{"id":10960,"date":"2008-05-02T00:00:00","date_gmt":"2008-05-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:12","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:12","slug":"sejam-todos-chico-lang","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sejam-todos-chico-lang\/","title":{"rendered":"Sejam todos Chico Lang"},"content":{"rendered":"<p>Beb\u00e9 sempre foi um bom sujeito. J\u00e1 entrado nos \u2018entas\u2019, gostava mesmo era de apitar jogos de futebol. Assim defendia alguns trocados e, al\u00e9m do que, dava uma bela massageada no ego. Tinha o nome em alta com a rapaziada boa de bola, que sempre lembrava de lhe chamar quando havia uma partida importante. Desde que o futebol \u00e9 futebol, algu\u00e9m precisa apitar a porfia \u2013 e esse algu\u00e9m, no mundo da v\u00e1rzea paulistana, era Beb\u00e9. Donde se conclu\u00ed que o bem maior da vida dele era a reputa\u00e7\u00e3o. E, diga-se de passagem, ele cuidava de mant\u00ea-la intacta acima de qualquer suspeita, visto que craque ele nunca foi. O que Beb\u00e9 mais temia era perder a fama de bom juiz e cair no anonimato entre os boleiros da cidade.<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o, senhores. <\/p>\n<p>Eis que, num dos anos mais antigos do passado, o glorioso Sucat\u00e3o (comandado pelo empres\u00e1rio, construtor, camisa 10 e dono o time, Milton Bigucci) enfrenta o n\u00e3o menos glorioso Cisplatina (dos irm\u00e3os Alface) numa emocionante final de campeonato entre os veteranos do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga. O juiz n\u00e3o poderia ser outro, Beb\u00e9, que corre para l\u00e1 e para c\u00e1 vestindo uma vistosa camisa amarela com distintivo da Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol e tudo mais.<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem onde o mo\u00e7o arranjou tal bras\u00e3o. Eu estava no jogo, era quarto-zagueiro do Sucat\u00e3o. Tinha de correr atr\u00e1s dos \u00e1geis atacantes (todos, como eu, na faixa dos 80 por 40; mais de 80 quilos e acima de 40 anos), n\u00e3o ficaria pensando nisso \u00e0quela hora, menos ainda agora que tanto tempo se passou.<\/p>\n<p>O que registrei daquela tarde de s\u00e1bado &#8211; e quero lhes contar &#8211; aconteceu depois uma bola dividida, junto \u00e0 lateral, em que eu e o grande Ademir Alface nos enroscamos e a bola saiu. Corri para pegar  bola e dar o lateral quando ou\u00e7o a voz do Beb\u00e9 a princ\u00edpio reepressivo, depois todo sol\u00edcito:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o, n\u00e3o. Nada disso, rapaz&#8230; Vamos que a bola \u00e9 nossa, Sr.Ademir.<\/p>\n<p>N\u00e3o acreditei. At\u00e9 o Beb\u00e9 se entregou na hora do vamos ver do futebol.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Acho que j\u00e1 contei essa hist\u00f3ria em algum outro texto. Mas, tomei a liberdade de repeti-la porque tenho me divertido com alguns coleguinhas da cr\u00f4nica esportiva. Eles se dizem senhores das verdade e conceitos futebol\u00edsticos. Mas, n\u00e3o conseguem controlar o torcedor que existe em cada um de n\u00f3s, que gostamos de futebol. E s\u00f3 gostamos de futebol porque torcemos para algum time e esportivamente detestamos outros. N\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n<p>A coisa desandou nessas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>No domingo passado, o ex-juiz Arnaldo C\u00e9sar Coelho \u2013 que, quando apitava, aprontava uma atr\u00e1s da outra \u2013 inventou um \u201cempurr\u00e3o-desabafo\u201d para justificar a n\u00e3o puni\u00e7\u00e3o do jogador da Ponte que deu um safan\u00e3o no jogador do Palmeiras. As imagens mostravam a cena anti-desportiva. Mas, digamos, ele estava light naquela tarde.<\/p>\n<p>Na quarta \u00e0 noite, foi a vez do veterano Luciano do Valle. Ele quase teve um infarto de tanto torcer para o Sport de Recife. Luciano \u00e9 torcedor da Ponte e, no seu del\u00edrio de arquibancada, chegou a chamar duas ou tr\u00eas vezes o goleiro Magr\u00e3o, do Sport, pelo nome do goleiro da Ponte. <\/p>\n<p>&#8212; Araaaaanha, Araaaaanha&#8230;<\/p>\n<p>Ops. Ato falho.<\/p>\n<p>Por morar na bela e pernambucana Porto de Galinhas, as paix\u00f5es se juntaram. Em outro momento, ap\u00f3s uma defesa milagrosa de Magr\u00e3o, ele preferiu n\u00e3o correr o risco de trocar os nomes. Ent\u00e3o, simplesmente comemorou: <\/p>\n<p>&#8212; Beleeeeeza, beleeeeeza, beleeeeza.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>E tem mais. Muito mais. Em um desses programas esportivos da hora do almo\u00e7o, vi outro comentarista \u2013 n\u00e3o peguei o nome do tal \u2013 fazer uma previs\u00e3o para o jogo de domingo entre Ponte e Palmeiras. E o fez no melhor estilo Beb\u00e9. <\/p>\n<p>&#8212; O Sport mostrou que n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel CONSEGUIRMOS uma vit\u00f3ria por dois gols de diferen\u00e7a, mesmo em pleno Parque Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>Convenhamos. N\u00e3o \u00e9 isso que se espera do lado de c\u00e1 da telinha, nem quando distorcem tudo em prol do nosso time do cora\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque &#8211; dizia o velho Aldo, meu pai &#8212; &quot;lugar de torcedor \u00e9 na arquibancada&quot;. <\/p>\n<p>Agora, v\u00e1 l\u00e1 que o cara queira torcer, vibrar, inflamar-se. V\u00e1 l\u00e1, \u00e9 humano e futebol \u00e9 assim mesmo, passional e arrebatador. <\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, que nos avise. Tipo: <\/p>\n<p>\u201cTorcida amiga, boa tarde. Hoje, vou torcer para o time tal.\u201d <\/p>\n<p>Ou:<\/p>\n<p>\u201cPreparem-se. Detesto time Y. Por isso, n\u00e3o levem a s\u00e9rio o que vou dizer.\u201d<\/p>\n<p>A\u00ed, a gente se sente da turma. E v\u00ea o que faz. Atura o &quot;Pachec\u00e3o&quot; narrando ou comentando o jogo. Ou &quot;tira&quot; o som da TV.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Meu conselho:<\/p>\n<p>Sejam todos Chico Lang.<\/p>\n<p>\u00c9, no m\u00ednimo, mais divertido.<\/p>\n<p>(* Importante. Sou palmeirense.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beb\u00e9 sempre foi um bom sujeito. J\u00e1 entrado nos \u2018entas\u2019, gostava mesmo era de apitar jogos de futebol. 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