{"id":10922,"date":"2008-03-29T00:00:00","date_gmt":"2008-03-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:16","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:16","slug":"a-micareta-e-o-rodizio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-micareta-e-o-rodizio\/","title":{"rendered":"A micareta e o rod\u00edzio"},"content":{"rendered":"<p>A mo\u00e7a chegou com ares de vitoriosa.<\/p>\n<p>Mostrou a capa da Ilustrada de sexta a me desafiar. L\u00e1 est\u00e1 a reportagem sobre a ax\u00e9-music. Uma ind\u00fastria em plena ascens\u00e3o, diz a mat\u00e9ria e comprova: \u00e9 a m\u00fasica que mais se ouve no Pa\u00eds, a mais lucrativa do mundo dos espet\u00e1culos, a mais isso, a mais aquilo, a mais mais em tudo. <\/p>\n<p>Nas turbul\u00eancias dos vinte anos, n\u00e3o entende como algu\u00e9m pode ser feliz neste mundo sem se deixar embalar por Ivetes, Claudinhas, Chiclets e afins.<br \/>\nAcho que ouviu a minha estranheza ao g\u00eanero em alguma palestra sobre jornalismo e mpb.<\/p>\n<p>Falo demais \u00e0s vezes. Ou quase sempre.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Leio na reportagem o que diz um dos empres\u00e1rios do ramo. <\/p>\n<p>A ax\u00e9 conseguiu unir o entretenimento ao beijo na boca.<\/p>\n<p>\u00d4 loco, meu \u2013 diria o Faust\u00e3o<\/p>\n<p>As palavras do mo\u00e7o:<\/p>\n<p>&quot;A m\u00fasica baiana conseguiu algo \u00fanico: ela vende beijo na boca. No show de rock, fica todo mundo olhando para o palco e ningu\u00e9m pega ningu\u00e9m. No ax\u00e9, pode estar a Ivete tocando, mas o cara est\u00e1 interessado \u00e9 em beijar, e est\u00e1 cheio de garotas para beij\u00e1-lo&quot;.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed, menina, um assunto pol\u00eamico.  <\/p>\n<p>Talvez fosse mais conveniente eu parar aqui. No simples registro.<\/p>\n<p>Mas, sei l\u00e1, n\u00e3o me seguro. Vontade de provoc\u00e1-la.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Para ser honesto, mo\u00e7a, vou ficar lhe devendo o reconhecimento da tal grandeza musical do ax\u00e9. No fundo, ningu\u00e9m perde nada com isso. Nem eu, nem voc\u00ea; muito menos o milion\u00e1rio neg\u00f3cio made in Bahia. <\/p>\n<p>At\u00e9 porque, convenhamos, sou um cara do s\u00e9culo 20 e sei de toda uma gera\u00e7\u00e3o de baianos que considero bem mais inspirados, verdadeiramente representativos para a tal linha evolutiva da MPB. De pronto, lembro Caymmi, Jo\u00e3o Gilberto, Caetano e Gil e Novos Baianos, estes que seguraram uma barra legal nos chumbados anos 70.<\/p>\n<p>Por outra, sei tamb\u00e9m que, em termos art\u00edsticos e culturais, \u00e9 assim mesmo.<br \/>\nDesde que o mundo \u00e9 mundo, vive-se na tal roda-gigante. Sempre com altos e baixos. <\/p>\n<p>Por isso, d\u00e1 para se conformar e esperar tempos mais encantados.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 a quest\u00e3o comportamental que me preocupa.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 nem pela tal beija\u00e7\u00e3o, vou logo explicando. <\/p>\n<p>Que coisa pior \u2013 ou melhor? \u2013 gera\u00e7\u00f5es passadas tamb\u00e9m fizeram e desfizeram. <\/p>\n<p>N\u00e3o sou eu que vou emba\u00e7ar a dos mais jovens \u2013 e alguns nem tanto, que tamb\u00e9m aproveitam a onda, \u00e9 bom que se diga.<\/p>\n<p>O que me preocupa, digo logo, \u00e9 o \u201cefeito rod\u00edzio\u201d.<\/p>\n<p>Sobre isso falaremos amanh\u00e3, ok?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mo\u00e7a chegou com ares de vitoriosa.<\/p>\n<p>Mostrou a capa da Ilustrada de sexta a me desafiar. L\u00e1 est\u00e1 a reportagem sobre a ax\u00e9-music. 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