{"id":10964,"date":"2008-05-06T00:00:00","date_gmt":"2008-05-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:11","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:11","slug":"sonhos-e-memorias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sonhos-e-memorias\/","title":{"rendered":"Sonhos e mem\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>Pela manh\u00e3 valeu a visita de um amigo de longa data e poucos encontros. Foi apenas uma passada r\u00e1pida pela Reda\u00e7\u00e3o, tempo suficiente para o caf\u00e9 sem a\u00e7\u00facar e uma s\u00e9rie de constata\u00e7\u00f5es igualmente amargas. <\/p>\n<p>Aonde veio dar esse nosso Pa\u00eds? <\/p>\n<p>Somos da gera\u00e7\u00e3o que ousou sonhar com o fim da ditadura e, acredit\u00e1vamos, que todo o mal fardava-se de verde oliva. Hoje, entendemos que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Era mais f\u00e1cil detectarmos quem entend\u00edamos como obst\u00e1culos \u00e0s nossas id\u00e9ias e ideais. Brig\u00e1vamos, mesmo que desajeitadamente e \u00e0 nossa maneira, por um Brasil de todos os brasileiros. Justi\u00e7a social, elei\u00e7\u00f5es diretas em todos os n\u00edveis e um pa\u00eds soberano a gerir seu grande destino &#8212; era por essa rota que caminh\u00e1vamos com a certeza de que semear\u00edamos uma Na\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, justa e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 companheiro, sabemos hoje que n\u00e3o \u00e9 bem assim. A vida, como naquela dolente can\u00e7\u00e3o dos Beatles, \u00e9 uma longa e sinuosa estrada. E logo na quebrada da primeira curva alguns dos chamados baluartes da democracia mostraram a que vieram. Aboletaram-se no Poder, vestiram a carapu\u00e7a daqueles a quem combatiam, fecharam alian\u00e7as esp\u00farias com os que serviram aos generais-presidentes e entregaram o Pa\u00eds ao bel-prazer do capital estrangeiro. Falam em globaliza\u00e7\u00e3o, em estar conectados com o Planeta e o que temos ao redor, como resultado mais concreto, \u00e9 o caos das grandes cidades, a dissemina\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria, a viol\u00eancia das ruas&#8230; <\/p>\n<p>O medo do nada, o medo de tudo&#8230;<\/p>\n<p>Segure essa onda, amigo. Quer saber: este canto do mundo chamado S\u00e3o Paulo\/Brasil ainda precisa muito de gente como voc\u00ea. Que acredita no ser humano. Que sonha e ama e luta. Lutemos, pois. Apesar de todos os contratempos, de todas as desilus\u00f5es, ainda somos os privilegiados que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de mudar o placar do jogo da vida. <\/p>\n<p>Gente \u00e9 para brilhar, n\u00e3o para morrer de fome, de t\u00e9dio. De susto, de bala ou v\u00edcio&#8230;<\/p>\n<p>* Nem sempre gosto de ler velhos textos que escrevi. Parece que leio outro autor. Verdade. A quantas andava no outono de 1999 quando o texto acima foi publicado? Trabalhava em jornal, come\u00e7ava minha carreira aqui na Universidade e me preparava para fazer um mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o Social. Tinha 48 anos e alguma esperan\u00e7a. Eu era igual, mas diferente.<\/p>\n<p>Estranho hoje n\u00e3o lembrar o amigo que me visitou.<\/p>\n<p>Quem era, o que conversamos, por que escrevi o qu\u00ea escrevi?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ele leu?<\/p>\n<p>Se fosse nos dias atuais, o amigo no m\u00ednimo me enviaria um email. Diria se concordou com as minha divaga\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o. No m\u00ednimo, chegaria um &quot;ol\u00e1&quot;, via celular.<\/p>\n<p>Como eu, o mundo \u00e9 igual, mas diferente. <\/p>\n<p>Mas, querem saber, mais estranho ainda \u00e9 sentir o tempo a nos escapar pelos v\u00e3os dos dedos, assim como finos gr\u00e3os de areia, que cintilam sonhos e mem\u00f3rias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela manh\u00e3 valeu a visita de um amigo de longa data e poucos encontros. 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