{"id":11101,"date":"2008-09-19T00:00:00","date_gmt":"2008-09-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:47:24","modified_gmt":"2017-09-15T19:47:24","slug":"pausa-para-o-cafe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/pausa-para-o-cafe\/","title":{"rendered":"Pausa para o caf\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Um h\u00e1bito meu. <\/p>\n<p>\u00c0s sextas-feiras, ali pela meio da tarde, dou uma escapada da Coordena\u00e7\u00e3o para pegar um dinheiro no Caixa Eletr\u00f4nico para me salvar no fim de semana. Aproveito para tomar um caf\u00e9, num das filiais da Casa do P\u00e3o de Queijo.<\/p>\n<p>Jogo r\u00e1pido, estou de volta ao trabalho.<\/p>\n<p>Fiz isso hoje. Mas, sei l\u00e1 porque raz\u00e3o, dei de cantarolar baixinho uma m\u00fasica qualquer. Que, ali\u00e1s, nem lembro. <\/p>\n<p>A mo\u00e7a do balc\u00e3o \u2013 eu diria inconscientemente \u2013  passou a fazer coro comigo.<\/p>\n<p>(Por sorte, o local estava vazio&#8230;)<\/p>\n<p>S\u00f3 que ela se p\u00f4s a cantar um samba de Candeia que fez um baita sucesso na voz de Clara Nunes:<\/p>\n<p>O mar serenou<br \/>\nQuando ela pisou<br \/>\nNa areia&#8230;<\/p>\n<p>Fiquei sem gra\u00e7a. E vi que nem reparara em mim.<\/p>\n<p>Estava \u00e0 vontade com seus pensamentos e o samba.<\/p>\n<p>Quem samba<br \/>\nNa beira do mar<br \/>\n\u00c9 sereia&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Grande, Clara Nunes, eu disse assim que ela se aproximou com o caf\u00e9.<\/p>\n<p>Ela sorriu, algo desconsertada, porque percebeu que eu a ouvi.<\/p>\n<p>A\u00ed foi a minha vez de \u2018viajar\u2019 em voz alta.<\/p>\n<p>&#8212; Com essa m\u00fasica Clara Nunes vendeu centenas de milhares de discos que, \u00e0quela \u00e9poca, chamavam-se elep\u00eas e quebrou um tabu na m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p>&#8212; Como assim? <\/p>\n<p>Antes de responder a mo\u00e7a, vou me explicar aos caros leitores um pequeno ajuste que fiz na hist\u00f3ria. Na verdade, o disco Claridade que cont\u00e9m \u2018O Mar Serenou\u201d e outros sucessos \u00e9 de 1975 e foi o maior sucesso da morena que vi, pela primeira vez, ao ganhar um concurso de calouro chamado A Voz de Ouro ABC em 1960. Mas, o tabu mesmo, essa mineira de Cedro quebrou  dois anos antes, com a can\u00e7\u00e3o \u201cConto de Areia\u201d (Romido\/Toninho), que vendeu mais de 300 mil c\u00f3pias. Nunca uma cantora \u2013 mesmo a de maiores sucesso e prest\u00edgio, como Elis, \u00c2ngela Maria, Elizeth, entre outras \u2013 havia alcan\u00e7ado ou chegado pr\u00f3ximo de tamanha proeza. <\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 mo\u00e7a que me olha a cobrar o resto da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8212; Por causa dela, as gravadoras passaram a investir em novas sambistas. A RCA Victor pegou uma jovem cantora de MPB, que havia feito um relativo sucesso com a m\u00fasica \u201cToada\u201d, e transformou em sambista. A Philips foi buscar na noite paulistana uma maranhense de voz rouca e anasalada que tocava piston. <\/p>\n<p>A express\u00e3o da minha interlocutora \u00e9 de puro espanto.<\/p>\n<p>Eu continuo:<\/p>\n<p>&#8212; A primeira atendia pelo nome de Beth Carvalho. A segunda, era a Alcione. A gravadora de Clara era a Odeon.<\/p>\n<p>&#8212; Nossa! Eu n\u00e3o sabia&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Pois \u00e9. Em mar\u00e7o de 1985, Clara morreu ap\u00f3s se submeter a uma opera\u00e7\u00e3o de varizes, teoricamente simples. N\u00e3o voltou da anestesia. Perdemos uma int\u00e9rprete  maravilhosa. A quem, as cantoras do Brasil devem muito&#8230;<\/p>\n<p>Me preparo para falar do \u2018boom\u2019 de cantoras de MPB, de todos os g\u00eaneros musicais, que veio depois de Clara, mas lembro que o caf\u00e9 j\u00e1 deve estar frio. Al\u00e9m do que, a mo\u00e7a me parece mais interessada em enxugar as l\u00e1grimas que lhe correm pelo rosto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um h\u00e1bito meu. <\/p>\n<p>\u00c0s sextas-feiras, ali pela meio da tarde, dou uma escapada da Coordena\u00e7\u00e3o para pegar um dinheiro no Caixa Eletr\u00f4nico para me salvar no fim de semana.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11101"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16834,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11101\/revisions\/16834"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}