{"id":11000,"date":"2008-06-08T00:00:00","date_gmt":"2008-06-08T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:48:53","modified_gmt":"2017-09-15T19:48:53","slug":"barack-obama","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/barack-obama\/","title":{"rendered":"Barack Obama"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; O nome \u00e9 Barack Hussein Obama.<\/p>\n<p>Confesso. N\u00e3o me causou boa impress\u00e3o a primeira vez que ouvi falar o nome do atual candidato dos democratas \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos. Foi no come\u00e7o do ano passado ao assistir confer\u00eancia de um diplomata americano na universidade onde trabalho. A bem da verdade, vou ser sincero, estava \u00e0 deriva no idioma quando ouvi a refer\u00eancia. A int\u00e9rprete vacilara e atrasara alguns valiosos instantes a tradu\u00e7\u00e3o do que o homem nos falava. Resultado: fiquei mais perdido do que normalmente sou. <\/p>\n<p>O americano que nos visitava era um mulato alto, elegante num s\u00f3brio costume cinza. Falava pausadamente sobre um tema qualquer ligado ao ensino superior americano. Na hora em que se abriu o microfone \u00e0s perguntas da plat\u00e9ia, algu\u00e9m quis saber sobre o cen\u00e1rio pol\u00edtico para 2008, mais precisamente sobre a sucess\u00e3o de Bush. <\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 um candidato em que confio plenamente, disse o conferencista.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed entendi.<\/p>\n<p>&#8211; O nome \u00e9 Barack Hussein Obama.<\/p>\n<p>Aqui, eu me perdi.<\/p>\n<p>Misturei os nomes pela sonoridade. Imaginei que falava de Sadam Hussein e Osama Bin Laden, n\u00e3o atinei l\u00e9 com cr\u00e9 e conclui, por conta e risco, que t\u00e3o cedo a guerra do Iraque n\u00e3o teria fim &#8211; o que acho uma estupidez. <\/p>\n<p>O homem fez uma pausa, tipo suspense mesmo. A int\u00e9rprete aproveitou e p\u00f4s em dia a tradu\u00e7\u00e3o. Foi o tempo necess\u00e1rio para por fim \u00e0quela apreens\u00e3o, e dar lugar a outra. <\/p>\n<p>O diplomata \u2013 nem sei como devo cham\u00e1-lo, pois est\u00e1 afastado do cargo \u2013 retomou a palavra e caprichou no tom do enigma.<\/p>\n<p>&#8212; Senhores, temo n\u00e3o poder votar nele, mesmo se o Partido Democrata o escolher seu representante.<\/p>\n<p>E essa agora?<\/p>\n<p>Desisti de entender o que ele dizia em ingl\u00eas e deixei levar-me pacientemente pela tradu\u00e7\u00e3o. Que, ali\u00e1s, confirmou minhas suspeitas. Na verdade, bastou olhar ao redor para ver que a plat\u00e9ia estava t\u00e3o curiosa como eu com o encaminhar do tema pela conferencista. Certamente, todos ali sabiam mais do idioma yanque do que este desarvorado escriba. Desconfio, por\u00e9m: era a mesma a indaga\u00e7\u00e3o a batucar na cabe\u00e7a de cada um. U\u00e9, n\u00e3o pode votar por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Ele tratou de responder, com uma sinceridade que nos chocou.<\/p>\n<p>&#8212; Senhores, como eu, Barak Obama \u00e9 negro. Temo que possam vir a assassin\u00e1-lo se chegar \u00e0 presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim. Nem mais, nem menos. Nem l\u00e1grimas, nem ranger de dentes. O fino da sinceridade. Impressionou-me o tom de voz do homem. Era como se dissesse algo previs\u00edvel, que todos sab\u00edamos ou dever\u00edamos saber. Acrescentou qualquer coisa como \u2018a sociedade americana ainda n\u00e3o est\u00e1 preparada para ter um negro na Casa Branca\u2019 e singelamente passou \u00e0 pergunta de outro espectador.<\/p>\n<p>Hoje, recebi a revista Veja. O rosto de Obama, sorridente, cobre toda a capa. \u00c9 o candidato oficial do Partido Democrata \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos. A manchete \u00e9 perform\u00e1tica:<\/p>\n<p>ELE PODE<br \/>\nSER O HOMEM<br \/>\nMAIS<br \/>\nPODEROSO<br \/>\nDO MUNDO <\/p>\n<p>Lembro da palestra. E temo. Custo a crer nas palavras daquele diplomata, de cabelos brancos e uma vida de servi\u00e7os prestados ao seu pa\u00eds. No fundo, no fundo, preferia n\u00e3o t\u00ea-las ouvido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; O nome \u00e9 Barack Hussein Obama.<\/p>\n<p>Confesso. 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