{"id":11226,"date":"2009-02-13T00:00:00","date_gmt":"2009-02-13T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:45:45","modified_gmt":"2017-09-15T19:45:45","slug":"tiao-das-marmitas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tiao-das-marmitas\/","title":{"rendered":"Ti\u00e3o das Marmitas"},"content":{"rendered":"<p>Ti\u00e3o das Marmitas acabara de retornar dos Estados Unidos. <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, n\u00e3o tivera vida f\u00e1cil em terras de Tio Sam. <\/p>\n<p>Fez um pouco de tudo. De ajudante de cozinheiro a entregador de pizza. <\/p>\n<p>Dinheiro ralo. Viveu como p\u00f4de, quase sempre na pior.<\/p>\n<p>Como por natureza e gosto sempre foi do balacobaco, foi inevit\u00e1vel. Logo estava entre os malandros-crocodilos e gangues. Puxou carro, perverteu-se nas drogas, fez e aconteceu at\u00e9 em ir em cana. Era mesmo da pesada&#8230;<\/p>\n<p>Mas, era talentoso. Musicalmente, ent\u00e3o, um g\u00eanio.<\/p>\n<p>Antes de partir no Brasil, chegou at\u00e9 a montar um grupo de rock, com um pessoal da Tijuca. Apresentaram-se na programa\u00e7\u00e3o vespertina da TV e todos diziam que ele era o tal. Levava jeito pra coisa.<\/p>\n<p>Ti\u00e3o at\u00e9 achava que sim. Por isso, voltou para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Voltou tamb\u00e9m porque ficou sabendo que seus amigos \u2013 a quem ensinou os primeiros acordes no viol\u00e3o \u2013 eram agora os reis da Juventude. Um retumbante sucesso. Com programa na TV e m\u00fasicas nos primeiros lugares da parada de sucesso. <\/p>\n<p>Ele n\u00e3o acreditou a princ\u00edpio. O amigo Erasmo Estevez era parceiro, um cara ponta firme, como se dizia \u00e0 \u00e9poca. Mas, convenhamos, tinha um fiapo de voz. Aquele outro, que chegou de Cachoeiro de Itapemirim, al\u00e9m de muito estranho, era fanho.<\/p>\n<p>Ti\u00e3o quis ver esse tal sucesso de perto. Pegou um \u00f4nibus e veio para S\u00e3o Paulo em mangas de camisa e chinel\u00e3o. Cabelos desgrenhados e uma rala barba completavam a figura. De aspecto pouco convencional.<\/p>\n<p>Viajou oito horas. Perambulou pela cidade que mal conhecia. At\u00e9 chegar \u00e0s portas do Teatro Record, na Consola\u00e7\u00e3o. A tal Terra da Garoa fazia jus ao nome. Um frio de lascar &#8212; e ele, ali, \u00e0 espera dos amigos famosos que se apresentavam no programa Jovem Guarda, da TV Record.<\/p>\n<p>N\u00e3o acreditou na multid\u00e3o de garotas a berrar pelos \u00eddolos.<\/p>\n<p>Sua vida mudaria a partir daquele encontro. Estava convicto disso. Logo, o nome dele tamb\u00e9m estaria na boca da mo\u00e7ada. Estava por ali, a tiritar de frio e imaginar-se famoso, quando dois carr\u00f5es sa\u00edram a toda do pr\u00e9dio da Record. Os seguran\u00e7as se encarregaram de abrir caminho, sem ouvir explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por que ouviriam logo as dele, um molambo em farrapos. Sem eira nem beira.<\/p>\n<p>Dentro dos carr\u00f5es, os amigos Erasmo (que agora era) Carlos e Roberto Carlos (o Fanho) nem sequer lembravam-se do Ti\u00e3o das Marmitas. <\/p>\n<p>Ou melhor, Tim Maia. Que tempos depois escreveria versos assim:<\/p>\n<p>\u201cAh! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir.<br \/>\n  Tenho muito pra contar.<br \/>\n  Dizer o que aprendi.<br \/>\n  Que, na vida, a gente tem que entender<br \/>\n  Que um nasce pra sofrer<br \/>\n  Enquanto o outro ri.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ti\u00e3o das Marmitas acabara de retornar dos Estados Unidos. <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, n\u00e3o tivera vida f\u00e1cil em terras de Tio Sam. <\/p>\n<p>Fez um pouco de tudo. 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