{"id":11083,"date":"2008-09-02T00:00:00","date_gmt":"2008-09-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:47:26","modified_gmt":"2017-09-15T19:47:26","slug":"dabliu-dada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dabliu-dada\/","title":{"rendered":"Dabliu, dada&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Anota\u00e7\u00f5es para a tese de doutorado em Psicologia Comportamental, cujo tema \u00e9 \u201cMulheres Que Amam Demais\u201d. Observa\u00e7\u00f5es feitas a partir do meu dia-a-dia como taxista e psic\u00f3logo: <\/p>\n<p>Desconfio &#8212; mas, n\u00e3o falo abertamente com minhas clientes porque n\u00e3o tenho comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e eticamente n\u00e3o quero induzi-las. Desconfio que n\u00e3o existe relacionamento perfeito nos moldes como prop\u00f5e a sociedade. N\u00e3o sei porque me veio a imagem daquele televisor que tinha um v\u00eddeo-cassete acoplado. Dois em um, lembram? Hoje est\u00e1 obsoleto, esquecido e abandonado. Pode funcionar a TV, mas o v\u00eddeo&#8230; Ser\u00e1 que os tais \u2018amores perfeitos\u2019 n\u00e3o repetem esse paradigma. Ali\u00e1s, outro exemplo, a f\u00f3rmula \u2018dois em um\u2019 n\u00e3o funciona nem  para o meu r\u00e1dio-rel\u00f3gio que, vira e mexe, desanda um ou desanda outro. Imagine para seres humanos que s\u00e3o unos e indivis\u00edveis e, enquanto vivem, sonham. Sonham e querem mais. E se o parceiro(a) n\u00e3o quiser tamb\u00e9m? Pergunto a mim mesmo: e se o segundo n\u00e3o quiser o que o primeiro quer? Est\u00e1 errado? Penso que n\u00e3o. Mas, n\u00e3o vou emitir conceitos. \u00c9 por a\u00ed&#8230; Como taxista, conhe\u00e7o S\u00e3o Paulo na palma da m\u00e3o. Mas, s\u00f3 acredito no caminho na medida em que passo porque preciso chegar a determinado lugar. Depois, ele desaparece. Fica l\u00e1 com seus congestionamentos. Amamos algu\u00e9m e desamamos com igual intensidade \u2013 e sem raz\u00f5es l\u00f3gicas. Ontem, uma paciente me disse que estava \u2018navegando\u2019 em seu notebook e, sem querer, abriu uma foto do ex. Coisa recente at\u00e9, com quem conviveu ano e meio e que chamou de \u201cpaix\u00e3o tresloucada\u201d. Foi como se visse um estranho. Deletou o arquivo porque seria, como ela mesma enfatizou, \u201cbizarro guardar a foto de algu\u00e9m que hoje n\u00e3o conhece\u201d. Algo que descolou na mo\u00e7a. J\u00e1 ouvi coisas semelhantes de outras pessoas. Uma que preferiu mudar de cal\u00e7ada para evitar um reencontro com um &quot;desconhecido conhecido&quot;. Outra que ainda deleta os emails da antiga paix\u00e3o sem ler porque n\u00e3o tem o que lhe responder. E aquela que, mesmo olhando para o \u2018amoreco\u2019 e ainda o chamando de \u2018m\u00f4\u00f4\u00f4r\u201d, viu que nada mais v\u00ea nele. S\u00f3 n\u00e3o sabe como se livrar do estrop\u00edcio. Muitas reconheceram que foram, elas pr\u00f3prias, protagonistas de foras desse tipo por parte dos homens. Hoje, falam &quot;na boa&quot;, mas na ocasi\u00e3o queriam &quot;matar ou morrer&quot;. <\/p>\n<p>\u00c9 como diz o Jo\u00e3o Bosco naquela can\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>O amor quando acontece<br \/>\na gente esquece logo<br \/>\nque sofreu um dia.<br \/>\nEsquece sim. <\/p>\n<p>Quem mandou chegar t\u00e3o perto<br \/>\nse era certo um novo engano,<br \/>\ncora\u00e7\u00e3o cigano.<br \/>\nAgora eu choro assim.<\/p>\n<p>O resto, conclui o int\u00e9prete, \u00e9: <\/p>\n<p>Dabliu,<br \/>\ndabliu,<br \/>\ndabliu,<br \/>\ndada&#8230;<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, pensando bem, a vida n\u00e3o passa de um ritmado \u201cdabliu, dada.\u201d <\/p>\n<p>Ai, daquele que n\u00e3o souber dan\u00e7ar a dan\u00e7a.<\/p>\n<p>E tenho dito.<\/p>\n<p>(Nicola, taxista e psic\u00f3logo)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anota\u00e7\u00f5es para a tese de doutorado em Psicologia Comportamental, cujo tema \u00e9 \u201cMulheres Que Amam Demais\u201d. 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