{"id":11004,"date":"2008-06-12T00:00:00","date_gmt":"2008-06-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:48:46","modified_gmt":"2017-09-15T19:48:46","slug":"dia-da-marmota","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dia-da-marmota\/","title":{"rendered":"Dia da Marmota"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o me levem a mal, n\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas, vou lhes dizer:<\/p>\n<p>Gosto de lembrar os tempos de Reda\u00e7\u00e3o \u2013 as entrevistas, as reportagens, a correria, o \u2018fechamento\u2019, o recome\u00e7ar a cada nova edi\u00e7\u00e3o. No entanto, n\u00e3o tenho saudade daquela falta de rotina rotineira.<\/p>\n<p>\u00c9 porque indiferente do tamanho e express\u00e3o do ve\u00edculo \u2013 pode ser r\u00e1dio, TV, impresso; on line \u00e9 pior \u2013, toda Reda\u00e7\u00e3o tem l\u00e1 um jeit\u00e3o de o Dia da Marmota.  Ou seja, \u00e9 um repetir-se sem fim de expedientes, prazos, hor\u00e1rios e, acreditem, tem\u00e1ticas. Especialmente quando chegam as tais datas comemorativas como a de hoje, o Dia dos Namorados, sinto um enorme al\u00edvio de estar fora de jogo. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m merece. <\/p>\n<p>Todo santo ano bolar uma pauta diferente \u2013 que em ess\u00eancia \u00e9 sempre igual \u2013 para t\u00e3o retumbante assunto que, diga-se, se faz imprescind\u00edvel no notici\u00e1rio. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o l\u00e1 vai o desalentado rep\u00f3rter atr\u00e1s das novidades que nada t\u00eam de novo.<br \/>\nAntes, nas reuni\u00f5es de pauta, precisamos usar toda nossa imensa criatividade. <\/p>\n<p>O casal mais idoso, que tal?<\/p>\n<p>(N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o \u2013 algu\u00e9m grita, esperneia, com toda raz\u00e3o.)<\/p>\n<p>O mais jovem?<\/p>\n<p>(Todos ignoram.)<\/p>\n<p>Um jovem e outro mais passadinho?<\/p>\n<p>(Tamb\u00e9m n\u00e3o.)<\/p>\n<p>O executivo e a hiponga?<\/p>\n<p>(Horr\u00edvel.)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o inverso. A hiponga e o exe&#8230;<\/p>\n<p>(Nem d\u00e1 para terminar a frase)<\/p>\n<p>Uma id\u00e9ia. <\/p>\n<p>Focalizaremos os diferentes tipos de namoro. Como era, como \u00e9. A gente fala com terapeutas comportamentais, soci\u00f3logos, psic\u00f3logos e todos os \u201c\u00f3logos\u201d poss\u00edveis e imagin\u00e1veis.<\/p>\n<p>(Tive um editor que nos proibiu de entrevist\u00e1-los. \u201c\u00c9 sempre o mesmo qu\u00e1squ\u00e1squ\u00e1s\u201d, dizia. \u201cVivem no melhor dos mundos, n\u00e3o precisam provar nada e entendem de tudo \u2013 de arte, pol\u00edtica, cultura e da transcend\u00eancia do ludop\u00e9dio na alma do brasileiro.\u201d)<\/p>\n<p>Pois \u00e9&#8230;<\/p>\n<p>Depois de mil e uma id\u00e9ias, acertava-se um caminho e se acrescentava a inevit\u00e1vel sugest\u00e3o de presentes. A\u00ed era outra rusga, mas com o departamento comercial&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Vamos privilegiar nossos anunciantes, por favor.<\/p>\n<p>Imaginem o bate-boca entre editor e diretor comercial!<\/p>\n<p>Ah, quase esqueci o principal: a cobertura do movimento nos shoppings e na rua 25 de Mar\u00e7o, com as incipientes entrevistas com os consumidores de diferentes classes sociais. <\/p>\n<p>Algu\u00e9m j\u00e1 leu, ouviu ou viu qualquer coisa assim?<\/p>\n<p>Mas, enfim, n\u00e3o h\u00e1 mal que sempre dure ou bem que nunca acabe. <\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o na rua. O Dia dos Namorados j\u00e1 era&#8230;  A\u00eds, vinham as f\u00e9rias de julho, o Dia dos Pais, o Dia das Crian\u00e7as (que gracinha a reportagem com os \u201canjinhos\u201d), o Dia de Finados, as compras de fim de ano, o Natal, o fim de ano, o ver\u00e3o, o carnaval (para todo sambista, a escola dele \u00e9 campe\u00e3), a apura\u00e7\u00e3o de carnaval, a P\u00e1scoa, o Dia das M\u00e3es, o Dia dos Namorados&#8230;<\/p>\n<p>Isto quando n\u00e3o \u00e9 ano de elei\u00e7\u00e3o, copa do mundo, pan-americano, olimp\u00edadas&#8230;<\/p>\n<p>\u2022 Nota do Autor:<\/p>\n<p>Se algum leitor quiser entender melhor esse cotidiano, uma boa sugest\u00e3o \u00e9 assistir a um filme antigo, chamado Feiti\u00e7o do Tempo. Foi da\u00ed que extra\u00ed o termo Dia da Marmota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o me levem a mal, n\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas, vou lhes dizer:<\/p>\n<p>Gosto de lembrar os tempos de Reda\u00e7\u00e3o \u2013 as entrevistas, as reportagens, a correria, o \u2018fechamento\u2019, o recome\u00e7ar a cada nova edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11004","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11004"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11004\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16922,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11004\/revisions\/16922"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}