{"id":10958,"date":"2008-04-30T00:00:00","date_gmt":"2008-04-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:12","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:12","slug":"os-doze-toins","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-doze-toins\/","title":{"rendered":"Os doze t\u00f3ins&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Estava em Veneza. Na Pra\u00e7a S\u00e3o Marcos. <\/p>\n<p>Foi quando me ocorreu de subir na torre da igreja, o cart\u00e3o postal de um bel\u00edssimo cen\u00e1rio. At\u00e9 a\u00ed nada de anormal. Qualquer turista que chega \u00e0 pra\u00e7a logo entra na fila para conhecer o tal monumento por dentro e ter uma vis\u00e3o inesquec\u00edvel de uma cidade inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Eu e minha trupe and\u00e1vamos por aqueles becos e ruelas, serpenteados pelas \u00e1guas de canais, h\u00e1 dois ou tr\u00eas dias. Fazia um frio consider\u00e1vel, posto que era inverno. O que dava ao lugar alguns pontos positivos, segundo me disse o gar\u00e7om de um caf\u00e9 local. Primeiro porque h\u00e1 todo aquele charme dos casacos e agasalhos, o estilo europeu que n\u00e3o se encontra por aqui, nem indo a Campos de Jord\u00e3o em julho. Segundo, porque os vinhos tintos e os conhaques se tornam mais apropriados &#8212; e aveludados &#8211; \u00e0 degusta\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m fica com ares de breacos, a n\u00e3o ser que \u201cexagere exageradamente\u201d na dose. E a\u00ed, um cuidado maior no tran\u00e7a pernas habitual dos bebuns, pois as \u00e1guas dos ditos canais podem ser o limite nada, nada recomend\u00e1vel. Ali\u00e1s, \u00e9 exatamente esta a origem do terceiro quesito favor\u00e1vel \u2013 e impens\u00e1vel a princ\u00edpio, sempre que comenta sobre o fasc\u00ednio de Veneza. Disse-me o distinto gar\u00e7om (quase que o chamo de maitre, s\u00f3 para n\u00e3o repetir a palavra gar\u00e7om, que bobagem!) que os dias frios e de sol raro livram o turista de um insuport\u00e1vel mau cheiro que exala precisamente dos canais.<\/p>\n<p>Que coisa deselegante estou a dizer! <\/p>\n<p>Compreenda-se que repito o que ouvi do mo\u00e7o (que agora nem acho mais t\u00e3o distinto), mas n\u00e3o sei se precisava incluir numa cr\u00f4nica que se anunciava, a princ\u00edpio, t\u00e3o po\u00e9tica&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, voltemos \u00e0 torre&#8230;<\/p>\n<p>L\u00e1 em cima, vislumbrei uma paisagem magn\u00edfica. Fiquei embevecido e agradeci aos C\u00e9us por tamanho privil\u00e9gio. Para um garoto do Cambuci, neto de italianos, entenda-se: n\u00e3o foi uma trajet\u00f3ria t\u00e3o simples estar ali e h\u00e1 aquele cora\u00e7\u00e3o mole, natural dos oriundis, mesmo que seja de terceira gera\u00e7\u00e3o como eu.<\/p>\n<p>Os C\u00e9us, os anjos ou Algu\u00e9m de prest\u00edgio l\u00e1 em cima parece ter ouvido os meus ais de encantamento. E quis coroar momento t\u00e3o singular, e \u00fanico. Uma chuva de badaladas rompeu forte naquele preciso instante. <\/p>\n<p>T\u00d3IM&#8230; T\u00d3IM&#8230; T\u00d3IM&#8230;   <\/p>\n<p>Ao todo, foram doze \u201ct\u00f3ins\u201d ensurdecedores.<\/p>\n<p>Estava em baixo dos enormes sinos da secular igreja, meus queridos. Era meio-dia &#8212; e o sacrist\u00e3o, o sineiro, o p\u00e1roco da aldeia ou coisa que o valha s\u00f3 cumpriu sua obriga\u00e7\u00e3o ao bimbalhar ferozmente o carrilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Momento \u00fanico, pois sim&#8230;<\/p>\n<p>Sa\u00ed de l\u00e1 tontinho de tudo \u2013 mais do que habitualmente sou &#8211;, com um T\u00d3IM intermitente em um dos ouvidos, mas com l\u00e1grimas nos olhos.<\/p>\n<p>Acreditem. \u00c0s vezes, sou t\u00e3o sentimental&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava em Veneza. Na Pra\u00e7a S\u00e3o Marcos. <\/p>\n<p>Foi quando me ocorreu de subir na torre da igreja, o cart\u00e3o postal de um bel\u00edssimo cen\u00e1rio. 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