \u00e0s v\u00e9speras de um Planeta em extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Prova provada do que disse.<\/p>\n<p>Acabo de receber um email do provedor que assino. \u00c9 um aviso que vai desativar meu email. Invadiram minha conta e est\u00e3o espalhando virus e insanidades mundo afora. Portanto, precisarei de uma nova identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o precise&#8230;<\/p>\n<p>Ou seja, nem no mundo virtual se vive paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cHahahha&#8230; Doido&#8230; doido&#8230; Mil vezes doido&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Sei que a maior parte dos meus cinco ou seis leitores \u00e9 composta por mulheres, ok? 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