{"id":10942,"date":"2008-04-15T00:00:00","date_gmt":"2008-04-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:14","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:14","slug":"cinquenta-e-muitos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/cinquenta-e-muitos\/","title":{"rendered":"Cinq\u00fcenta e muitos"},"content":{"rendered":"<p>Vamos l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Adivinhem de quem \u00e9 este depoimento?<\/p>\n<p>&#8212; Entendo a arte como a express\u00e3o social de uma \u00e9poca&#8230;<\/p>\n<p>Estamos num dia qualquer de 1977. Eu e o amigo Cl\u00f3vis Naconecy de Souza ainda n\u00e3o sabemos se vamos ou n\u00e3o entrevist\u00e1-lo. Harumi, a assessora de imprensa da Warner, fala que a agenda do cantor\/compositor (ops, uma dica) est\u00e1 todinha lotada naquele dia. Poder\u00edamos voltar amanh\u00e3 e assim participar\u00edamos da &quot;coletiva&quot; para os pequenos e m\u00e9dios jornais. Hoje, s\u00f3 emissoras de r\u00e1dio e de TV, al\u00e9m dos jornal\u00f5es. <\/p>\n<p>&#8212; (&#8230;) Ent\u00e3o voc\u00ea tem que dar uma de Nero, ficar tocando uma harpa e cantando o que est\u00e1 acontecendo. Pois \u00e9 nesse cantar que as coisas se torcem. Voc\u00ea passa a refletir o momento hist\u00f3rico que est\u00e1 vivendo. Mas sem entrar em particularidades pol\u00edticas, essas coisas. Nada disso. Sempre trato das coisas num campo metaf\u00edsico, filos\u00f3fico e antol\u00f3gico. Um ponto-de-vista meu, da vida. S\u00f3 isso&#8230;<\/p>\n<p>Insistimos. Mas, ao que parece, nos abalamos em v\u00e3o da Mooca at\u00e9 a rua \u00c1lvaro Guimar\u00e3es em Pinheiros, onde fica sede da gravadora. Que pena.<\/p>\n<p>&#8212; (&#8230;) Quando vim para o Rio, n\u00e3o foi para ser cantor. Foi para editar um tratado de filosofia pela Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira. Sou formado e professor em Filosofia. Mas, como lan\u00e7ar um livro \u00e9 um neg\u00f3cio extremamente dif\u00edcil, um c\u00edrculo bem restrito: acabou n\u00e3o dando certo. Vi que a coisa era muito reduzida, tipo p\u00fablico de teatro, ent\u00e3o resolvi fazer a mesma coisa por meio de m\u00fasica, por meio do disco. Porque disco, sim, \u00e9 uma coisa muito mais incisiva. Um meio muito mais r\u00e1pido, do qual passei a me utilizar para dizer o que pretendo, para deixar minha impress\u00e3o digital nesse mundo. Para minha raz\u00e3o de viver ou n\u00e3o, entende! Afinal, estou aqui fazendo o qu\u00ea? Tracei uma meta, e tenho que ir at\u00e9 o fim&#8230;<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos entregando os pontos, quando o tal aparece na ante-sala da assessoria,. Cumprimenta a todos. Simp\u00e1tico, pergunta quem somos e o que fazemos ali. <\/p>\n<p>&#8212; (&#8230;) Aprendi muito l\u00e1 (na CBS), cara. Que escola! Era produtor de discos. Trabalhei com todo aquele pessoal do final da Jovem Guarda: Jerry Adriani, Wanderl\u00e9ia, Renato e Seus Blue Caps. O Roberto (Carlos), que \u00e9 um cara incr\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p>Prontamente nos identificamos. T\u00ednhamos um jornal. Jornal da Mooca. Quer\u00edamos entrevist\u00e1-lo. Mas&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; (&#8230;) A\u00ed pintou o festival. O S\u00e9rgio Sampaio tinha inscrito o \u201cEu Quero Botar O Meu Bloco Na Rua\u201d, e eu entrei com \u201cLet Me Sing\u201d e \u201cEu Sou Eu, Nikuda \u00c9 O Diabo\u201d. Foi o \u00faltimo festival. Outra loucura: um festival nacional, e eu cantando em ingl\u00eas, misturando Luiz Gonzaga, rock. O Walter Franco com aquela \u201cCabe\u00e7a, Cabe\u00e7a, Cabe\u00e7a&#8230;\u201d, lembra&#8230;<\/p>\n<p>Um sorriso largo rasgou o rosto magro e ossudo. Pois ent\u00e3o, o que est\u00e1vamos esperando, ele disse. <\/p>\n<p>&#8212; (&#8230;) Eu sou de 45, do p\u00f3s-guerra. Nasci quando a bomba estava caindo em Hiroshima. Sou da \u201cGera\u00e7\u00e3o Sandu\u00edche\u201d, devo me adaptar aos surfistas de hoje e ao que pensa meu pai&#8230; Uma barra violent\u00edssima&#8230;<\/p>\n<p>L\u00e1 fomos n\u00f3s entrevistar &#8212; j\u00e1 adivinharam?&#8211; o mago Raul Seixas. Pobre do rep\u00f3rter do Estad\u00e3o, esperou um temp\u00e3o at\u00e9 que nossa conversa terminasse. A Harumi, amiga que revi recentemente num evento, tratou de convencer o jornalista a ter paci\u00eancia. Raul era assim. Imprevis\u00edvel &#8211; e generoso. <\/p>\n<p>A entrevista foi publicada originalmente no Jornal da Mooca, seman\u00e1rio que eu, o Cl\u00f3vis e o saudoso Ismael Fernandes toc\u00e1vamos com sonhos e anseios pr\u00f3prios de quem tem vinte e poucos anos.<\/p>\n<p>Hoje me bateu uma saudades daquelas. Dos tempos idos e vividos. De todo esse pessoal. Uma certa nostalgia. Doce, suave, pr\u00f3pria de quem tem cinq\u00fcenta e muitos anos.<\/p>\n<p>* Um link, como dizem hoje. A \u00edntegra da entrevista publiquei tamb\u00e9m no livro \u00c0s Margens Pl\u00e1cidas do Ipiranga, postado a\u00ed ao lado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Adivinhem de quem \u00e9 este depoimento?<\/p>\n<p>&#8212; Entendo a arte como a express\u00e3o social de uma \u00e9poca&#8230;<\/p>\n<p>Estamos num dia qualquer de 1977.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10942","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10942"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16981,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10942\/revisions\/16981"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}