{"id":10969,"date":"2008-05-11T00:00:00","date_gmt":"2008-05-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:11","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:11","slug":"velhos-jornalistas-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/velhos-jornalistas-parte-3\/","title":{"rendered":"Velhos jornalistas &#8211; Parte 3"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o faz tanto tempo assim. Mas, querem saber?  Estou abestalhado \u2013 mais do que o costumeiro, diga-se \u2013 de ver o jornalismo a ano-luz de dist\u00e2ncia do que apregoavam os velhos camaradas. Sei que prometi em post anterior n\u00e3o tocar no assunto \u2013 voc\u00eas j\u00e1 devem imaginar qual. Bem que tentei. Mas, me foi imposs\u00edvel. A gota d\u2019\u00e1gua aconteceu na noite de quarta-feira quando a pris\u00e3o do casal Nardoni (pois, \u00e9 vou falar do caso Isabella) se transformou num show de horrores. Muito em fun\u00e7\u00e3o de todo aparato montado pela Pol\u00edcia e outro tanto bem maior em fun\u00e7\u00e3o do estardalha\u00e7o que a m\u00eddia vem provocando \u2013 e inclui-se aqui at\u00e9 conceituados \u00f3rg\u00e3os de Imprensa e consagrados colegas jornalistas. A Globo, por exemplo, chegou a interromper a transmiss\u00e3o do jogo de futebol para registrar a cena dos dois indiciados sendo algemados. N\u00e3o bastasse. Fez-se ent\u00e3o uma persegui\u00e7\u00e3o, pelas ruas de S\u00e3o Paulo, \u00e0s viaturas policiais que levavam o pai e a madrasta da menina Isabella, brutalmente assassinada em fins de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>As cercanias do pr\u00e9dio, onde o casal estava abrigado, foram tomadas por uma multid\u00e3o de curiosos que se portava tal e qual uma plat\u00e9ia de audit\u00f3rio. Um espet\u00e1culo deprimente. Que, ali\u00e1s, continua ainda agora com rep\u00f3rteres, fot\u00f3grafos e cinegrafistas postados, em plant\u00e3o, diante das pris\u00f5es aonde os dois foram recolhidos \u201cpara novas not\u00edcias do caso Isabella\u201d. Tudo para alimentar a curiosidade m\u00f3rbida de parte da popula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m, \u00f3bvio, garantir boa audi\u00eancia e boas receitas aos ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Confesso. Fiquei constrangido ao ver uma estabanada rep\u00f3rter de TV tentar interceptar o trajeto da madrasta rumo \u00e0 viatura policial, com o microfone em punho. A mo\u00e7a foi jogada longe pela a\u00e7\u00e3o dos policiais que abriam caminho a trancos e barrancos. Fiquei a imaginar que tipo de entrevista ou de declara\u00e7\u00e3o a tal rep\u00f3rter pensou colher ali. Que informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica a acusada poderia lhe passar naquele instante de terror? \u00c8 certo que a jovem rep\u00f3rter televisiva foi pautada por algum editor ou chefe de reportagem. Ambos igualmente \u00e1vidos em transformar o fato jornal\u00edstico num grande evento para satisfazer as massas. <\/p>\n<p>Sei bem que Jornais e Jornalistas \u2013 e grafo de prop\u00f3sito em mai\u00fasculas \u2013 n\u00e3o s\u00e3o isentos de erros. Ao contr\u00e1rio. Vivemos no fio da navalha dos prazos de fechamentos da edi\u00e7\u00e3o, das press\u00f5es pol\u00edticas e editoriais \u2013 sim, porque o jornal tem um dono \u2013, dos interesses escusos \u00e0 atividade jornal\u00edstica. A Hist\u00f3ria da Imprensa esta recheada de casos assim a se lamentar. Para ficar em dois exemplos recentes \u2013 e amplamente debatidos \u2013, citemos o Caso da Escola Base e o Crime do Bar Bodega; ali\u00e1s, hist\u00f3rias de equ\u00edvocos bem pr\u00f3ximos aos que agora policiais e jornalistas cometem.<\/p>\n<p>O mais grave, por\u00e9m, \u00e9 que estamos cada vez mais sem controle do que estamos fazendo.<\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o do amigo Fl\u00e1vio anda cada vez mais esquecida. Por isso, vou repeti-la aqui:<\/p>\n<p>&#8212; A imprensa, filho, \u00e9 a express\u00e3o do pensamento social. Mas, nunca o jornalista pode ficar ref\u00e9m da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>(*Termino amanh\u00e3, prometo.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o faz tanto tempo assim. Mas, querem saber?  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