{"id":11191,"date":"2008-12-09T00:00:00","date_gmt":"2008-12-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:45:49","modified_gmt":"2017-09-15T19:45:49","slug":"toledao-e-a-crise-economica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/toledao-e-a-crise-economica\/","title":{"rendered":"Toled\u00e3o e a crise econ\u00f4mica"},"content":{"rendered":"<p>Toled\u00e3o era um apaixonado por circo. Na distante Orozimbo, cidade onde morava no interiorz\u00e3o deste Brasil, n\u00e3o havia divertimento maior. O pequeno vilarejo se assanhava todo quando se anunciava a chegada de algum Gran Circo qualquer por ali. <\/p>\n<p>O homem ia a todas as sess\u00f5es. Logo ficava amigo de todos os circenses, do engolidor de espada \u00e0 mulher barbada. Por quem, ali\u00e1s, houve suspeitas de que Toled\u00e3o se apaixonara tempos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Suspeitas que nunca se confirmaram, diga-se.<\/p>\n<p>Outra paix\u00e3o de Toled\u00e3o era sua fama de valente beque central do Ol\u00edmpicos Oronzimbiano Futebol Clube, equipe que jogava aos domingos pela manh\u00e3 no Est\u00e1dio Municipal.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, foi numa dessas contendas, que Toled\u00e3o vacilou e foi para a dividida com a perna mole. Resultado: ouviu-se o estalo da perna quebrada num raio de quil\u00f4metros de dist\u00e3ncia. <\/p>\n<p>Toled\u00e3o foi prontamente socorrido no Hospital Central. O doutor constatou a fratura e tomou as provid\u00eancias devidas. Recomendou ao enfermeiro Cirino que caprichasse no gesso. Desse um acabamento de primeira para que o amigo de todos, Toled\u00e3o, tivesse uma boa recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o era desnecess\u00e1ria. Cirino tinha um bom estoque de gesso \u2013 e raros casos de uso. Portanto, naquele domingo, fez um trabalho de primeira no engessamento. Deu tr\u00eas dem\u00e3os de gesso na perna do pobre Toled\u00e3o.<\/p>\n<p>Justo naquela semana Orozimbo recebe a visita do Circo o Reis do Riso que, na verdade, estava numa pinda\u00edba de fazer chorar. Al\u00e9m dos palha\u00e7os propriet\u00e1rios, os irm\u00e3os Tristinho e Tristonho, a grande atra\u00e7\u00e3o era Le\u00f4ncio, um velho le\u00e3o que n\u00e3o via um bom naco de carne h\u00e1 um bom tempo. <\/p>\n<p>Diziam at\u00e9 que Le\u00f4ncio virara vegetariana por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Ao saber da not\u00edcia,Toled\u00e3o ficou ensandecido dentro do gesso. Queria por que queria ir a todas as sess\u00f5es, como sempre fizera. Os amigos tentaram demov\u00ea-lo da id\u00e9ia. Mal podia ficar de p\u00e9 com tanto gesso. N\u00e3o havia cadeira de rodas na cidade. Muletas n\u00e3o ag\u00fcentariam o peso do corpanzil.<\/p>\n<p>Nenhum argumento, por\u00e9m, o convenceu. <\/p>\n<p>Na noite de quinta-feira, carregado pelos bra\u00e7os de meia d\u00fazia de amigos, l\u00e1 estava Toled\u00e3o na sess\u00e3o de estr\u00e9ia, sentado na primeira fila. Dali s\u00f3 sairia no fim do espet\u00e1culo quando os amigos \u2013 que n\u00e3o suportavam circo \u2013 voltariam para busc\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Sairia se n\u00e3o houvesse um pequeno incidente&#8230;<\/p>\n<p>Le\u00f4ncio, o le\u00e3o faminto, escapara ao controle do domador, derrubaram a grade de prote\u00e7\u00e3o e, agora, estava \u00e1 solta no meio do picadeiro.<\/p>\n<p>Todos correram assustados para escapar da f\u00faria do animal que n\u00e3o parava de rugir.<\/p>\n<p>Todos, menos Toled\u00e3o; \u00f3bvio&#8230;<\/p>\n<p>Algu\u00e9m lembrou \u00e0 turba que o amigo n\u00e3o podia se mexer e, a essa altura, poderia servir de petisco para por fim ao regime vegetariano do rei dos animais. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, quem foi rei nunca perde a majestade, n\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n<p>Voltaram. Mas, n\u00e3o se arriscaram a ir al\u00e9m da \u00faltima fila de cadeiras. De l\u00e1 e a salvo, todos puseram-se  a lamuriar-se:<\/p>\n<p>&#8212; Coitado do Toled\u00e3o! Coitado do Toled\u00e3o!<\/p>\n<p>E o le\u00e3o a andar pra l\u00e1 e pra c\u00e1. <\/p>\n<p>Toled\u00e3o, ali, impass\u00edvel. Engessado at\u00e9 a alma.<\/p>\n<p>E o pessoal a gritar:<\/p>\n<p>&#8212; Coitado do Toled\u00e3o! Coitado do Toled\u00e3o!<\/p>\n<p>Toled\u00e3o n\u00e3o resistiu e como p\u00f4de berrou para a turma.<\/p>\n<p>&#8212; Qual \u00e9, rapaziada. Se quiserem me ajudar, tudo bem, me ajudem. Se n\u00e3o, deixem que o le\u00e3o decida sozinho&#8230; <\/p>\n<p>Toda vez que leio\/ou\u00e7o sobre a tal crise econ\u00f4mica lembro-me da historia que o amigo Marceleza contou em sala de aula para espanto e divers\u00e3o dos alunos. \u00c0 \u00e9poca, ele explicava como funciona o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o. Agora, creio, a situa\u00e7\u00e3o se repete com as incessantes not\u00edcias sobre a d\u00e9b\u00e2cle financeira que, marola ou ciclone, mais cedo ou mais tarde vai pegar a todos.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00e3o, solu\u00e7\u00e3o ningu\u00e9m tem. Mas, adoram pr\u00e9 anunciar o apocalipse&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toled\u00e3o era um apaixonado por circo. Na distante Orozimbo, cidade onde morava no interiorz\u00e3o deste Brasil, n\u00e3o havia divertimento maior. 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