{"id":10970,"date":"2008-05-12T00:00:00","date_gmt":"2008-05-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:11","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:11","slug":"velhos-jornalistas-parte-4","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/velhos-jornalistas-parte-4\/","title":{"rendered":"Velhos jornalistas &#8211; Parte 4"},"content":{"rendered":"<p>Nas aulas de Hist\u00f3ria do Jornalismo Brasileiro, n\u00e3o resisto a provoca\u00e7\u00e3o perguntar aos estudantes: haveria espa\u00e7o hoje para o jornal Not\u00edcias Populares, que era assumidamente sensacionalista e voltado para as classes C e D? As respostas s\u00e3o sempre difusas \u2013 mas, na maioria, os futuros jornalistas dizem n\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de propor o debate, exibo um document\u00e1rio sobre o Not\u00edcias Populares que, nos anos 60, criou o discutido \u201cjornalismo fant\u00e1stico\u201d. O jornal ganhou notoriedade e fama por reportagens inveross\u00edmeis como o \u201cbeb\u00ea-diabo\u201d e o \u201cchupa-cabra\u201d. Mas, os velhos jornalistas, comandados pelo romeno Jean Mell\u00e9 e depois por Ebrahim Ramadan cuidavam para n\u00e3o colocar fontes e entrevistados a execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Ramadan, inclusive, usava de um recurso bastante engenhoso para \u2018manchetar\u2019. Fazia tr\u00eas ou quatro t\u00edtulos e fazia uma vota\u00e7\u00e3o junto aos cont\u00ednuos do jornal. O que vencesse ilustraria a primeira p\u00e1gina no dia seguinte, e em letras garrafais.<\/p>\n<p>Era um modo de estar em sintonia com os leitores, falar a l\u00edngua deles, respeit\u00e1-los \u2013 mas, n\u00e3o eram eles que determinavam o assunto a merecer destaque.  <\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 90, o NP passou por uma reformula\u00e7\u00e3o para enquadr\u00e1-lo aos novos tempos e tentar dar um equil\u00edbrio ao furor sensacionalista. Uma nova gera\u00e7\u00e3o de profissionais de Imprensa assumiu o comando. Durou pouco a fase de comedimento. Empolgada pelas boas tiragens, logo a rapaziada estava fazendo pior. Lembro que num dado momento do document\u00e1rio, a editora do NP, Laura Capriglione, faz um m\u00e9a-culpa e diz mais ou menos o seguinte:<\/p>\n<p>&#8212; Quando receb\u00edamos os boletins de tiragem, era uma festa na reda\u00e7\u00e3o. Sub\u00edamos nas mesas para comemorar. A\u00ed, na edi\u00e7\u00e3o seguinte, aument\u00e1vamos um tom acima na manchete. Carreg\u00e1vamos mesmo. Partimos com tudo para o bizarro e para o sexo. \u00c0s vezes, o jornal era s\u00f3 sexo mesmo&#8230;      <\/p>\n<p>Ou seja, o respeito pelo bom jornalismo \u2013 e conseq\u00fcentemente pelo leitor \u2013 foi para as cucuias&#8230;<\/p>\n<p>Na noite de domingo, o Fant\u00e1stico bateu o recorde de audi\u00eancia \u2013 algo em torno de 33 pontos de m\u00e9dia no Ibope e picos de 43 pontos nos 24 minutos que durou a entrevista, com Ana Carolina Oliveira, a m\u00e3e da menina Isabella. \u00c9 gente pra ded\u00e9u. Dizem que cada ponto equivale a 55, 5 mil domic\u00edlios, s\u00f3 na Grande S\u00e3o Paulo onde se realizou o levantamento&#8230;<\/p>\n<p>Imaginei os jornalistas do Fant\u00e1stico em cima das mesas a comemorar os bons \u00edndices de audi\u00eancia. Est\u00e3o ref\u00e9ns da opini\u00e3o p\u00fablica, longe, muito longe do bom jornalismo que apregoavam meus velhos camaradas.<\/p>\n<p>&#8212; A imprensa, filho, \u00e9 a express\u00e3o do pensamento social. Mas, nunca o jornalista pode ficar ref\u00e9m da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas aulas de Hist\u00f3ria do Jornalismo Brasileiro, n\u00e3o resisto a provoca\u00e7\u00e3o perguntar aos estudantes: haveria espa\u00e7o hoje para o jornal Not\u00edcias Populares, que era assumidamente sensacionalista e voltado para as classes C e D?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10970","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10970","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10970"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10970\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16954,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10970\/revisions\/16954"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}