{"id":11265,"date":"2009-03-22T00:00:00","date_gmt":"2009-03-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:44","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:44","slug":"a-perseguicao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-perseguicao\/","title":{"rendered":"A persegui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Diziam coisas da dona Antoninha l\u00e1 na rua onde eu morava.<\/p>\n<p>Anos 50\/60.<\/p>\n<p>Vamos atualizar a cena para que todos entendam.<\/p>\n<p>Ela era uma esp\u00e9cie de Norminha, a dona-de-casa que Dira Paes interpreta, apimenta e embala, ao som do forr\u00f3 do grupo Calcinha Preta (\u201cVoc\u00ea n\u00e3o vale nada, mas eu gosto de voc\u00ea\u201d), as emo\u00e7\u00f5es mornas da novela Caminho das \u00cdndias.<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>N\u00f3s \u00e9ramos garotos que viviam na rua jogando bola na cal\u00e7ada em frente \u00e0 casa onde ela e a fam\u00edlia moravam. Tamb\u00e9m empin\u00e1vamos pipa, and\u00e1vamos de carrinho de rolim\u00e3, nos desafi\u00e1vamos para partidas de futebol de bot\u00e3o e arregal\u00e1vamos os olhos sempre que dona Antoninha passava&#8230;<\/p>\n<p>E todos os dias ela passava, perfumada, passo r\u00e1pido e olhar cabisbaixo.<\/p>\n<p>Diziam coisas da dona Antoninha \u2013 e o resto ficava por conta da nossa prodigiosa imagina\u00e7\u00e3o infanto-juvenil.<\/p>\n<p>Uma tarde, n\u00e3o lembro se foi o Nestor ou Felisberto, um dos dois deu a id\u00e9ia de seguirmos a jovem e bela senhora para descobrirmos os mist\u00e9rios que a comprometiam com todo aquele falat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Armamos a turma para no dia seguinte dar o tal flagrante.<\/p>\n<p>Ficamos a postos. Assim que ela saiu de casa, paramos com o futebol, demos um tempinho e fomos atr\u00e1s. Ela seguiu pela rua Muniz de Souza at\u00e9 a rua Ub\u00e1 \u2013 e n\u00f3s s\u00f3 na captura. Na rua Miguel Telles J\u00fanior (antiga Piai) virou \u00e0 esquerda e continuou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 escadaria que ainda hoje d\u00e1 acesso \u00e0 rua Lacerda Franco. N\u00f3s, a razo\u00e1veis 20 ou 30 metros de dist\u00e2ncia, em sil\u00eancio, sent\u00edamos o cora\u00e7\u00e3o tr\u00f4pego, descompassado.<\/p>\n<p>At\u00e9 parecia que n\u00f3s \u00e9ramos o marido tra\u00eddo.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a prosseguiu pela Lacerda Franco em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 rua do Lavap\u00e9s.<\/p>\n<p>Deixamos a dist\u00e2ncia aumentar para n\u00e3o dar bandeira \u2013 j\u00e1 que a rua \u00e9 uma reta s\u00f3.<\/p>\n<p>Era agora ou nunca. Ela n\u00e3o escaparia, estava na mira.<\/p>\n<p>T\u00e3o na mira que a vimos abrir a bolsa, retirar uma esp\u00e9cie de len\u00e7o de seda, cobrir a cabe\u00e7a e entrar na igreja da par\u00f3quia Nossa Senhora da Gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Paramos onde est\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m disse uma palavra. <\/p>\n<p>Demos meia volta e come\u00e7amos a andar de volta, com cara de patetas e decepcionados.<\/p>\n<p>Ainda est\u00e1vamos na Lacerda Franco quando ouvimos o ronco do motor de um Chevrolet Belair que sa\u00eda da ruazinha atr\u00e1s da igreja. Tomamos um susto e o cora\u00e7\u00e3o voltou a disparar. <\/p>\n<p>Em v\u00e3o&#8230; <\/p>\n<p>Por mais que apur\u00e1ssemos o olhar, n\u00e3o conseguimos distinguir quem eram os dois vultos que estavam dentro do carro que passou por n\u00f3s, como um b\u00f3lido, e desapareceu ao virar a primeira esquina.<\/p>\n<p>* FOTO no Blog: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diziam coisas da dona Antoninha l\u00e1 na rua onde eu morava.<\/p>\n<p>Anos 50\/60.<\/p>\n<p>Vamos atualizar a cena para que todos entendam.<\/p>\n<p>Ela era uma esp\u00e9cie de Norminha,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11265","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11265"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11265\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16685,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11265\/revisions\/16685"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}