{"id":10957,"date":"2008-04-29T00:00:00","date_gmt":"2008-04-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:12","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:12","slug":"rcm","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/rcm\/","title":{"rendered":"RCM"},"content":{"rendered":"<p>Voltei a escrever a coluna \u201cCaro Leitor\u201d, espa\u00e7o que ocupei semanalmente por 24 anos na p\u00e1gina 2 de Gazeta do Ipiranga. Foi nesta sexta, dia 25, quando circulou a edi\u00e7\u00e3o especial do seman\u00e1rio que comemorou 50 anos de exist\u00eancia e conquistas.<\/p>\n<p>Fiquei feliz por esse breve retorno do RCM \u2013 era assim que eu assinava a coluna.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Hoje, recebi a visita do amigo Walt\u00e3o aqui, na Universidade. Ele continua a esgrimir o risque e rabisque da vida no velho casar\u00e3o da avenida Bom Pastor e veio gentilmente me trazer e presentear com um exemplar do jornal.<\/p>\n<p>Confesso que reli as breves linhas como se fossem as primeiras que ali publiquei em mar\u00e7o de 1974, quando era redator-estagi\u00e1rio e vi minha primeira mat\u00e9ria publicada. Um \u201cfala povo\u201d sobre o Dia Internacional da Mulher. Escrevi que uma das entrevistadas era desquitada e, juro, causou um certo frenesi na Reda\u00e7\u00e3o. Pode ou n\u00e3o pode? Tempos de censura e auto censura. Por vezes, perdia-se o referencial.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Lembro que o Marc\u00e3o, o grande Tonico Marques, mentor intelectual de todos ali, chegou a ser consultado. E decretou sereno, do alto da sua sapi\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8212; Poder, pode. Mas, garot\u00e3o, v\u00ea se n\u00e3o esquece que este \u00e9 um jornal de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Enquanto ele ria do deboche, eu todo cerimonioso agradeci:<\/p>\n<p>&#8212; Sim, senhor. N\u00e3o vou esquecer<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o perdeu a chance de outra lambada:<\/p>\n<p>&#8212; Senhor t\u00e1 no c\u00e9u.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Vejam o que escrevi.<\/p>\n<p>Aspas para mim:<\/p>\n<p>&quot;Quinta, 26 de junho de 2003.<\/p>\n<p>Depois de 24 anos, \u00e9 a primeira vez que acordo numa quinta sem o compromisso de escrever a coluna Caro Leitor para o jornal Gazeta do Ipiranga. Lembro que, quando meu filho nasceu, era quinta-feira tamb\u00e9m. 20 de mar\u00e7o de 1980. Antes de seguir para a maternidade, ainda alinhavei a coluna daquela semana. Outra quinta, 2 de setembro de 1999, n\u00e3o consegui escrever. Estava no vel\u00f3rio do meu pai, o velho Aldo.<\/p>\n<p>Sexta, 25 de abril de 2008. <\/p>\n<p>Quase cinco anos depois, estou aqui a ocupar este espa\u00e7o outra vez. Venho reverenciar os 50 anos de Gazeta do Ipiranga. O que lhes posso dizer al\u00e9m das li\u00e7\u00f5es que aprendi com o tempo, aquele que n\u00e3o p\u00e1ra no porto, n\u00e3o apita na curva, n\u00e3o espera ningu\u00e9m?<\/p>\n<p>Que Gazeta do Ipiranga me deu r\u00e9gua e compasso \u2013 e car\u00edssimos amigos \u2013 para tra\u00e7ar uma rota de vida. Sempre pautada por valores \u00e9ticos e jornal\u00edsticos. Que aqui nessas p\u00e1ginas fundeei sonhos e amores. Que pude vivenciar mudan\u00e7as hist\u00f3ricas na comunidade e no Pa\u00eds \u2013 e GI estava em todas, dos torneios varzeanos \u00e0s Diretas. Que aprendi a respeitar, cada vez mais, quem est\u00e1 a\u00ed, do outro lado, com olhos pregados no papel. \u00c0 espera de um mundo melhor. <\/p>\n<p>Um mundo que Gazeta do Ipiranga teima em acreditar e, por certo, saber\u00e1 transform\u00e1-lo em belas hist\u00f3rias para lhes contar a cada manh\u00e3 de sexta-feira. Dia sagrado da Gazetinha chegar \u00e0 sua casa.&quot; (RCM)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltei a escrever a coluna \u201cCaro Leitor\u201d, espa\u00e7o que ocupei semanalmente por 24 anos na p\u00e1gina 2 de Gazeta do Ipiranga. 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