{"id":11149,"date":"2008-11-02T00:00:00","date_gmt":"2008-11-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:47:18","modified_gmt":"2017-09-15T19:47:18","slug":"era-uma-vez-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/era-uma-vez-parte-3\/","title":{"rendered":"Era uma vez&#8230; &#8211; Parte 3"},"content":{"rendered":"<p>Bem, continuando&#8230;<\/p>\n<p>Como diz um amigo nosso, morador de S\u00e3o Bernardo como eu, &quot;nunca antes na hist\u00f3ria&quot; daquele reino distante viu-se tanta e tamanha comemora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>As comitivas impressionavam-se logo \u00e0 chega. Eram recepcionadas com festas e honrarias. Entre todas, no entanto, a que recebeu melhor acolhida foi a do rei sempre acompanhado das duas princesas. Tanto que os tr\u00eas ocuparam um lugar de realce no imenso sal\u00e3o onde se realizariam as bodas. Para surpresa geral, eles deveriam tomar assento lado a lado aos monarcas anfitri\u00f5es e ao pr\u00edncipe herdeiro.<\/p>\n<p>Logo soaram as trombetas e se deu a entrada da noiva, com delicado v\u00e9u a lhe cobrir o rosto, complemento de deslumbrante vestido. Ela, por siu s\u00f3, tinha um ineg\u00e1vel porte de rainha.<\/p>\n<p>Foi uma cerim\u00f4nia e tanto&#8230;<\/p>\n<p>Ao final, todos foram para o sal\u00e3o onde aconteceria a ceia e, posteriormente, o grande baile de gala.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, haveria um ritual in\u00e9dito. O primeiro prato seria um cozido especial, de carnes tenras, feito pelas m\u00e3os da pr\u00f3pria noiva. Ela gostaria de oferecer aquela especiaria a um dos convidados. Por sua vez, depois de experimentado o alimento, ele deveria se pronunciar sobre o sabor e fazer um sincera avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00eas j\u00e1 desconfiam quem era a noiva? <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, tamb\u00e9m devem calcular quem foi o convidado escolhido? <\/p>\n<p>Isto mesmo: o nosso amigo rei que prop\u00f4s o teste para as tr\u00eas filhas.<\/p>\n<p>Cumpriu-se o ritual. <\/p>\n<p>O soberano levou o cozido \u00e0 boca, deu as primeiras mastigadas e n\u00e3o houve como conter a express\u00e3o de desapontamento. N\u00e3o saberia o que dizer. <\/p>\n<p>O alimento estava insosso, sem gra\u00e7a, dif\u00edcil at\u00e9 de engolir.<\/p>\n<p>Que brincadeira seria aquela? Teria que ser deselegante &#8211; e dizer em p\u00fablico o que estava sentindo. Lembrou da decis\u00e3o precipitada de tempos atr\u00e1s quando n\u00e3o soube perdoar a pr\u00f3pria filha. Ali\u00e1s, aquela ma\u00e7aroca se parecia em muito com a vida que vinha levando desde ent\u00e3o. Uma vida insossa, sem gra\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o foi preciso que o rei se pronunciasse. O segredo se revelou. A noiva era a princesa filha do soberano \u2013 a quem o pr\u00edncipe consorte conheceu e logo se apaixonou numa visita ao tal convento al\u00e9m da linha do horizonte. Toda aquela encena\u00e7\u00e3o fora armada pela mo\u00e7a para que o rei entendesse a preciosidade que ela lhe oferecera naquele long\u00ednquo dia: um pote de sal refinado.<\/p>\n<p>Com aquele presente, pretendeu mostrar ao pai a ci\u00eancia das coisas simples, sensatas e sinceras que ele pr\u00f3prio a ensinara. O quanto o sal \u00e9 essencial para o equil\u00edbrio que rege a vida. Distingue a \u00e1gua do mar; preserva, tempera e d\u00e1 sabor aos alimentos, \u00e9 vital para o organismo humano e para o Planeta. Por\u00e9m, precisa ser usado com equil\u00edbrio, na medida certa. Pois, em excesso, faz mal \u00e0 sa\u00fade e p\u00f5e tudo a perder. Pode at\u00e9 matar.<\/p>\n<p>N\u00e3o seriam guerras (a espada) e riqueza (o anel de diamante) que a fariam uma not\u00e1vel rainha. Mas, sim, o equil\u00edbrio de suas decis\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o preciso dizer \u2013 mas, digo \u2013 que todos viveram felizes para sempre. Os reinos se tornaram ainda mais unidos. Inclusive, as irm\u00e3s da mo\u00e7a se ajeitaram com outros rapazes de fina proced\u00eancia. E \u00e9 isso. <\/p>\n<p>Prometo nunca mais tentar enveredar por hist\u00f3rias alheias. Deu um trabalho&#8230;<\/p>\n<p>Fim<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem, continuando&#8230;<\/p>\n<p>Como diz um amigo nosso, morador de S\u00e3o Bernardo como eu, &quot;nunca antes na hist\u00f3ria&quot; daquele reino distante viu-se tanta e tamanha comemora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>As comitivas impressionavam-se logo \u00e0 chega.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11149","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11149"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16791,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11149\/revisions\/16791"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}