{"id":11158,"date":"2008-11-11T00:00:00","date_gmt":"2008-11-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:47:17","modified_gmt":"2017-09-15T19:47:17","slug":"o-melhor-amigo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-melhor-amigo\/","title":{"rendered":"O melhor amigo"},"content":{"rendered":"<p>Ele era um brincalh\u00e3o. <\/p>\n<p>Ele riu ao notar algo de estranho e misterioso na amiga, de tanto tempo que voltara de uma viagem de estudos.<\/p>\n<p>&#8212; Tudo bem com voc\u00ea, perguntou.<\/p>\n<p>&#8212; Tudo, ela respondeu \u2018no autom\u00e1tico\u2019.<\/p>\n<p>Sempre t\u00e3o simp\u00e1tica e algo falante, preferiu falar da semana de trabalho que ambos teriam pela frente.<\/p>\n<p>Ele, o confidente de sempre, insistiu:<\/p>\n<p>&#8212; Tudo bem mesmo?<\/p>\n<p>Ela respondeu com outra pergunta:<\/p>\n<p>&#8212; Por que n\u00e3o estaria.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o sei, n\u00e3o. Voc\u00ea est\u00e1 com uma carinha estranha.<\/p>\n<p>&#8212; Deixa de ser bobo. O que estaria de errado comigo?<\/p>\n<p>&#8212; Esses dias todos na praia, sozinha. As coisas acontecem&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Havava! <\/p>\n<p>Em tom de deboche, continuou a provoca\u00e7\u00e3o. Tal qual o tatarav\u00f4 dos rob\u00f4s, na antiga s\u00e9rie de TV, Perdidos no Espa\u00e7o:<\/p>\n<p>&#8212; Perigo! Perigo!<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m riu como se nada houvesse. E se fechou em copas. Procurou mudar de assunto. Falou de uma colet\u00e2nea de cl\u00e1ssicos que comprou no free shop. Passara a tarde ouvindo Johan Sebastian Bach.<\/p>\n<p>&#8212; Mas, voc\u00ea \u00e9 muito chic mesmo, brincou<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea sabe o quanto gosto de m\u00fasica!<\/p>\n<p>&#8212; Gosta-se mais ainda quando se est\u00e1 come\u00e7ando uma paix\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela fez que n\u00e3o era com ela. Deixou que o sil\u00eancio reinasse absoluto. Mas, qual o dom que o amigo tinha para ler o que queria confirmar para si pr\u00f3pria. <\/p>\n<p>\u00c0s vezes, quando queria, ele sabia ser chato. Insistiu:<\/p>\n<p>&#8212; E a\u00ed&#8230; Vai me contar ou ficamos assim.<\/p>\n<p>&#8212; Contar o qu\u00ea&#8230;<\/p>\n[Ser\u00e1 que estava assim estampado em seu rosto. Foram dias lindos, sim. Longe do estresse da cidade grande, do trabalho di\u00e1rio e de suas afli\u00e7\u00f5es. Do casamento morno&#8230;<br \/>\nH\u00e1 tempos n\u00e3o se sentia assim. E agora o melhor amigo queria que conscientemente ela assumisse o que n\u00e3o queria assumir!]\n<p>&#8230; n\u00e3o tenho nenhuma novidade, al\u00e9m do sol, da praia, do descanso merecido que tive.<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, t\u00e1. Falou t\u00e1 falado.Vamos ao que se pode. Ao trabalho&#8230;<\/p>\n[Como lhe dizer que, nesses dias distantes, imaginou algu\u00e9m ao seu lado que a fizesse rir, sonhar. Que lhe contasse hist\u00f3rias fantasiosas \u2013 e falasse mal dessas modernidades. Do celular, do notebook. Que ousasse assobiar aquela velha can\u00e7\u00e3o do Roberto: <\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m do horizonte deve ter<br \/>\nAlgum lugar bonito pra viver em paz\u201d<\/p>\n<p>Como dizer ao melhor amigo, que ele era o homem da sua vida!]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele era um brincalh\u00e3o. <\/p>\n<p>Ele riu ao notar algo de estranho e misterioso na amiga, de tanto tempo que voltara de uma viagem de estudos.<\/p>\n<p>&#8212; Tudo bem com voc\u00ea,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16782,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11158\/revisions\/16782"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}