{"id":11187,"date":"2008-12-05T00:00:00","date_gmt":"2008-12-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:45:49","modified_gmt":"2017-09-15T19:45:49","slug":"babau","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/babau\/","title":{"rendered":"Babau"},"content":{"rendered":"<p>Tava mais do que na cara. Eu deveria saber. Na minha idade. Um cara como eu lavado e enxaguado nas \u00e1guas do rio Tamanduate\u00ed, em tempos idos, quando transbordava e inundava a rua Ana Nery e adjac\u00eancias, no Cambuci.<\/p>\n<p>Que em 58 ouviu pelo r\u00e1dio o Brasil ser campe\u00e3o mundial de futebol e&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; viu na TV Record Jo\u00e3o Gilberto cantar Chega de Saudade.<\/p>\n<p>Que em 68 correu da Pol\u00edcia que corria atr\u00e1s dos estudantes no Largo de S\u00e3o Francisco &#8211; eu n\u00e3o era estudante, ia para o trabalho de balconista numa loja de disco, ali, na rua S\u00e3o Bento; vi a correria, corri tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o. Eu deveria imaginar. N\u00e3o sou bobo, nem nada.<\/p>\n<p>Em 78, j\u00e1 era um jornalista com alguma rodagem. Diagramava a Gazeta de S\u00e3o Bernardo, entre outras mil coisas que fazia \u00e0 \u00e9poca pra ganhar uns trocados. Disse para o Marco Pichini que era o editor do jornal:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o vai dar certo. N\u00e3o vai passar&#8230;<\/p>\n<p>Pichini era garoto de tudo, e firmou posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Diagrama as p\u00e1ginas a\u00ed e vamos em frente.<\/p>\n<p>Jornal feito, rodado e impresso. Uma edi\u00e7\u00e3o inteira sobre as greves do ABC e um tal de Lula, l\u00edder dos metal\u00fargicos. Era o come\u00e7o do fim da ditadura militar no Pa\u00eds. Mas, o dono da empresa preferiu n\u00e3o arriscar e a Gazeta n\u00e3o circulou.<\/p>\n<p>N\u00e3o disse &quot;t\u00e1 vendo, n\u00e3o falei&quot; para o recem-promovido editor porque ele estava jururu jururu, mordendo o toco de um l\u00e1pis num canto da reda\u00e7\u00e3o. Sem no\u00e7\u00e3o. Mas, que eu avisei, avisei.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Putz. Trinta anos se passaram.<\/p>\n<p>Eu era mais malaco, no bom sentido, que hoje sou.<\/p>\n<p>Com o tempo a gente perde a cintura. <\/p>\n<p>S\u00f3 pode ser&#8230;<\/p>\n<p>Em 88, malandro que era, percebi que a coisa estava mal parada.<\/p>\n<p>Fiz que ia mas n\u00e3o fui. De boa.<\/p>\n<p>Foi o ano em que o Brasil homologou a nova Constitui\u00e7\u00e3o, mas a grande expectativa era mesmo a elei\u00e7\u00e3o para presidente que aconteceria um ano depois. Tinha candidato bom de voto que s\u00f3. O Sr. Diretas, Ulysses Guimar\u00e3es. Leonel Brizola. M\u00e1rio Covas. Roberto Freire. Um metal\u00fargico abusado que s\u00f3, aquele tal de Lula das Greves queria ser presidente, entre outros.<\/p>\n<p>Ah! Havia tamb\u00e9m o fio desencapado, Fernando Collor, que, por fim e com a ajuda do Sistema, acabou ganhando a elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nunca acreditei no jeit\u00e3o amalucado que elle exibia&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Dez anos depois, em 98, eu j\u00e1 embicava para os 50 dando uns volteios pela Europa que ningu\u00e9m \u00e9 de ferro.<\/p>\n<p>E agora estou aqui a lhes escrever essas mal tra\u00e7adas. <\/p>\n<p>No maior veneno.<\/p>\n<p>S\u00f3 para desabafar. <\/p>\n<p>Que roubada! <\/p>\n<p>Como fui cair nessa esparrela?<\/p>\n<p>Euzinho, malandro da vez, o ot\u00e1rio de sempre!<\/p>\n<p>Acreditei que era verdade e n\u00e3o comprei d\u00f3lar a 1,57. A dois reais que fosse&#8230;<\/p>\n<p>Babau  f\u00e9rias na Europa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tava mais do que na cara. Eu deveria saber. Na minha idade. 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