{"id":10898,"date":"2008-03-06T00:00:00","date_gmt":"2008-03-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:31","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:31","slug":"de-tempos-em-tempos-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/de-tempos-em-tempos-2\/","title":{"rendered":"De tempos em tempos&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Com a permiss\u00e3o de todos, quero perseverar por esses pr\u00f3ximos dias na tem\u00e1tica de ontem: o tempo. Esse tal que, n\u00e3o canso de escrever e lembrar, \u201cn\u00e3o p\u00e1ra no porto, n\u00e3o apita na curva, n\u00e3o espera ningu\u00e9m\u201d (versos de Reginaldo Lessa).<\/p>\n<p>Do tempo que vem, do tempo que vai.<br \/>\nDo tempo que o tempo tem.<br \/>\nDe querer o tempo de volta.<br \/>\nOu a volta daqueles tempos. <\/p>\n<p>A neura, muitas vezes, \u00e9 a de sempre:<\/p>\n<p>N\u00e3o matar o tempo.<br \/>\nN\u00e3o desperdi\u00e7\u00e1-lo.<br \/>\nN\u00e3o perd\u00ea-lo. <\/p>\n<p>N\u00e3o v\u00ea-lo esvair-se pelos v\u00e3os dos dedos.<\/p>\n<p>Ou no lind\u00edssimo entender de Caetano que fez a sua Ora\u00e7\u00e3o ao Tempo,<br \/>\n\u201ccompositor dos destinos, tambor de todos os ritmos\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o me recordo a pretexto de qu\u00ea, uma das am\u00e1veis leitoras deixou, certa vez, coment\u00e1rio no blog para que eu escrevesse sobre o tempo e suas implica\u00e7\u00f5es. Se os prezad\u00edssimos tiverem a paci\u00eancia que n\u00e3o tenho, poder\u00e3o ver no \u00edndice de procura que, vira e mexe, estou aqui a tangenciar o tema \u2013 mas enfrent\u00e1-lo de frente, \u00e9 que s\u00e3o elas.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque \u201cele (o tempo) sabe passar. Eu n\u00e3o sei.\u201d, como ensinou o poeta Aldir Blanc. Mesmo assim, \u00e9 o que farei a partir de hoje.<\/p>\n<p>Tentarei saldar a d\u00edvida com a leitora.<\/p>\n<p>No m\u00ednimo, no m\u00ednimo, ela (se \u00e9 que permanece por aqui) e voc\u00eas ter\u00e3o algumas hist\u00f3rias curiosas.<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>A cineasta Izabel Jaguaribe flagrou o dia-a-dia do cantor\/compositor Paulinho da Viola em um requintado document\u00e1rio. Num dado momento das filmagens, Izabel quis saber do artista como era a vida \u201cno seu tempo\u201d. Referia-se obviamente aos anos 60 e 70 quando o sambista despontou com sucesso e a m\u00fasica brasileira vivia um momento riqu\u00edssimo, bem diferente dos dias atuais.<\/p>\n<p>Ao ouvir a indaga\u00e7\u00e3o, Paulinho, que \u00e9 uma figura\u00e7a, arregalou os olhos e tascou:<\/p>\n<p>&#8212; Meu tempo? Meu tempo \u00e9 hoje&#8230;<\/p>\n<p>Resultado:<\/p>\n<p>\u201cMeu Tempo \u00c8 Hoje\u201d virou t\u00edtulo do document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Imperd\u00edvel.<\/p>\n<p>A trilha sonora, deliciosa, foi lan\u00e7ada em CD pela Biscoito Fino.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Vou vender como comprei.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o posso assinar e dar f\u00e9.<\/p>\n<p>Mas, \u00e9 interessante, ent\u00e3o vou contar.<\/p>\n<p>Um amigo que entrevistou o Benjor me disse que ele tem verdadeiro horror a alus\u00f5es ao passado mais remoto. Quando algu\u00e9m lhe mostra um daqueles vinis antigos e pede para que autografe, ele diz que n\u00e3o d\u00e1 para assinar porque aquele cara da foto n\u00e3o \u00e9 ele \u2013 \u00e9 um tal de Jorge Ben. <\/p>\n<p>Brincadeiras \u00e0 parte, acho que Jorge Du\u00edlio Lima de Menezes \u2013 o verdadeiro nome deste carioca de Rio Cumprido, j\u00e1 entrado e vivido nos seis ponto qualquer muita coisa \u2013 tem l\u00e1 sua raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Nada mais constrangedor do que sentir que as pessoas lhe empurram e confinam a determinada \u00e9poca. <\/p>\n<p>Falo at\u00e9 por experi\u00eancia pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>D\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo hora extra neste mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a permiss\u00e3o de todos, quero perseverar por esses pr\u00f3ximos dias na tem\u00e1tica de ontem: o tempo. 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