{"id":10892,"date":"2008-03-01T00:00:00","date_gmt":"2008-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:31","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:31","slug":"bloco-de-anotacoes-na-casa-de-cervantes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/bloco-de-anotacoes-na-casa-de-cervantes\/","title":{"rendered":"Bloco de anota\u00e7\u00f5es &#8211; Na casa de Cervantes"},"content":{"rendered":"<p>Meus caros&#8230;<\/p>\n<p>Juro estar t\u00e3o surpreso quanto voc\u00eas por chegar \u00e0 esta quinta parte do Bloco de Anota\u00e7\u00f5es. Na ter\u00e7a, quando me propus a transformar em hist\u00f3rias meus alinhavos de viagem, estimei n\u00e3o ir al\u00e9m de uma ou duas colunas.<\/p>\n<p>Perdoem-me o linguajar das antigas. <\/p>\n<p>O termo certo \u00e9 posts. Colunas s\u00e3o do tempo em que s\u00f3 escrev\u00edamos para os ve\u00edculos impressos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, c\u00e1 estamos com uma nova tem\u00e1tica \u2013 a visita que fiz \u00e0 casa de Cervantes em Valladolid \u2013 e ainda me restar\u00e3o mais duas ou tr\u00eas passagens que, no entanto, pretendo transformar em textos s\u00f3 mais \u2018prafrentemente\u2019, no decorrer do ano, quando se fizer hora.<\/p>\n<p>Explico o porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Escrever diariamente traz um tanto de desafio e outro tanto de temores \u2013 creio mesmo que j\u00e1 falei disso em posts anteriores. Mas, s\u00f3 para arrematar, acrescento que h\u00e1 um jogo compulsivo e incontrol\u00e1vel nessa \u201carte de falar consigo mesmo e com os outros que \u00e9 o escrever\u201d. \u00c0s vezes, voc\u00ea precisa voar \u2013 e escreve, escreve, escreve. Em outras, n\u00e3o consegue sair do ch\u00e3o e n\u00e3o arremata uma linha sequer que fa\u00e7a sentido.<\/p>\n<p>Muitas vezes, a criatura (o tema) se imp\u00f5e ao criador (o autor) imperiosamente. Mesmo que ele tente fugir para outros mundos e assuntos n\u00e3o conseguir\u00e1 ir muito al\u00e9m.<\/p>\n<p>E querem saber?<\/p>\n<p>S\u00f3 vai voltar a ser feliz quando tirar esse espinho da garganta e &#8216;encarnar&#8217; em texto os fantasmas que lhe assombram e \u2013 vejam o contra-senso \u2013 libertam.<\/p>\n<p>Foi um pouco dessa realidade que me trouxe a visita aos c\u00f4modos em que Cervantes habitou em Valladolid, onde, dizem, deu retoques finais a obra magna da Literatura Universal: Dom Quixote.<\/p>\n<p>A Espanha vivia tempos dif\u00edceis. O reinado de Felipe III dava sinais de decad\u00eancia, assolado por um suceder de guerras v\u00e3s. O pr\u00f3prio Miguel de Cervantes Saavedra enfrentava l\u00e1 seus percal\u00e7os. Sa\u00edra de Sevilha para Valladolid para escapar a pendengas judiciais e financeiras. Na ent\u00e3o capital do reino se viu diante de uma pesada acusa\u00e7\u00e3o criminal. Pr\u00f3ximo \u00e0 sua moradia apareceu o cad\u00e1ver de um homem que teria sido assassinado, segundo a pol\u00edcia, por estar envolvido com a irm\u00e3 ou uma das duas filhas de Cervantes.<\/p>\n<p>Afli\u00e7\u00f5es e tanto a fustigar a tranq\u00fcilidade de qualquer um. Nada, por\u00e9m, que o impedisse de viver o melhor dos mundos na modesta casa. Onde, ali\u00e1s, se refugiava toda vez que sentava-se diante da ampla mesa de madeira maci\u00e7a e transformava em livro os del\u00edrios do her\u00f3i de La Mancha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meus caros&#8230;<\/p>\n<p>Juro estar t\u00e3o surpreso quanto voc\u00eas por chegar \u00e0 esta quinta parte do Bloco de Anota\u00e7\u00f5es. 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