{"id":11075,"date":"2008-08-26T00:00:00","date_gmt":"2008-08-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:48:30","modified_gmt":"2017-09-15T19:48:30","slug":"nome-e-sobrenome","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/nome-e-sobrenome\/","title":{"rendered":"Nome e sobrenome"},"content":{"rendered":"<p>Marques era um craque com aquele John Fabber na m\u00e3o. Escrev\u00edamos \u00e0 m\u00e1quina em laudas de 20 linhas e 70 toques de margem a margem, espa\u00e7o quatro. Com letra caprichada, ele corrigia nossos textos de rep\u00f3rteres iniciantes com habilidade tal que no dia seguinte, quando os v\u00edamos publicados no jornal, nem acredit\u00e1vamos que eram nossos.<\/p>\n<p>Como disse em algum texto anterior, Tonico Marques foi o primeiro editor com quem trabalhei, e um professor inesquec\u00edvel. V\u00ea-lo coppydescar nossas reportagens era uma aula de bom jornalismo. Melhor ainda era o senso de humor e o didatismo da suas brincadeiras com nossos erros mais comuns.<\/p>\n<p>Foi com ele que alguns dos nossos \u2013 eu, inclusive \u2013 aprenderam a diferenciar mau com u de mal com l. Para tanto, bastou uma sucess\u00e3o de cartazes espalhados pela reda\u00e7\u00e3o com o emprego correto das palavras. <\/p>\n<p>Marques nos ensinava os macetes do texto jornal\u00edstico \u2013 e enfatizava que n\u00e3o dev\u00edamos sair por a\u00ed ensinando a f\u00f3rmula m\u00e1gica do lead e da \u2018pir\u00e2mide invertida\u2019 porque sen\u00e3o \u201cos leitores v\u00e3o perceber que n\u00e3o h\u00e1 segredo no texto dos jornais\u201d.<\/p>\n<p>&#8212; E acabaremos sem emprego.<\/p>\n<p>Aprendi com o veterano jornalista que se deve usar o sobrenome quando a fonte for do sexo masculino. Primeiro se grafa o nome por inteiro, depois vai se alterando o uso do nome e da fun\u00e7\u00e3o ou alguma caracter\u00edstica marcante do indiv\u00edduo em quest\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma regra inflex\u00edvel. Mas, \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Nomes de homem s\u00e3o quase todos iguais. Jo\u00e3o, Ant\u00f4nio, Jos\u00e9, Paulo. De repente, na mesma mat\u00e9ria, voc\u00ea pode ter dois Ant\u00f4nio. Ent\u00e3o, o cuidado de usar o sobrenome evita confus\u00e3o \u2013 dizia ele.<\/p>\n<p>Era o que devia ter feito quando entrevistei Natal Saliba, um dos membros da cl\u00e3 dos Salibas com grande influ\u00eancia nas entidades representativas do Ipiranga. Fiz uma longa reportagem sobre o campeonato metropolitano de futebol, uma proposta do abnegado esportista que Natal sempre foi. <\/p>\n<p>Jornal nas ruas. A mat\u00e9ria teve boa repercuss\u00e3o. Era uma id\u00e9ia \u00f3tima para a d\u00e9cada de 70. Recuperava times tradicionais de S\u00e3o Paulo \u2013 Ypiranga, Nacional, Juventus, Comercial da Capital, Portuguesa \u2013 al\u00e9m de contar com a participa\u00e7\u00e3o do trio de ferro (Palmeiras, Corinthians e S\u00e3o Paulo que poderiam jogar com time de aspirantes e assim revelar novos valores), o Santos e o Jabaquara, equipes da Baixada Santista, mas que s\u00e3o parte da hist\u00f3ria do futebol paulista.<\/p>\n<p>Encontrei o Natal na Lanchonete do seo Osvaldo, ali na Bom Pastor, e fui logo lhe perguntando:<\/p>\n<p>&#8212; E a\u00ed Saliba gostou da reportagem?<\/p>\n<p>E ele, entre uma dentada e outra no saboroso hamb\u00farguer, foi at\u00e9 generoso. Mas, n\u00e3o deixou de fazer o reparo:<\/p>\n<p>&#8212; Ficou \u00f3tima. Era exatamente o que eu queria dizer. S\u00f3 teve um por\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8212; Qual? \u2013 perguntei ao pressentir algum vacilo.<\/p>\n<p>&#8212; No texto, voc\u00ea me chamou o tempo todo de Michel. Michel Saliba \u00e9 meu irm\u00e3o, aquele que lhe apresentei no dia da entrevista. Lembra?<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje n\u00e3o esqueci, como bem prova esse post. Outro da s\u00e9rie que reverencia os 200 anos da imprensa no Brasil&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marques era um craque com aquele John Fabber na m\u00e3o. Escrev\u00edamos \u00e0 m\u00e1quina em laudas de 20 linhas e 70 toques de margem a margem, espa\u00e7o quatro. Com letra caprichada, ele corrigia nossos textos de rep\u00f3rteres iniciantes com habilidade tal que no dia seguinte,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11075"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11075\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16859,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11075\/revisions\/16859"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}