{"id":11200,"date":"2008-12-17T00:00:00","date_gmt":"2008-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:45:48","modified_gmt":"2017-09-15T19:45:48","slug":"dabahia-e-as-nenecas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dabahia-e-as-nenecas\/","title":{"rendered":"Dabahia e as nenecas"},"content":{"rendered":"<p>&#8212; Um beijo Neneca&#8230;<\/p>\n<p>Naquela reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janelas, todos andavam encafifados &#8211; e este era bem o termo &#8211; com os telefonemas do Dabahia. Assim mesmo que o distinto gostava de ser chamado e ter o nome grafado para referendar o lugar de onde viera h\u00e1 algum tempo.<\/p>\n<p>Ex-boleiro que a cacha\u00e7a afastou dos gramados, ex-roqueiro no tempo em que roqueiro brasileiro tinha cara de bandido, ex-artes\u00e3o de bijuterias na Feira Hippie da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, ex-past up que s\u00f3 quem trabalhou em jornal em tempos idos sabe o que \u00e9, mas vou logo explicando era uma figura\u00e7a, ex-isso, ex-aquilo e aqueloutro, Dabahia s\u00f3 n\u00e3o era ex no \u00e2mbito das mulheres. Pois, como o pr\u00f3prio dizia, ele as acumulava &quot;talentosamente&quot;.<\/p>\n<p>\u00c9 da\u00ed que surgiam as nossas tolas divaga\u00e7\u00f5es e inquietudes:<\/p>\n<p>&quot;Um beijo Neneca&quot; &#8211; isso l\u00e1 \u00e9 jeito de se despedir da mulher amada. Ou no m\u00ednimo que se entende amada. At\u00e9 porque, para quem n\u00e3o conhece, cabe a explica\u00e7\u00e3o. Neneca era o goleiro do Guarani, campe\u00e3o de 1978. Diga-se l\u00e1 n\u00e3o era um primor de beleza. N\u00e3o era um campe\u00e3o nesse quesito.<\/p>\n<p>Dabahia ria e desconversava. Apresentava um bom argumento. Para n\u00e3o se confundir entre tantas e tamanhas, ele usava o expediente magn\u00e2nimo, mas de gosto duvidoso. Chamava a todas de Neneca.<\/p>\n<p>Inexplic\u00e1vel para n\u00f3s. Mas devia fazer algum sentido para ele. <\/p>\n<p>E nem ous\u00e1vamos imaginar qual&#8230;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m recrimin\u00e1vamos o amigo quando de corpo presente. Mas, em conversas paralelas, fic\u00e1vamos a imaginar como seriam as tais &quot;nenecas&quot; &#8211; e n\u00e3o \u00e9ramos condescendentes, n\u00e3o. Para n\u00f3s, eram todas barangas e malamadas. Que se agarravam a um grosseir\u00e3o daquele por que nenhum outro homem queria nada com elas.<\/p>\n<p>Hoje sei. Era pura inveja. Desconfi\u00e1vamos. Quer dizer, sab\u00edamos que a doce Lucilla, assim mesmo com dois eles e antes do Collor aparecer, a elegante e simp\u00e1tica Lucilla, que todos n\u00f3s da reda\u00e7\u00e3o cobi\u00e7\u00e1vamos secreta ou abertamente. A meiga Lucilla era uma das tais nenecas.<\/p>\n<p>Para nosso desconsolo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, sobre o tema, cabe a reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>O homem sempre sabe quando toma uma bolada nas costas. Sempre. S\u00f3 que malandro que \u00e9 malandro n\u00e3o p\u00f5e na banca para n\u00e3o perder a pose.<\/p>\n<p>Afinal, quem \u00e9 \u00e9. Quem n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o se conforma. Mas se ajeita<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8212; Um beijo Neneca&#8230;<\/p>\n<p>Naquela reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janelas, todos andavam encafifados &#8211; e este era bem o termo &#8211; com os telefonemas do Dabahia. 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