{"id":11055,"date":"2008-08-12T00:00:00","date_gmt":"2008-08-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:48:31","modified_gmt":"2017-09-15T19:48:31","slug":"benjor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/benjor\/","title":{"rendered":"Benjor"},"content":{"rendered":"<p>Benjor nasceu em 1989, por a\u00ed.<\/p>\n<p>Quer dizer, o personagem.<\/p>\n<p>O not\u00e1vel cantor e compositor, Jorge Du\u00edlio Lima de Menezes, nasceu um tantinho antes. Entre 1942 e 1943, no subdistrito de Rio Comprido, no Rio de Janeiro. Em mar\u00e7o&#8230; ou dezembro.<\/p>\n<p>Explica-se tanta imprecis\u00e3o. <\/p>\n<p>Este \u00e9 um assunto proibido para o festejado autor de \u201cMas Que Nada\u201d, \u201cQue Maravilha\u201d e tantas mais.  Diz que seu tempo \u00e9 hoje e tem muita lenha pra queimar, essas coisas. <\/p>\n<p>A entrevista pode terminar antes, se ousamos tocar no assunto&#8230;<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, um dia, eu conto o au\u00ea que foi a grava\u00e7\u00e3o do ac\u00fastico da MTV, mais ou menos por esse motivo. <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 60, quando fundiu o samba \u00e0 bossa-nova e inventou a negritude, esse ex-ponta direita do juvenil do Flamengo assumiu o codinome art\u00edstico de Jorge Ben. Como esclareceu na ocasi\u00e3o, Ben era o sobrenome et\u00edope do seu av\u00f4 por parte de m\u00e3e.<\/p>\n<p>Com quase 30 anos de uma s\u00f3lida carreira, nos idos de 1989, o homem reapareceu ap\u00f3s uma viagem \u00e0 \u00c1frica e se apresentou a n\u00f3s, rep\u00f3rteres, como Jorge Ben Jor. Era terceira ou quarta vez que eu participava de uma entrevista com a fera, sempre simp\u00e1tico e sol\u00edcito, desde que n\u00e3o se toque no assunto \u201cidade\u201d.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o sou \u2018man\u00e9\u2019 de perder a fonte, sempre fiquei na minha&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, ele me pareceu rejuvenescido. N\u00e3o tirou os \u00f3culos escuros \u2013 disse que foi recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica &#8212; e explicou a mudan\u00e7a de nome, com uma hist\u00f3ria que, a mim, pareceu pouco convincente. <\/p>\n<p>Na M\u00e3e \u00c1frica, encantou-se com a lenda de um guerreiro africano que tinha esse nome e ele resolveu homenage\u00e1-lo.<\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>Algu\u00e9m resolveu falar em numerologia\u2026<\/p>\n<p>Ben Jor insistiu na conversa do guerreiro. Falou tamb\u00e9m que era um recurso da editora de suas m\u00fasicas no Exterior. Porque muitas vezes, pela sonoridade, seu nome era confundido com o do guitarrista americano George Benson \u2013 e os direitos autorais acabavam indo para a conta banc\u00e1ria de Benson.<\/p>\n<p>Boa pra\u00e7a do jeito que Jorge \u00e9, os rep\u00f3rteres esqueceram da quest\u00e3o e tocaram a conversa sobre o disco, muito adequadamente intitulado \u201cBen Jor\u201d.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Numerologia \u00e0 parte, esse disco \u2013 especialmente o hit \u201cW\/Brasil\u201d \u2013 marcou o reaparecimento de Jorge Ben Jor para a m\u00eddia. Conquistou toda uma leva de f\u00e3s que n\u00e3o tinham mais do que 20 anos \u2013 meu filho e sua turma, inclusive. E diria que foi quase um pren\u00fancio da explos\u00e3o dan\u00e7ante do \u2018ax\u00e9-music\u2019. Com a elei\u00e7\u00e3o de Collor presidente, O Pa\u00eds viveu um per\u00edodo de baixo-astral, emblematicamente representados pelos breganejos e afins.<\/p>\n<p>A alquimia dan\u00e7ante de Benjor era uma benfazeja exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Mais tarde, seu nome sofreu outra altera\u00e7\u00e3o: reduziu-se para Benjor. <\/p>\n<p>Foi mais ou menos por essa \u00e9poca que fiquei sabendo do real motivo da mudan\u00e7a. Nem guerreiro africano, nem numerologia; nada a ver com Benson. <\/p>\n<p>Simples de tudo.<\/p>\n<p>Durante muitos anos, Ben pertenceu ao cast de artistas da Philips. Nos anos 80, migrou seu baticum para a Som Livre e depois para a Warner, onde houve a transforma\u00e7\u00e3o. Um dos homens de marketing da gravadora teve a percep\u00e7\u00e3o que, embora os shows do ent\u00e3o Jorge Ben estivessem sempre lotados, os discos lan\u00e7ados n\u00e3o alcan\u00e7avam grandes vendagens. Fez-se uma pesquisa e se verificou o \u00f3bvio. Toda vez que sa\u00eda um \u00e1lbum de in\u00e9ditas, a Philips lan\u00e7ava uma colet\u00e2nea reunindo m\u00fasicas das diversas fases do cantor\/compositor. Acrescentava um ou dois grandes sucessos e confundia o consumidor&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se a mudan\u00e7a sanou o problema. Mas, foi uma bela jogada mercadol\u00f3gica&#8230;<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Por que lhes contei essa hist\u00f3ria?<\/p>\n<p>N\u00e3o sei exatamente. Talvez porque uma das minhas sobrinhas disse ontem que foi numa \u201cbaladinha legal, de samba-rock\u201d. E, pela mil\u00e9sima vez, eu tive que lhes explicar que samba-rock n\u00e3o existe. Existe apenas Benjor, primeiro e \u00fanico. Os demais s\u00e3o c\u00f3pias mal impressas. A repetir suas letras, suas musas, o time do cora\u00e7\u00e3o e a inconfund\u00edvel levada&#8230;  Pior: alguns s\u00e3o c\u00f3pias das c\u00f3pias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Benjor nasceu em 1989, por a\u00ed.<\/p>\n<p>Quer dizer, o personagem.<\/p>\n<p>O not\u00e1vel cantor e compositor, Jorge Du\u00edlio Lima de Menezes, nasceu um tantinho antes. 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