{"id":11274,"date":"2009-03-30T00:00:00","date_gmt":"2009-03-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:40","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:40","slug":"plinio-marcos-e-as-quebradas-do-mundareu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/plinio-marcos-e-as-quebradas-do-mundareu\/","title":{"rendered":"Pl\u00ednio Marcos e as quebradas do mundar\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p>Antecipo-me \u00e0s reportagens que inevitavelmente destacar\u00e3o, a partir de amanh\u00e3, 31 de mar\u00e7o, o 45\u00ba anivers\u00e1rio da Redentora. Mas, n\u00e3o quero falar propriamente do Golpe Militar que jogou o Brasil em 21 anos de ditadura militar. Pretendo, sim, mostrar as id\u00e9ias e a a\u00e7\u00e3o de um de seus mais contundentes e indignados opositores, o dramaturgo, ator, escritor e jornalista, Pl\u00ednio Marcos.<\/p>\n<p>Pl\u00ednio Marcos morreu em novembro de 1999. O que transcrevo a seguir \u00e9 a entrevista que fiz com \u201co cronista das quebradas do mundar\u00e9u\u201d, ao lado do amigo e jornalista Cl\u00f3vis Naconecy de Souza, autor do t\u00edtulo e da abertura da reportagem, publicada em 4 de mar\u00e7o de 1978, no glorioso Jornal da Mooca.<\/p>\n<p> \u00c9 este bate-papo que transcrevo a seguir: <\/p>\n<p>UM MALDITO CUSPINDO \u2013 PLINIO MARCOS \u2013<br \/>\nFORA A CULTURA IMPORTADA <\/p>\n<p>Fruto maduro de uma inopinada coincid\u00eancia, a entrevista com Pl\u00ednio Marcos, teatr\u00f3logo, ator, jorna\u00aclista, escritor, sambista e muitas mumunhas mais neste mundar\u00e9u, deve ser atribu\u00edda aos caprichos especiais da obstina\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. Na verdade, h\u00e1 algum tempo j\u00e1 se matutava sobre a possibilidade de um encontro com esse que \u00e9 um personagem sempre pol\u00eamico, sempre atuante da cultura nacional. Mas em todas ocasi\u00f5es se trope\u00e7ava na falta de refer\u00eancias quanto \u00e0 sua atual localiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Superado esse empecilho, \u00e0s custas de, digamos assim, um &quot;feliz esbarr\u00e3o&quot;, p\u00f4de-se, af\u00acinal, entrevist\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Com o olhar de um ex-malandro, sorrateiro \u00e0 espreita de poss\u00edveis agress\u00f5es em forma de perguntas, Pl\u00ednio foi respondendo, com a desenvoltura de um conferencista experimentado, a Clovis Naconecy de Souza e Rodolfo Carlos Martino, do Jornal da Mooca, toda a uma bateria de quest\u00f5es que estavam engasgadas sobre a cultura nacional e seus pontos de visto a respeito, Sempre com a retina baixa, as p\u00e1lpebras pesadas com todo o fardo de uma gera\u00e7\u00e3o sufocada em sua livre express\u00e3o, resultado de toda uma vida, como ele pr\u00f3prio diz, \u201cdenunciando todas as coisas que a gente v\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Pl\u00ednio, voc\u00ea est\u00e1 fazendo atualmente o qu\u00ea?<\/p>\n<p>PM \u2013 Atualmente (mar\u00e7o de 1978), eu tenho duas pe\u00e7as em cartaz. Uma chamada \u201cO Poeta da Vila\u201d que est\u00e1 aqui em S\u00e3o Paulo h\u00e1 nove meses e outra que est\u00e1 correndo pelo Brasil que \u00e9 \u201cOs Dois Perdidos Numa Noite Suja\u201d. Ao lado disso, meus livros est\u00e3o vendendo muito bem&#8230; eu vivo folgado.<\/p>\n<p>\u2013 O que voc\u00ea se considera mais precisamente: um teatr\u00f3logo, um ator, um jornalista ?<\/p>\n<p>PM \u2013 Pelas circunst\u00e2ncias, eu aprendi a brincar nas onze, n\u00e9? Sou autor, sou jornalista, sou ator, autor teatral, radialista, uma por\u00e7\u00e3o de coisa. Sou romancista. Por fun\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias, acabei me esfor\u00e7ando nas onze e dando certo.<\/p>\n<p>&#8211; Seria interessante fazer uma retrospectiva de como voc\u00ea come\u00e7ou, dificuldades&#8230;?<\/p>\n<p>PM &#8211; Eu nasci em Santos em 1935, tenho, portanto, 42 anos. Comecei minha carreira art\u00edstica no Pavilh\u00e3o Teatro Liberdade como palha\u00e7o, trabalhando cinco anos no circo. Depois passei a escrever e logo a dar trabalho para a pol\u00edcia. A primeira pe\u00e7a, \u201cBarrela\u201d, esta proibida at\u00e9 hoje j\u00e1 faz 18 anos.<\/p>\n<p>&#8211; Essa pe\u00e7a falava em pres\u00eddios?<\/p>\n<p> PM -Pres\u00eddio, exatamente. O que \u00e9 pena, pois \u00e9 apenas uma reportagem de dezoito anos atr\u00e1s, mas que ainda tem valor hoje porque a realidade brasileira n\u00e3o se alterou. Muito pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 piorou, n\u00e9?<\/p>\n<p>\u2013 Esse \u00faltimo musical seu \u201cO Poeta da Vila\u201d fala especialmente da vida de Noel Rosa. Seria oportuno que voc\u00ea lembrasse o show anterior onde, al\u00e9m do humor, fazia uma esp\u00e9cie de divulga\u00e7\u00e3o do samba paulista?<\/p>\n<p>PM \u2013 \u201cPl\u00ednio Marcos e os Pagodeiros. O Humor Grosso e Maldito das Quebradas do Mundar\u00e9u\u201d era uma tentativa de se criar espa\u00e7o para os compositores aut\u00eanticos do samba de S\u00e3o Paulo, como Toniquinho Batuqueiro, Talism\u00e3, Geraldo Fiume, Zeca da Casa Verde, Paulinho Carneiro, Silvio Modesto, essa turma a\u00ed.<\/p>\n<p>\u2013 E o resultado?<\/p>\n<p>PM \u2013 Foi muito bom. Gravamos discos. Fizemos novela na televis\u00e3o, e outros programas. Realizamos uma por\u00e7\u00e3o de coisas. Acontece que enquanto a gente n\u00e3o tiver posse do mercado brasileiro, enquanto n\u00f3s vivermos de importa\u00e7\u00e3o de cultura de consumo, nada vai ser bom para o artista brasileiro.<\/p>\n<p>*Amanh\u00e3 continua&#8230;<\/p>\n<p>* FOTO no blog: Caio Kenji<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antecipo-me \u00e0s reportagens que inevitavelmente destacar\u00e3o, a partir de amanh\u00e3, 31 de mar\u00e7o, o 45\u00ba anivers\u00e1rio da Redentora. 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