{"id":10874,"date":"2008-02-15T00:00:00","date_gmt":"2008-02-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-07-24T13:00:03","modified_gmt":"2026-07-24T13:00:03","slug":"blues-do-djavan","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/blues-do-djavan\/","title":{"rendered":"Blues do Djavan"},"content":{"rendered":"\n<p>Outra da s\u00e9rie Brasilzilzil.<br>Mas, dei um capricho no final&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>I.<\/p>\n\n\n\n<p>Comprei o modelo V-3 de celular assim que foi lan\u00e7ado \u2013 uns dois anos atr\u00e1s, pouco mais, pouco menos. Bem que o meu filho avisou para trocar o antigo patac\u00e3o que eu usava por um aparelho mais modesto, sem tantos luxos e parangol\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p>Como sou um pai rebelde, n\u00e3o ouvi o bom conselho do filho \u2013 e fiz a bobagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Efetuei a compra na loja da Vivo, do Shopping Metr\u00f3pole, em S\u00e3o Bernardo. Faltava s\u00f3 fechar a quest\u00e3o do seguro do aparelho quando fui avisado pelo atendente que \u201co sistema (olha ele aqui de novo) havia ca\u00eddo\u201d. Se eu quisesse, poderia contratar esse servi\u00e7o de casa mesmo, via telefone.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que fiz&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ia ficar por ali de bobeira.<\/p>\n\n\n\n<p>II.<\/p>\n\n\n\n<p>Dei bobeira vinte cinco dias depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui assaltado nas imedia\u00e7\u00f5es do Col\u00e9gio Arquidiocesano, na Vila Mariana.<\/p>\n\n\n\n<p>Tipo oito e tanto da noite, o celular tocou e eu atendi, sem pensar nos riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundos depois, reluz \u00e0 minha frente o cano de um rev\u00f3lver. O maluco-n\u00e3o-t\u00e3o-beleza fica grunhindo umas bobagens das quais s\u00f3 depreendo a \u00faltima frase.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212; Passa o celular!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deixei o Fulano falar duas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dei o tal V-3 para o fac\u00ednora que projetou-se na escurid\u00e3o da noite em desabalada carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sem antes soltar outra s\u00e9rie de improp\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e3o-se os an\u00e9is, ficam os dedos. Melhor assim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Vida que segue.<\/p>\n\n\n\n<p>III.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui a delegacia, fiz a ocorr\u00eancia. Liguei para a Vivo, pedi para que bloqueasse a linha e falei do seguro. De pronto, o mo\u00e7o do outro lado do fone orientou-me educadamente a entrar em contato com a Mafre, a companhia que cobriria o meu preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>E que preju\u00edzo! Um pau e cacetada&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>IV.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma surpresinha, das mais singelas, me aguardava \u2013 e desestabilizaria os pr\u00f3ximos 60 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Adivinhem?<\/p>\n\n\n\n<p>Se eu tivesse feito o seguro na loja, n\u00e3o havia car\u00eancia para qualquer sinistro. Mas, no momento em que sa\u00ed do estabelecimento sem fechar a ap\u00f3lice \u2013 o que fiz como disse do telefone de casa &#8211;, imp\u00f4s-se um prazo de 30 dias de car\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, nada me deviam.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltei a falar com a Vivo depois daquele c\u00e9lebre roteiro: \u201cum passa para o outro que passa para o outro que devolve para o um que manda ligar no dia seguinte\u201d. Pior ainda quando prometiam \u201cretornar a liga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram liga\u00e7\u00f5es di\u00e1rias para a Vivo \u201cporque sou jornalista e uso o celular pra caramba\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00eas entendem a minha situa\u00e7\u00e3o, perguntava ingenuamente.<\/p>\n\n\n\n<p>V.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o, ficaram de me enviar um aparelho de menor valor \u2013 na faixa de 700 reais \u2013 em quinze dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Topei.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, o aparelho n\u00e3o veio.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei exasperado. Um m\u00eas depois \u2013 e nada.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 enrola\u00e7\u00e3o. Prometeram um modelo mais chinfrim ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Briguei com o atendente.<\/p>\n\n\n\n<p>Gritei.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperneei.<\/p>\n\n\n\n<p>Quis entrar fio adentro para por um fim \u00e0quela tortura.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212; Ent\u00e3o cancela a minha conta.<\/p>\n\n\n\n<p>VI.<\/p>\n\n\n\n<p>Cancelaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Dias depois mandaram a fatura de duzentos e tantos quequ\u00e9recos por quebra de contrato. Havia comprado o celular h\u00e1 menos de um m\u00eas e n\u00e3o tinha direito de<br>a tal iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem falar que, como minha conta estava no d\u00e9bito autom\u00e1tico, houve todo um tr\u00e2mite no banco para sustar o pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>VII.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma manh\u00e3 de domingo abro o jornal\u00e3o e vejo l\u00e1 um an\u00fancio da concorrente italiana.<\/p>\n\n\n\n<p>CELULAR A UM REAL<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pensei duas vezes. Tim-tim. Fechei neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tira foto, n\u00e3o filma, n\u00e3o tem recurso quase nenhum.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 l\u00e1 essas coisas em termos de design, mas funciona.<\/p>\n\n\n\n<p>Faz e recebe liga\u00e7\u00f5es \u2013 e s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o preciso mais do que isso.<\/p>\n\n\n\n<p>VIII.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ser franco, \u00e0s vezes penso que nem de celular preciso.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, chego a torcer para esquec\u00ea-lo em algum canto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ando numa fase em que s\u00f3 me ligam para cobrar isso ou aquilo ou para lembrar compromissos que quero esquecer. H\u00e1 ainda aquela mocinha do servi\u00e7o de telemarketing que quer me empurrar um cart\u00e3o de cr\u00e9dito:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212; O senhor foi contemplado com o novo cart\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>IX.<\/p>\n\n\n\n<p>Ai, ai, ai.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas horas, penso seriamente em abrir m\u00e3o da modernidade do celular.<\/p>\n\n\n\n<p>Confesso. Fico prestes a me decidir.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, a\u00ed o bichinho estrila.<\/p>\n\n\n\n<p>Toca aquele velho blues do Djavan.<\/p>\n\n\n\n<p>E eu, esperan\u00e7oso, corro para atender.<br>(Mesmo sabendo que n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outra da s\u00e9rie Brasilzilzil.<br \/>Mas, dei um capricho no final&#8230;<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>Comprei o modelo V-3 de celular assim que foi lan\u00e7ado \u2013 uns dois anos atr\u00e1s,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10874","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10874","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10874"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10874\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37486,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10874\/revisions\/37486"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}