{"id":11100,"date":"2008-09-18T00:00:00","date_gmt":"2008-09-18T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:47:24","modified_gmt":"2017-09-15T19:47:24","slug":"diaferia-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/diaferia-2\/","title":{"rendered":"Diaf\u00e9ria (2)"},"content":{"rendered":"<p>L\u00e1 no mais antigo dos anos, a amiga Leila Kiyomura  entrevistou Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria que, ent\u00e3o, visitava a Biblioteca do Ipiranga. <\/p>\n<p>Logo na primeira resposta o renomado jornalista quis deixar a jovem rep\u00f3rter \u00e0 vontade:<\/p>\n<p>&#8212; Sou um garoto do Br\u00e1s&#8230;<\/p>\n<p>Ontem, quando comentei a morte do cronista de S\u00e3o Paulo, Leila se disse triste. Lembrou a entrevista e poeticamente completou:<\/p>\n<p>&#8212; Bom garoto&#8230; Daqueles que n\u00e3o existem mais.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O Marco Ant\u00f4nio Rodrigues nem sempre ia \u00e0s aulas. <\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m n\u00e3o figurava entre os mais ass\u00edduos.<\/p>\n<p>O Marc\u00e3o era, dos meus parceiros de sala, um dos mais bem sucedidos. N\u00e3o estava formado e j\u00e1 trabalhava na Editoria de Esportes da Folha. <\/p>\n<p>Quando nos encontr\u00e1vamos nos corredores da ECA\/USP, eu lhe pedia carona para voltar ao Ipiranga. Ele namorava uma menina que morava perto de casa, na rua Bom Pasto, e quase sempre ia filar a b\u00f3ia na casa da sogra.<\/p>\n<p>D\u00e1 para entender. O Marc\u00e3o veio de Araraquara e morava em uma \u201crep\u00fablica\u201d s\u00f3 de marmanjos. A comida n\u00e3o devia ser l\u00e1 aquelas coisas.<\/p>\n<p>No trajeto da Cidade Universit\u00e1ria at\u00e9 as imedia\u00e7\u00f5es do Museu do Ipiranga, fal\u00e1vamos quase sempre de futebol. Mas, eu gostava mesmo de ouvi-lo contar sobre o dia-a-dia na Reda\u00e7\u00e3o. Gostava mais ainda quando o assunto eram os textos de Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria.<\/p>\n<p>&#8212; O cara escreve pra caramba, dizia.<\/p>\n<p>E eu balan\u00e7ava a cabe\u00e7a, admirado.<\/p>\n<p>&#8212; A gente n\u00e3o sabe de onde saem as palavras e as hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>E eu balan\u00e7ava a cabe\u00e7a a imaginar o toc-toc-toc da m\u00e1quina de escrever do not\u00e1vel cronista.<\/p>\n<p>&#8212; Tem dia que ele diz estar sem assunto. Vai at\u00e9 a padoca, toma um caf\u00e9 com uns caras que est\u00e3o por ali e volta com a hist\u00f3ria pronta&#8230;<\/p>\n<p>E eu balan\u00e7ava a cabe\u00e7a a imaginar um dia escrever como Diaf\u00e9ria.<\/p>\n<p>Diaf\u00e9ria \u00e9 da nobre linhagem dos imortais Rubem Braga, Drummond, Paulo Mendes Campos, S\u00e9rgio Porto, Vin\u00edcius, Fernando Sabino, Pl\u00ednio Marcos&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Como voc\u00eas j\u00e1 devem ter percebido, sempre fui um pouco sonhador&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; E outro tanto sem no\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1 no mais antigo dos anos, a amiga Leila Kiyomura  entrevistou Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria que, ent\u00e3o, visitava a Biblioteca do Ipiranga. <\/p>\n<p>Logo na primeira resposta o renomado jornalista quis deixar a jovem rep\u00f3rter \u00e0 vontade:<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11100","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11100"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11100\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16835,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11100\/revisions\/16835"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}