{"id":11239,"date":"2009-03-03T00:00:00","date_gmt":"2009-03-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:45:43","modified_gmt":"2017-09-15T19:45:43","slug":"um-por-todos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-por-todos\/","title":{"rendered":"Um por todos&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 prov\u00e1vel que j\u00e1 tenha escrito aqui sobre eles. Seguramente foram citados, sem as devidas pompas e circunst\u00e2ncias, em uma ou outra hist\u00f3ria. Hoje, por\u00e9m, quero fazer uma singela rever\u00eancia ao Bilex e \u00e0 Ligia.<\/p>\n<p>Bilex era um garoto negro \u2013 \u00e0quela \u00e9poca, nos idos dos 50, se dizia preto sem qualquer obje\u00e7\u00e3o do politicamente correto \u2013, uns dois ou tr\u00eas anos mais velho do que n\u00f3s, os pequenos da rua Muniz de Souza. <\/p>\n<p>N\u00e3o andava com os grand\u00f5es porque, embora forte e esperto, tinha pouca intimidade com a bola. Como para n\u00f3s o futebol era fonte de prest\u00edgio e lideran\u00e7a social, Bilex sentia-se mais confort\u00e1vel entre a gente, moleques de dez, onze anos. Pelo menos em nosso time, ele era titular como um vigoroso zagueiro.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m ao certo lhe sabia o nome. Morava, como tantos de n\u00f3s, no corti\u00e7o que eufemisticamente cham\u00e1vamos de Vila. Apareceu por ali na tarde de um dia qualquer e logo algu\u00e9m o apelidou de Jo\u00e3o Bilex em raz\u00e3o do cantor americano Billy Ekstein.<\/p>\n<p>Ele nem se importou, e o apelido pegou o tempo que Bilex andou por l\u00e1.<\/p>\n<p>Do jeito que surgiu, soubemos, em outra tarde de outro dia qualquer, que Bilex e os familiares (que n\u00e3o chegamos a conhecer) mudaram-se do Cambuci, sem deixar not\u00edcias. <\/p>\n<p>Voltaram de onde vieram, algu\u00e9m lembrou.<\/p>\n<p>Do amigo breve, restou o incr\u00edvel dom de inventar hist\u00f3rias em que n\u00f3s, garotos remediados, filhos de oper\u00e1rios, vir\u00e1vamos her\u00f3is de capa e espada. \u00c9ramos amigos leais e h\u00e1beis espadachins &#8211; e lut\u00e1vamos juntos em defesa Del Rei e pelo amor da princesa Ligia. <\/p>\n<p>T\u00ednhamos at\u00e9 um lema:<\/p>\n<p>\u201cUm por todos. Todos por um.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o sei como Dona Izabel, nossa professora no Grupo Escolar Oscar Thompson, ficou sabendo dessas imaginosas aventuras. Quando me encontrou, riu, fez uma express\u00e3o de deboche e nos provocou. <\/p>\n<p>Disse que a tal hist\u00f3ria j\u00e1 existia. O Bilex n\u00e3o era t\u00e3o criativo assim. Apenas copiara um tal de Alexandre Dumas que escreveu, l\u00e1 nos antigamente, Os Tr\u00eas Mosqueteiros. <\/p>\n<p>Disse mais:<\/p>\n<p>Que a Ligia n\u00e3o era princesa, e sim a filha mais velha do dentista, Dr. Carlos. <\/p>\n<p>E que eu parasse de me iludir, tratasse de estudar e deixasse de me meter em encrencas, pois meu nome n\u00e3o era D\u2019Artagnan&#8230;<\/p>\n<p>( * Foto: Caio Kenji.<br \/>\n  Fico lhes devendo um post sobre a Ligia.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 prov\u00e1vel que j\u00e1 tenha escrito aqui sobre eles. Seguramente foram citados, sem as devidas pompas e circunst\u00e2ncias, em uma ou outra hist\u00f3ria. Hoje, por\u00e9m, quero fazer uma singela rever\u00eancia ao Bilex e \u00e0 Ligia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11239","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11239"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11239\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16704,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11239\/revisions\/16704"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}