{"id":10967,"date":"2008-05-09T00:00:00","date_gmt":"2008-05-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:11","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:11","slug":"velhos-jornalistas-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/velhos-jornalistas-2\/","title":{"rendered":"Velhos jornalistas"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o vou lembrar o ano. Mas, faz tempo. N\u00e3o existia o S\u00e3o Google para consultas imediatas de terceiro grau. Ali\u00e1s, nem computadores havia nas reda\u00e7\u00f5es. Eram tempos da velha m\u00e1quina de escrever. O fot\u00f3grafo era chamado de \u201clambe-lambe\u201d e o rep\u00f3rter de \u201ccanetinha\u201d. Assim nos divert\u00edamos enquanto cort\u00e1vamos a cidade atr\u00e1s de uma \u201cmat\u00e9ria\u201d que desse primeira p\u00e1gina no dia seguinte. T\u00ednhamos hora para entrar \u2013 ali por volta das 13 ou 13h30 \u2013, nunca para sair.<\/p>\n<p>Era garoto \u2013 pouco mais de 20 anos \u2013 e sentia um baita orgulho de ser jornalista. Um orgulho que cresceu ainda mais quando conheci um velho jornalista aposentado. Chamava-se Fl\u00e1vio Xavier de Toledo e, em tempos idos, fora redator do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. Era um senhor distinto, elegante que, \u00e0quela altura da vida, morava no pacato bairro do Jardim da Sa\u00fade, zona sul de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, era o motivo do encontro. Ele queria dar uma for\u00e7a para os movimentos populares que reivindicavam melhorias para a regi\u00e3o e, jornalista que era, fez quest\u00e3o de me dizer, a primeira coisa que pensou em fazer foi contatar a imprensa \u201cpara apoiar a causa\u201d.<\/p>\n<p>&#8212; A imprensa, filho, \u00e9 a express\u00e3o do pensamento social.<\/p>\n<p>Achei a frase bonita. Mas, formal demais para quem, como ele, participou da revolu\u00e7\u00e3o que o JB promoveu no jornalismo brasileiro em meados dos anos 50, com a introdu\u00e7\u00e3o do lead, a valoriza\u00e7\u00e3o do planejamento gr\u00e1fico, entre outras conquistas.<\/p>\n<p>Anos 70. A ditadura a impor os r\u00edgidos limites da censura \u00e0 Imprensa. A sociedade desinformada \u2013 e, provavelmente por isso, silenciosa. Os jornais a estampar receitas de bolo e versos de Cam\u00f5es no lugar das reportagens vetadas pelos censores. A resist\u00eancia de artistas, intelectuais, estudantes e bravos jornalistas. <\/p>\n<p>Fl\u00e1vio era um deles. <\/p>\n<p>Com essa iniciativa, queria agrupar os moradores do Jardim da Sa\u00fade em entidades representativas e, a partir da\u00ed, ter mais peso nas decis\u00f5es Era bonito v\u00ea-lo fiel ao sonho de transforma\u00e7\u00e3o social que, \u00e0quela altura, era assunto presente em todas as rodas de profissionais de Imprensa.<\/p>\n<p>Andamos pelo Jardim da Sa\u00fade. Entrevistei moradores e comerciantes sobre os problemas locais e sugest\u00f5es para resolv\u00ea-los. Alguns se transformaram em l\u00edderes comunit\u00e1rios, como preconizou o jornalista. Lembro ter destacado o trabalho do Plen\u00e1rio da Zona Sul, que tinha como presidente o m\u00e9dico Eduardo Campos Rosmaninho.<\/p>\n<p>Foi uma mat\u00e9ria simples, mas gerou frutos.<\/p>\n<p>Gostei de escrev\u00ea-la.<\/p>\n<p>&#8212; A imprensa, filho, \u00e9 a express\u00e3o do pensamento social. Mas, nunca o jornalista pode ficar ref\u00e9m da opini\u00e3o p\u00fablica&#8230;<\/p>\n<p>Aprendi tanto com o jornalista Fl\u00e1vio Xavier de Toledo.<\/p>\n<p>E ainda ganhei de presente um pequeno boton, desses que se usavam na lapela do palet\u00f3.<\/p>\n<p>Era da Ordem dos Velhos Jornalistas.<\/p>\n<p>(* Amanh\u00e3 continua&#8230;)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o vou lembrar o ano. Mas, faz tempo. N\u00e3o existia o S\u00e3o Google para consultas imediatas de terceiro grau. Ali\u00e1s, nem computadores havia nas reda\u00e7\u00f5es. Eram tempos da velha m\u00e1quina de escrever.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10967","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10967"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10967\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16957,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10967\/revisions\/16957"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}