{"id":11125,"date":"2008-10-12T00:00:00","date_gmt":"2008-10-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:47:21","modified_gmt":"2017-09-15T19:47:21","slug":"no-caminho-de-aparecida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/no-caminho-de-aparecida\/","title":{"rendered":"No caminho de Aparecida&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Sempre que posso fujo para S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro, uma cidadezinha de 5 mil habitantes ao p\u00e9 da Serra da Bocaina, ali nos confins do Vale do Para\u00edba. Na medida do poss\u00edvel, nessas idas e vindas, h\u00e1 ocasi\u00f5es em que paro em Aparecida do Norte para uma visita ao santu\u00e1rio que ora\u00e7\u00e3o e f\u00e9 nunca s\u00e3o demais nesse risque-e-rabisque de vida que vivemos.<\/p>\n<p>Aproveito o 12 de outubro, dia da Padroeira, para lhes contar uma hist\u00f3ria que me aconteceu naquelas aben\u00e7oadas paragens da cidade de Aparecida do Norte. Antecipo que n\u00e3o foi propriamente um milagre, mas diria que h\u00e1 controv\u00e9rsias.<\/p>\n<p>Foi numa tarde\/noite de sexta-feira que se perdeu em tempos remotos. Precisei ir a Barreiros por um motivo qualquer: um jogo de futebol, um churrasco, uma festa de anivers\u00e1rio da cidade. Preferi ir de \u00f4nibus porque sozinho, quatro a cinco horas de carro pela Dutra, ningu\u00e9m merece.  Na verdade, era um desses coletivos confort\u00e1veis que tinha como destino o Rio de Janeiro \u2013 eu desceria na pequena de Queluz e, dali, arrumaria uma carona at\u00e9 Barreiros que dista (acho que nunca usei essa palavra) 36 quil\u00f4metros da cidade que fica \u00e0s margens do rio Para\u00edba.<\/p>\n<p>Ao entrar no Comet\u00e3o, percebi que grande n\u00famero de passageiros era de senhoras de meia idade. Vestiam-se sobriamente e conversavam entre si. Foi s\u00f3 uma constata\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Logo me ajeitei no banco do fund\u00e3o e, minutos depois, j\u00e1 dormia o sono dos justos e dos entediados. <\/p>\n<p>Devo ter tido algum pesadelo, n\u00e3o sei. Ao cabo de hora e meia, despertou-me uma cantoria divinal:<\/p>\n<p>Viva M\u00e3e de Deus e nossa<br \/>\nSem pecado concebida<br \/>\nViva a Virgem Imaculada<br \/>\nOH! Senhora Aparecida&#8230;<\/p>\n<p>Acordei sobressaltado, sem nada entender. J\u00e1 era noite. N\u00e3o identifiquei o lugar onde estava. As vozes a saudar Maria. O que seria aquilo? Pecador confesso que sou, conformou-me a id\u00e9ia de que, fosse o que fosse que tivesse acontecido, no m\u00ednimo eu devia estar chegando aos C\u00e9us.<\/p>\n<p>Levei alguns instantes para me tocar que pass\u00e1vamos pelo trecho de estrada em frente \u00e0 Bas\u00edlica de Aparecida. Aquelas senhoras eram, na verdade, freiras que voltavam de algum encontro religioso em S\u00e3o Paulo e agora cantavam em louvor \u00e0 Sant\u00edssima. Em tom afinad\u00edssimo, diga-se.<\/p>\n<p>Gostei da sensa\u00e7\u00e3o de estar chegando aos C\u00e9us. Mas, meus queridos, se querem saber e acho que devo esta explica\u00e7\u00e3o a voc\u00eas, meus car\u00edssimos cinco ou seis leitores, gostei ainda mais &#8212; e fiquei aliviado &#8212; de me sentir vivo e aqui na Terra. Firme e forte no tal risque-e-rabisque da vida, sempre sob a prote\u00e7\u00e3o da Padroeira do Brasil e dos brasileiros&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que posso fujo para S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro, uma cidadezinha de 5 mil habitantes ao p\u00e9 da Serra da Bocaina, ali nos confins do Vale do Para\u00edba. 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