{"id":11281,"date":"2009-04-04T00:00:00","date_gmt":"2009-04-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:40","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:40","slug":"em-memoria-de-ankito-e-marvin-gaye","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/em-memoria-de-ankito-e-marvin-gaye\/","title":{"rendered":"Em mem\u00f3ria de Ankito e Marvin Gaye"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9ramos garotos de tudo; dez, onze anos.<\/p>\n<p>Meninos livres, vo\u00e1vamos soltos pelas ruas e os campinhos improvisados, de terra batida, no bairro do Cambuci. <\/p>\n<p>Filhos de oper\u00e1rios, t\u00ednhamos a vida remediada de quem mora de aluguel e conta os trocados para tocar os dias e tentar ser feliz.<\/p>\n<p>E \u00e9ramos felizes \u00e0 nossa maneira naquela pacata S\u00e3o Paulo do in\u00edcio dos anos 60.<\/p>\n<p>Nossa maior divers\u00e3o \u2013 onde r\u00edamos pra valer, r\u00edamos \u201cde doer a barriga\u201d ou \u201cde cair da cadeira\u201d, como se dizia ent\u00e3o \u2013 eram as matin\u00eas do Cine Riviera nas tardes de domingo. E a maior divers\u00e3o das matin\u00eas do Cine Riviera nas tarde de domingo era ver os filmes de Ankito, particularmente lembro de \u201cVai Que \u00c9 Mole\u201d (1960) com Grande Otelo e J\u00f4 Soares em in\u00edcio de carreira, impag\u00e1vel como o ladr\u00e3o Bolinha, e \u201cOs Tr\u00eas Cangaceiros\u201d (1961) que fez ao lado de Grande Otelo e o genial Ronald Golias.<\/p>\n<p>Acordei com uma baita saudade daqueles dias ing\u00eanuos, das chancadas ing\u00eanuas do agora saudoso Ankito e da ingenuidade que n\u00e3o existe mais em mim&#8230;<\/p>\n<p>* Ankito (ou Anchizes Pinto) morreu na segunda, dia 30, no Rio de Janeiro. Era paulistano do Br\u00e1s e tinha 84 anos.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Em meados dos anos 70, quando comecei no jornalismo \u2013 repare nos meus cabelos grisalhos na foto a\u00ed em cima, rapaziada \u2013 havia nas reda\u00e7\u00f5es uma divis\u00e3o bem espec\u00edfica dentro das editorias de Cultura &#8212; grafava-se assim em alta. Quem escrevia sobre cinema escrevia sobre cinema \u2013 e ponto. Nada de dar pitacos em outra arte. O mesmo rigor valia para teatro, TV, artes pl\u00e1sticas&#8230; Para m\u00fasica, n\u00e3o; era diferente. Existia o cara que escrevia sobre m\u00fasica internacional (o mais famoso era o Ezequiel Neves, do Jornal da Tarde) e o que mandava ver na MPB \u2013 e aqui eram tantos e tamanhos que ficarei em apenas dois nomes para n\u00e3o cansar o leitor com assuntos paralelos: Maur\u00edcio Kubrusly, tamb\u00e9m do JT e hoje est\u00e1 no Fant\u00e1stico, e o Dirceu Soares, da Folha de S. Paulo.<\/p>\n<p>Como os preclaros leitores j\u00e1 devem imaginar, eu era fan\u00e1tico MPB Futebol Clube.<\/p>\n<p>Admito tamb\u00e9m, e com algum constrangimento, que funcion\u00e1vamos como torcidas de futebol.<\/p>\n<p>N\u00e3o que cheg\u00e1ssemos \u00e0s vias de fato, como as tais organizadas de hoje, longe disso. Mas, as discuss\u00f5es eram acaloradas sobre qual lan\u00e7amento era mais importante e, conseq\u00fcentemente, merecia maior espa\u00e7o gr\u00e1fico ou o lugar nobre, no alto da p\u00e1gina.<\/p>\n<p>Lembro-me agora de uma queda de bra\u00e7o com o amigo (mesmo escrevendo sobre m\u00fasica alien\u00edgena) e jornalista Cl\u00f3vis Naconecy de Souza.<\/p>\n<p>Ele mandou que prestasse aten\u00e7\u00e3o ao lan\u00e7amento de um novo disco do Quenn e se dizia maravilhado.<\/p>\n<p>Torci o nariz. Mas, no dia seguinte, na reda\u00e7\u00e3o, com a li\u00e7\u00e3o de casa cumprida. N\u00e3o lhe disse n\u00e3o ouvi e n\u00e3o gostei que n\u00e3o sou desses que tem opini\u00e3o fechada sobre tudo e sobre todos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma audi\u00e7\u00e3o superficial em casa, cheguei chegado, com meu veredito pronto, o que gerou uma in\u00fatil discuss\u00e3o sem fim e sem prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>&#8212; Nada al\u00e9m do que uma opereta de fundo de quintal. Por falar nisso, voc\u00ea j\u00e1 ouviu o novo disco do Caetano?<\/p>\n<p>Bem, n\u00e3o vou repetir aqui os coment\u00e1rios do amigo sobre Caetano porque, como j\u00e1 disse acima, n\u00e3o quero cansar o leitor com assuntos paralelos etc etc. Tamb\u00e9m porque n\u00e3o me lembro da \u00edntegra de suas palavras; mas n\u00e3o eram l\u00e1 muito am\u00e1veis, tenham toda a certeza.<\/p>\n<p>Raramente, resist\u00edamos a chance de provocar um ao outro na \u00e1rea musical. Digamos, que era o mais divertido da conviv\u00eancia de todos ali. Mas, esses tais consensos aconteciam e eram inevit\u00e1veis quando o Cl\u00f3vis vinha com um disco de Marvin Gaye \u2013 e a\u00ed, sim,  eu capitulava.<\/p>\n<p>Era, ent\u00e3o, a minha vez de ficar&#8230; m a r a v i l h a d o.<\/p>\n<p>* Marvin Gaye, o pr\u00edncipe do soul, completaria 70 anos nesta quarta, 2 de abril. Morreu em 1984, um dia antes de completar 45 anos, com um tiro no peito, assassinado pelo pr\u00f3prio pai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9ramos garotos de tudo; dez, onze anos.<\/p>\n<p>Meninos livres, vo\u00e1vamos soltos pelas ruas e os campinhos improvisados, de terra batida, no bairro do Cambuci. <\/p>\n<p>Filhos de oper\u00e1rios,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11281","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11281"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16671,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11281\/revisions\/16671"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}