{"id":11230,"date":"2009-02-17T00:00:00","date_gmt":"2009-02-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:45:45","modified_gmt":"2017-09-15T19:45:45","slug":"malandro-campainha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/malandro-campainha\/","title":{"rendered":"Malandro campainha"},"content":{"rendered":"<p>No Cambuci \u2018velho de guerra\u2019, os cham\u00e1vamos de &#8216;malandros campainhas&#8217;, aqueles que apertam e saem correndo. Na verdade, era uma antiga brincadeira de crian\u00e7a que consistia em apertar a campainha das casas e desaparecer na primeira esquina em desabalada carreira. Com caras de tontos felizes, imagin\u00e1vamos a dona de casa a largar o feij\u00e3o na panela, sair ao port\u00e3o e esbravejar por n\u00e3o ver ningu\u00e9m por ali.<\/p>\n<p>Como deu para perceber, eram outros tempos.<\/p>\n<p>Um tanto ing\u00eanuos. Bobocas, eu diria. <\/p>\n<p>Tempos em que a molecada vivia na rua sem grilos e maiores perigos. <\/p>\n<p>Que a maior parte das mulheres era &#8216;do lar&#8217;.<\/p>\n<p>Que os pr\u00e9dios de apartamento eram raros nos bairros paulistanos.<\/p>\n<p>Tempos idos e vividos, como podem perceber.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se melhor ou pior, insisto, mas diferentes.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a garotada de hoje \u2013 ao menos, nos grandes centros \u2013 prefere outras brincadeiras, na linha dos games e afins.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam a liberdade que t\u00ednhamos.<\/p>\n<p>\u00c9 da vida e dos amores. Vantagens e desvantagens para engrossar as disserta\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas de in\u00edcio de s\u00e9culo \u2013 que, ali\u00e1s, est\u00e1 preste a esgotar a primeira d\u00e9cada, j\u00e1 repararam?<\/p>\n<p>Se n\u00e3o reparam, reparem. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, reparem tamb\u00e9m que muitos jovens \u2013 j\u00e1 entrados nos 20 ou 30 \u2013 se ressentem de n\u00e3o terem vivido t\u00e3o inebriante experi\u00eancia: tocar a campainha e correr para o nada.<\/p>\n<p>Verdade. <\/p>\n<p>Hoje, eu os vejo, mesmo crescidinhos, em situa\u00e7\u00f5es que fazem lembrar o &#8216;malandro campainha&#8217; que fomos &#8211; eu e os meus pares, na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Qual a malandragem, por exemplo, do garoto na baladinha tomar todas e mais algumas e n\u00e3o passar do estacionamento. Ficar por ali com a boca cheia de formiga. Sem no\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E a tal m\u00fasica eletr\u00f4nica, ent\u00e3o?<\/p>\n<p>\u00c9 um tunf tunf tunf sem fim na cabe\u00e7a da rapaziada. Que se requebra como pode, como se tivesse sendo eletrocutada. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, particularmente, considero a segunda parte a mais interessante.<\/p>\n<p>Se bem me recordo, \u00e9 assim: outro tunf tunf tunf sem fim. Como se algo t\u00e3o vers\u00e1til, criativo e interessante quanto um bate estaca ditasse a trilha sonora das nossas vidas, alegrias e prazeres.<\/p>\n<p>Ah! Mas \u00e9 m\u00fasica (sic) para se dan\u00e7ar. E cada \u00e9poca tem l\u00e1 seu ritmo, algu\u00e9m h\u00e1 de dizer. A bem da sinceridade, como disse eu ao Velho Aldo, meu pai, quando ele me perguntou como eu conseguia ouvir aqueles roquezinhos chinfrins de n\u00e3o mais do que tr\u00eas acordes.  <\/p>\n<p>Concordo \u2013 e n\u00e3o prorrogo a discuss\u00e3o, at\u00e9 porque este post est\u00e1 ficando longo demais. No entanto, gostaria que algu\u00e9m me explicasse o porqu\u00ea o pessoal cisma de ouvir tal baticum no carro, sozinho, a todo volume.<\/p>\n<p>N\u00f3s, na cal\u00e7ada, pensamos que \u00e9 um trio el\u00e9trico ou similar. Nossos t\u00edpanos tremem. O carro treme. A Terra treme. E a moderna vers\u00e3o do \u2018malandro campainha\u201d ali, ao volante, como se nada estivesse acontecendo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Cambuci \u2018velho de guerra\u2019, os cham\u00e1vamos de &#8216;malandros campainhas&#8217;, aqueles que apertam e saem correndo. 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