{"id":10907,"date":"2008-03-15T00:00:00","date_gmt":"2008-03-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:29","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:29","slug":"carinhoso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/carinhoso\/","title":{"rendered":"Carinhoso"},"content":{"rendered":"<p>Dou seq\u00fc\u00eancia hoje \u00e0 s\u00e9rie Longer de Casa&#8230; <\/p>\n<p>Mas, vou adiar a hist\u00f3ria de \u00c1vila por alguns dias.<\/p>\n<p>Espero que me compreendam. Gostei da tem\u00e1tica e desconfio que tenho outros &quot;causos&quot; da mesma linhagem para lhes contar.<\/p>\n<p>O primeiro aconteceu no Rio de Janeiro. <\/p>\n<p>Se a mem\u00f3ria me ajudar, foi em 1982 por ocasi\u00e3o do Festival de MPB Shell que a Globo realizou. Estava incumbido ao lado do rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico Walter da Silva e do colunista Ismael Fernandes, especialista em TV, de cobri a final no Gin\u00e0sio do Maracan\u00e3zinho lotado de gente.<\/p>\n<p>Para isso, viajamos alguns dias antes. T\u00ednhamos de nos familiazar com os bastidores do espet\u00e1culo e evitar qualquer imprevisto. Quer\u00edamos fazer uma bela reportagem que prometo, dia desses, vou pendurar na se\u00e7\u00e3o Leia Esta Can\u00e7\u00e3o. Mas antes aviso aqui.  <\/p>\n<p>Passamos ent\u00e3o a conviver com alguns tipos da noite carioca, amigos do Ismael que logo se tornaram nossos amigos tamb\u00e9m. Esses encontros eram sempre a partir das 23 horas num restaurante do Flamengo, um bairro sem muita tradi\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, digamos, cultural. Mas, o boteco, al\u00e9m de servir uma comida honesta e praticar um pre\u00e7o justo na \u00e1rea et\u00edlica, reunia um pessoal bom de papo e apaixonado por m\u00fasica popular brasileira. As conversas se prolongavam at\u00e9 altas horas.<\/p>\n<p>Lembro que certa noite, l\u00e1 pelas tantas, me surpreendi como o mais carioca dos cariocas a narrar a hist\u00f3ria da m\u00fasica Carinhoso, de Pixinguinha e Joao de Barros, a quem chamei o tempo todo de Braguinha na maior das intimidade.<\/p>\n<p>Estava me achando, merm\u00e3o.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 a seguinte.  <\/p>\n<p>O maestro Pixinguinha fez as duas primeiras partes da melodia de Carinhoso em 1917 quando ainda era um jovem promissor talento. Gostou da cria\u00e7\u00e3o , mas deixou para finaliz\u00e1-la depois. Largou-a por ali entre seus guardados.<\/p>\n<p>Vez ou outra, lembrava-se da can\u00e7\u00e3o e a tocava em seus shows mais intimistas. Mais para n\u00e3o esquecer de vez a harmonia e a sofisticada divis\u00e3o dos acordes. Explicava, por\u00e9m, \u00e0 plat\u00e9ia que a m\u00fasica ainda n\u00e3o estava como ele queria, mas n\u00e3o tardaria a finaliz\u00e1-la.<\/p>\n<p>O cantor Orlando Silva apaixonou-se pela can\u00e7\u00e3o assim que a ouviu. Procurou o compositor depois do espet\u00e1culo e lhe disse que gostaria de grav\u00e1-la. <\/p>\n<p>Nada contra, disse Pixinguinha. <\/p>\n<p>Seria uma honra e tal. S\u00f3 que a melodia estava incompleta, al\u00e9m do que n\u00e3o possu\u00eda letra. Al\u00e9m do que, teria algumas grava\u00e7oes marcadas para aquela semana e a outra e a outra. Mas, assim que desse ele a finalizaria para Orlando gravar. Palavra de maestro.<\/p>\n<p>Orlando n\u00e3o se deixou convencer. Na semana seguinte, levou Braguinha ao show. Enquanto Pixinguinha tocava a m\u00fasica, o letrista foi lhe dando versos. Saiu assim, de primeira. Ao cabo do espet\u00e1culo, os dois encontraram-se para finalizar um dos maiores cl\u00e1ssicos da m\u00fasica popular brasileia.<\/p>\n<p>Corria o ano de 1937. Ou seja, vinte anos depois&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dou seq\u00fc\u00eancia hoje \u00e0 s\u00e9rie Longer de Casa&#8230; <\/p>\n<p>Mas, vou adiar a hist\u00f3ria de \u00c1vila por alguns dias.<\/p>\n<p>Espero que me compreendam. 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