{"id":10976,"date":"2008-05-18T00:00:00","date_gmt":"2008-05-18T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:10","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:10","slug":"as-tres-imagens","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/as-tres-imagens\/","title":{"rendered":"As tr\u00eas imagens"},"content":{"rendered":"<p>Ainda sobre a conversa de sexta que rendeu o post de ontem e, creio, o de hoje tamb\u00e9m. \u00c9 porque, a certa altura daquele papo, a Mayra fez uma abordagem interessante que me fez lembrar uma hist\u00f3ria antiga que eu vivi.<\/p>\n<p>Eu disse que prova do tal sincretismo religioso s\u00e3o os santos que s\u00e3o reverenciados no catolicismo e no candombl\u00e9. A estudante me interrompeu para esclarecer que, na verdade, s\u00e3o entidades diferentes. A representa\u00e7\u00e3o, sim, \u00e9 comum. S\u00e3o Jorge representa Ogum e Santa B\u00e1rbara \u00e9 (e n\u00e3o \u00e9) Ians\u00e3. <\/p>\n<p>Mas, h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No tempo da escravid\u00e3o, os negros eram obrigados a se converter ao catolicismo pelos senhores brancos. Que inclusive constru\u00edam capelas onde os escravos poderiam orar. No interior dessas igrejinhas, as imagens dos santos ocupavam a parte de cima dos altares. J\u00e1 as figuras representativas das cren\u00e7as que os negros trouxeram da \u00c1frica eram enterradas, em segredo, sob a base desses orat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Vem da\u00ed essa, digamos, fus\u00e3o.<\/p>\n<p>Vem da\u00ed tamb\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o do cat\u00f3lico rezar olhando para cima, invocando as b\u00ean\u00e7\u00e3os do santo que est\u00e1 sobre o altar. Enquanto isso, os seguidores do candombl\u00e9 e outras afro-religi\u00f5es oram sempre, contristados, olhando para o ch\u00e3o.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o da estudante, como disse, me trouxe a mente uma hist\u00f3ria que vivi l\u00e1 pelo in\u00edcio dos anos 90. N\u00e3o lembro por quais motivos, acabei indo a uma dessas sess\u00f5es de candombl\u00e9. N\u00e3o conhecia como a coisa toda funciona, por isso fiquei mais do que na minha. Havia uma dezena de pessoas ali. Gente de todas as idades e, diria, dos mais diversos segmentos sociais. O senhor incorporou n\u00e3o-sei-quem e depois outro \u201ccaboclo\u201d e mais outro e esses tais conversavam com as pessoas uma a uma. At\u00e9 que num dado momento o homem me chamou e disse se eu precisava de alguma coisa. Sim, porque eu estava ali por algum motivo que agora eu n\u00e3o lembro, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o vem ao causo.<\/p>\n<p>Eu me lembro claramente que, antes que eu respondesse, o tal \u201ccaboclo\u201d disse para eu olhar bem que sobre aquela mesa havia tr\u00eas est\u00e1tuas que me eram muito pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>A primeira foi simples reconhecer. <\/p>\n<p>S\u00e3o Jorge. Mesmo palmeirense at\u00e9 o \u00faltimo fio de cabelo, sou devoto do santo desde criancinha \u2013 ali\u00e1s, leiam a cr\u00f4nica Salve Jorge, postei em 23 de abril de 2007 e v\u00e3o entender melhor essa devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda? <\/p>\n<p>Ians\u00e3 que representa a Rainha dos Mares e, no catolicismo, \u00e9 Santa B\u00e1rbara. <\/p>\n<p>Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Nasci em 4 de dezembro, dia de Santa B\u00e1rbara.<\/p>\n<p>E a terceira&#8230;<\/p>\n<p>Pensei comigo mesmo: <\/p>\n<p>Peguei o cara. Nada a\u00ed tem a ver comigo.<\/p>\n<p>Olhei que olhei para o altar.<\/p>\n<p>De repente, me vi crian\u00e7a \u2013 quatro ou cinco anos \u2013 a brincar com uns carrinhos de pl\u00e1sticos. Eu os enfileirava no ch\u00e3o da sala da velha casa da rua Muniz de Souza. Fazia uma esp\u00e9cie de congestionamento. A\u00ed aparecia um boneco, sei l\u00e1 onde arranjei. Em minhas m\u00e3os se transformava no guarda de tr\u00e2nsito e rapidamente colocava ordem naquela bagun\u00e7a. O boneco vestia um terno amarelo, um chap\u00e9u e uma gravata vermelha. Tinha uma cara malandra. Eu o chamava de Jeremias.  <\/p>\n<p>Ali, na mesa, o terno era branco. O chap\u00e9u e a gravata vermelha. A mesma cara malandra. O chamam aqui de Z\u00e9 Pilintra.<\/p>\n<p>Eu, hein! N\u00e3o voltei mais l\u00e1 \u2013 e termino essa hist\u00f3ria por aqui&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda sobre a conversa de sexta que rendeu o post de ontem e, creio, o de hoje tamb\u00e9m. \u00c9 porque, a certa altura daquele papo, a Mayra fez uma abordagem interessante que me fez lembrar uma hist\u00f3ria antiga que eu vivi.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10976","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10976"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16947,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10976\/revisions\/16947"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}