{"id":10982,"date":"2008-05-22T00:00:00","date_gmt":"2008-05-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:50:09","modified_gmt":"2017-09-15T19:50:09","slug":"os-noveleiros-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-noveleiros-2\/","title":{"rendered":"Os noveleiros"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, no Dia do Abra\u00e7o, um naco de saudades me envolveu. Imaginei por imaginar que seria um dia e tanto na velha reda\u00e7\u00e3o assoalhada daquele jornal paulistano onde trabalhei em tempos idos e vividos&#8230;<\/p>\n<p>Pura nostalgia minha, eu sei.<\/p>\n<p>Mas o assunto ali n\u00e3o seria outro: a participa\u00e7\u00e3o da atriz Laura Cardoso no cap\u00edtulo de ontem em Duas Caras. Ela fez uma apari\u00e7\u00e3o de alguns minutos como m\u00e3e do tal Marconi Ferra\u00e7o (Dalton Vigh) e foi magn\u00edfica. Emocionante momento que deve entrar para qualquer antologia da teledramaturgia recente. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, diria que a cena do reencontro entre m\u00e3e e filho (Laura e Dalton) aos olhos comovidos do neto (o garoto Gabriel Sequeira) compensou as bobagens todas que o autor Agnaldo Silva alinhavou nas \u00faltimas semanas, muito provavelmente em conseq\u00fc\u00eancia do tal esticamento da telel\u00e1grimas. E, olhem, car\u00edssimos, que n\u00e3o foram poucas: a fala oca do discurso do Evil\u00e1zio (L\u00e1zaro Ramos), a crise de histeria nas ruas de Copacabana de Gioconda (Mar\u00edlia P\u00eara), os inexplic\u00e1veis mon\u00f3logos existenciais da chat\u00edssima C\u00e9lia Mara (Renata Sorrah), entre outras.<\/p>\n<p>Noveleiro, eu?<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o, meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores. Brasileiro, como voc\u00eas e todos n\u00f3s. De futebol e novela, n\u00e3o \u00e9 preciso ser fan\u00e1tico ou mesmo acompanhar todos os cap\u00edtulos para entender tudinho. Vacilou e l\u00e1 estamos n\u00f3s a dar nossos pitacos \u2013de relev\u00e2ncia transcendental \u2013 na escala\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o ou nas cenas dos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o deixar passar a oportunidade, registro: por mim, convocaria o grande S\u00e3o Marcos para os jogos da sele\u00e7\u00e3o e ampliaria a presen\u00e7a de Alzira (Fl\u00e1via Alessandra) e Andr\u00e9ia Bijou (D\u00e9bora Nascimento) na novela que deve acabar no in\u00edcio de junho. Depois, s\u00f3 Deus e os autores de novelas sabem quando as verei de novo.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Deus sabe o que faz. Os autores, eu diria, nem tanto. <\/p>\n<p>Seria mais ou menos assim que, nos idos daquela reda\u00e7\u00e3o assoalhada, o Nasci introduziria a tem\u00e1tica do dia ao noveleiro-mor Ismael Fernandes, dono da coluna \u2013 a de TV \u2013 mais lida do jornal. <\/p>\n<p>Vou apresenta-los. <\/p>\n<p>Nasci era o grande mestre; mais velho que n\u00f3s uma dezena de anos e uma not\u00e1vel experi\u00eancia como produtor da TV Record em seus \u00e1ureos tempos. O Isma era um apaixonado por novelas. S\u00f3 apaixonado, n\u00e3o. Sabia tudo. Tanto que escreveu uma obra ainda hoje fundamental para entender o g\u00eanero, o livro Mem\u00f3rias a Telenovela Brasileira, que teve quatro reedi\u00e7\u00f5es.  <\/p>\n<p>N\u00e3o era raro que ambos entrassem em rota de colis\u00e3o nas conversas. Mesmo concordando com o Ismael, o Nasci discordava s\u00f3 para dar pala e assunto e assim agitar o dia-a-dia em frente \u00e0s nossas Olivettis.<\/p>\n<p>&#8212; Falem o que quiserem. Ideologias \u00e0 parte, as novelas globais s\u00e3o imbat\u00edveis.<\/p>\n<p>O Ismael tratava de sair em defesa das outras emissoras.<\/p>\n<p>&#8212; Mas, esse monop\u00f3lio \u00e9 muito ruim para todos. Quem n\u00e3o est\u00e1 na Globo fica \u00e0 mingua.<\/p>\n<p>&#8212; Quem tem talento est\u00e1 l\u00e1, provocava o Nasci que sabia da amizade do Isma com diversos atores paulistanos, ligados ao SBT e eventualmente \u00e0 Band e \u00e0 Record. <\/p>\n<p>&#8212; Mas, Nasci, veja Fagundes, Tony Ramos, Lima Duarte, Eva Vilma, Luiz Gustavo, Denis Carvalho e tantos outros nomes de peso sa\u00edram da extinta TV Tupi.<\/p>\n<p>E por a\u00ed continuava a discuss\u00e3o expediente afora. Quando n\u00e3o, prosseguia naquele boteco que n\u00e3o mais existe entre a rua Bom Pastor e a rua Greenfeld. Ali, onde o Sacom\u00e3 torcia o rabo e o \u00f4nibus F\u00e1brica-Pinheiros fazia curva rangendo os ferros e bufando o motor, como a dizer que o tempo n\u00e3o p\u00e1ra no porto, n\u00e3o apita na curva, n\u00e3o espera ningu\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Antes de terminar, registro a saudade dos amigos que se foram e me permito fazer uma observa\u00e7\u00e3o. Os dois elogiariam a atua\u00e7\u00e3o de Laura Cardoso, a quem defendiam como uma das grandes atrizes da TV brasileira. S\u00f3 que o Nasci, aposto, diria:<\/p>\n<p>&#8212; Mas, a produ\u00e7\u00e3o da Globo foi perfeita. Valorizou ainda mais a interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o Ismael retrucaria:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o, concordo. Mesmo diante de uma &#8216;tapadeira&#8217; Laura Cardoso \u00e9 magn\u00edfica.<\/p>\n<p>E assim a pol\u00eamica continuava at\u00e9 que outro assunto entrasse em pauta. Mas, essa \u00e9 uma outra hist\u00f3ria que fica para uma pr\u00f3xima vez&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, no Dia do Abra\u00e7o, um naco de saudades me envolveu. 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