{"id":11071,"date":"2008-08-22T00:00:00","date_gmt":"2008-08-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:48:30","modified_gmt":"2017-09-15T19:48:30","slug":"historias-da-imprensa-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/historias-da-imprensa-2\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias da Imprensa (2)"},"content":{"rendered":"<p>\u201cDiferentemente do que publicamos ontem<br \/>\nna primeira p\u00e1gina deste jornal, Jesus Cristo<br \/>\nn\u00e3o morreu enforcado, e sim crucificado&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Faz algum tempo, \u00e9 bem verdade. Mas, a retifica\u00e7\u00e3o, pelos rigores do Manual de Reda\u00e7\u00e3o do prestigioso jornal paulistano, precisou ser feita na se\u00e7\u00e3o pertinente, real\u00e7ando ainda mais o erro crasso que cometeu um de seus promissores rep\u00f3rteres.<\/p>\n<p>Errar \u00e9 humano. Imagina-se que jornalistas sejam da esp\u00e9cie humana. Portanto, jornalistas erram \u2013 mas, nem todos reconhecem ou admitem a falha.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o vamos \u201cenforc\u00e1-lo\u201d \u2013 ou melhor, \u201ccrucific\u00e1-lo\u201d por isso. <\/p>\n<p>Tanto que, agora em outro di\u00e1rio, o mo\u00e7o ocupa cargo de chefia e tudo mais. <\/p>\n<p>No entanto, nas rodas de jornalistas, sempre que se fala do tal, algu\u00e9m sempre acrescenta:<\/p>\n<p>&#8212; Fulano, aquele que enforcou Jesus Cristo na primeira p\u00e1gina do jornal tal&#8230;<\/p>\n<p>Ontem, disse que os jornalistas t\u00eam l\u00e1 suas estranhezas. Hoje, eu acrescento que, por vezes, temos um humor ferino, pr\u00f3prio aos que se imaginam infal\u00edveis.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que tamb\u00e9m j\u00e1 cometi meus erros (toc, toc, toc, melhor bater na madeira) \u2013 e n\u00e3o foram poucos.<\/p>\n<p>Certa vez, fui chamado para editar um jornal de bairro que circulava na Vila Mariana. Vivia numa correria danada atr\u00e1s do vil metal. Trabalhava na Gazeta do Ipiranga e fazia frilas em mil lugares. Este seria um a mais \u2013 aceitei logo. <\/p>\n<p>\u00c0 tarde entrevistei o cantor\/compositor Alceu Valen\u00e7a para uma revista Express\u00e3o Musical, nome horr\u00edvel.  Mas, valeu o papo com o pernambucano. Ele me falou maravilhas sobre o \u201crei\u201d da embolada, Manequinho Ara\u00fajo. Lembrava do Manequinho de meus tempos de crian\u00e7a, com seu jeito engra\u00e7ado de cantar r\u00e1pido como conv\u00e9m ao g\u00eanero tipicamente nordestino. Fiquei encantado.<\/p>\n<p>Da entrevista fui direto para a Reda\u00e7\u00e3o do tal jornal. Chamava-se A Cidade de S\u00e3o Paulo \u2013 O Jornal. Cheguei, tomei um caf\u00e9 e as mat\u00e9rias da primeira p\u00e1gina j\u00e1 me esperavam para ser diagramadas. <\/p>\n<p>O texto mais interessante \u2013 e que manchetaria a edi\u00e7\u00e3o \u2013 era as reformas que estavam sendo feitas no Viveiro Manequinho L\u00f3pez, que cuida ainda hoje das plantas e flores do Parque Ibirapuera e de boa parte da cidade. Era setembro e a edi\u00e7\u00e3o tinha uma mat\u00e9ria especial sobre a chegada da primavera. <\/p>\n<p>N\u00e3o tive d\u00favidas, tasquei em letras garrafais.<\/p>\n<p>PRIMAVERA. BOM MOTIVO<br \/>\nPARA VISITAR O VIVEIRO<br \/>\nMANEQUINHO ARA\u00daJO<\/p>\n<p>Foi assim que o jornal foi para a rua \u2013 e eu tamb\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Me demiti \u2013 e nem apareci para receber a grana que na fiz por merecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDiferentemente do que publicamos ontem<br \/>\nna primeira p\u00e1gina deste jornal, Jesus Cristo<br \/>\nn\u00e3o morreu enforcado, e sim crucificado&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Faz algum tempo, \u00e9 bem verdade. 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