{"id":10953,"date":"2008-04-25T00:00:00","date_gmt":"2008-04-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:13","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:13","slug":"nicola-vai-ao-museu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/nicola-vai-ao-museu\/","title":{"rendered":"Nicola vai ao Museu"},"content":{"rendered":"<p>Oi. <\/p>\n<p>Nunca sei como cham\u00e1-lo. Nicola, simplesmente. Ou doutor Nicola?<\/p>\n<p>Sempre achei estranho essa hist\u00f3ria de ser taxista e psic\u00f3logo ao mesmo tempo. Ainda mais com doutorado na tese \u201cMulheres Que Amam Demais\u201d? <\/p>\n<p>Deixa pra l\u00e1. N\u00e3o importa. <\/p>\n<p>Voc\u00ea sabe. Sou sua f\u00e3 e (im)paciente&#8230;<\/p>\n<p>Pois \u00e9. Quero lhe fazer um convite. Vamos ver a mostra A Viagem de Yukio Suzuki no Museu Brasileiro de Escultura? \u00c9 na avenida Europa 218, aqui em S\u00e3o Paulo. Vamos aproveitar este fim de semana \u00e9 ali na regi\u00e3o. Ele \u00e9 muito parecido com voc\u00ea, sabia? Um exemplo da disciplina, organiza\u00e7\u00e3o, do imigrante japon\u00eas que buscou sentir a nossa natureza e se integrar na cidade, no pa\u00eds. <\/p>\n<p>J\u00e1 sei, j\u00e1 sei. Vai me dizer que n\u00e3o tem nada de oriental. \u00c9 italiano, o que, na verdade, muda tudo e, em ess\u00eancia, n\u00e3o muda nada. Viver longe da terra natal gera sempre um enorme vazio. Parece que falta um peda\u00e7o da gente, n\u00e3o \u00e9 assim? E ainda tem a eterna expectativa da volta&#8230; <\/p>\n<p>Os trabalhos s\u00e3o impec\u00e1veis. S\u00e3o, como bem lembra Jacob Klintowitz, o alvorecer da consci\u00eancia. Gostei muito. Como os primeiros artistas imigrantes, Yukio \u00e9 um observador da natureza, sempre envolto da energia do universo.<\/p>\n<p>Ah! Podemos tamb\u00e9m que assistir ao filme Sol, que mostra a queda do imperador japon\u00eas, o momento em que ele declara que n\u00e3o \u00e9 um deus e n\u00e3o descende do sol. <\/p>\n<p>Eu mesma aprendi, quando era menina, que descendia de Amaterasu, a deusa do sol. Voc\u00ea acredita que eu acreditava piamente nisso? \u00cda para a escola com um guarda-chuva de papel arroz e varetas de bambu. Tinha flores vermelhas e um tsuru (passarinho) lindo. Minha m\u00e3e dizia que as crian\u00e7as deveriam estar sempre protegidas dos raios porque Amaterasu ficava de mau humor depois das 10 horas e seus raios castigavam a nossa pele. <\/p>\n<p>S\u00f3 que na escola meus coleguinhas n\u00e3o entendiam. Debochavam porque eu era<br \/>\nmuito branca. Mas, que fazer?  Tinha um medo danado do castigo da deusa m\u00e3e.<\/p>\n<p>Enfim, s\u00e3o hist\u00f3rias que deixam a gente um pouco fora do planeta. <\/p>\n<p>Ainda hoje ningu\u00e9m entende porque eu nunca vou \u00e0 praia para ficar sob o sol. Me satisfa\u00e7o em contemplar o inigual\u00e1vel festival de cores. \u00c9 lindo. <\/p>\n<p>Voc\u00ea me entende, n\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o?<\/p>\n<p>O que acha?<\/p>\n<p>Topa?<\/p>\n<p>Beijos<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>&#8212; Interessante. Interessante&#8230;<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 o que Nicola disse baixinho para ele mesmo, pois o consult\u00f3rio estava vazio. Era hora de ir embora. Enfrentar a segunda jornada agora como taxista. No fundo, no fundo, \u00e9 tudo a mesma coisa para ele. Antes de clicar o \u201cdesligar\u201d na tela do notebook, optou por responder ao email da paciente. Com a sutileza habitual, teclou:<\/p>\n<p>\u201cMarque uma hora com a minha secret\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p>E foi-se embora indiferente. <\/p>\n<p>Antes de entrar no t\u00e1xi, por\u00e9m, estava convencido. Arranjaria um tempo neste fim de semana \u2013 aloprado pelas 800 atra\u00e7\u00f5es da Virada Cultural \u2013 para visitar o tal Museu. Nicola n\u00e3o gosta de muvuca e diz para todo mundo que \u00e9 apenas um homem s\u00f3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oi. <\/p>\n<p>Nunca sei como cham\u00e1-lo. Nicola, simplesmente. Ou doutor Nicola?<\/p>\n<p>Sempre achei estranho essa hist\u00f3ria de ser taxista e psic\u00f3logo ao mesmo tempo. 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