{"id":11045,"date":"2008-08-02T00:00:00","date_gmt":"2008-08-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:48:41","modified_gmt":"2017-09-15T19:48:41","slug":"lendas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/lendas\/","title":{"rendered":"Lendas"},"content":{"rendered":"<p>Duas lendas que ouvia pelas ruas do Cambuci. Diria que merecem cr\u00e9dito relativo \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o de cada um dos nobres leitores. Tamb\u00e9m \u00e0 credibilidade das lembran\u00e7as do menino que fui e do cronista inofensivo e sonhador que ainda sou&#8230;<\/p>\n<p>A primeira delas diz respeito ao pintor Volpi. O pai e os amigos contavam essa hist\u00f3ria e riam que riam nas noitadas do Bar Ast\u00f3ria. <\/p>\n<p>Eu ria tamb\u00e9m, mas, confesso, n\u00e3o achava tanta gra\u00e7a assim. <\/p>\n<p>Segundo eles, o artista distribu\u00eda retalhos de suas pinturas para a garotada que brincava no parque repleto de jardins que existia em frente a sua casa. Trapinhos coloridos em que experimentava formas e cores que redundariam mais tarde em suas c\u00e9lebres \u2018bandeirinhas\u2019. Sem entender o valor e a import\u00e2ncia daqueles pequenos ret\u00e2ngulos, houve m\u00e3e de menino que proibiu o filho de colecion\u00e1-los \u2013 \u00e0 \u00e9poca, anos 50 e 60, era moda ter uma cole\u00e7\u00e3o de qualquer coisa. Valia desde tampinha de refrigerante \u00e0 carteira de cigarros, sem falar, dos \u00e1lbuns de figurinhas \u2013 ou mesmo, numa atitude mais extrema, levar aquele \u201clixo\u201d para a casa.<\/p>\n<p>A outra \u201clenda\u201d tem como protagonista o saudoso Toninho, um dos fundadores do grupo Dem\u00f4nios da Garoa. Ex-motorista de pra\u00e7a, como o meu tio Ninim, de quem ouvi a hist\u00f3ria, Toninho morava na Mooca, mas quando garoto estudava na escola do outro lado do rio Tamanduate\u00ed, ali nas imedia\u00e7\u00f5es da rua Ana Nery.<\/p>\n<p>Numa bela manh\u00e3, ao sair das aulas, ele ouviu a triste not\u00edcia:<\/p>\n<p>NO DIA SEGUINTE O MUNDO IRIA ACABAR.<\/p>\n<p>Foi o que disse um adivinho famoso. Algu\u00e9m ouviu no r\u00e1dio e tratou de espalhar. Era melhor, ent\u00e3o, apressar o passo e chegar logo em casa para ver a m\u00e3e, o pai, os irm\u00e3os. Antes, por\u00e9m, parou no emp\u00f3rio onde a fam\u00edlia tinha conta e se entupiu de pa\u00e7oquinha e guaran\u00e1. <\/p>\n<p>Afogou as m\u00e1goas. Que chegou em casa passando mal.<\/p>\n<p>No dia seguinte, Toninho n\u00e3o imaginava o cataclisma que o esperava.<\/p>\n<p>O mundo n\u00e3o acabou. E ele teve que enfrentar a f\u00faria do pai, com o cinto na m\u00e3o, a lhe pedir explica\u00e7\u00f5es sobre a conta que deixou na venda&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas lendas que ouvia pelas ruas do Cambuci. Diria que merecem cr\u00e9dito relativo \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o de cada um dos nobres leitores. Tamb\u00e9m \u00e0 credibilidade das lembran\u00e7as do menino que fui e do cronista inofensivo e sonhador que ainda sou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11045","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11045"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11045\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16886,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11045\/revisions\/16886"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}