{"id":11286,"date":"2008-10-27T00:00:00","date_gmt":"2008-10-27T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T03:59:42","modified_gmt":"2017-09-14T03:59:42","slug":"relatos-sobre-as-eleicoes-em-sampa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/relatos-sobre-as-eleicoes-em-sampa\/","title":{"rendered":"Relatos sobre as elei\u00e7\u00f5es em Sampa"},"content":{"rendered":"<p>Minha amiga e ass\u00eddua leitora Doris n\u00e3o vai gostar do que hoje aqui vou escrever.<\/p>\n<p>Ela curte mais quando o texto cai para o lado mais rom\u00e2ntico, fale de amores que seriam poss\u00edveis, mas se tornaram eternos. Essas coisas todas que, a bem da verdade, tamb\u00e9m adoro ler e imaginar hist\u00f3rias que transformo em posts\/cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Hoje, por\u00e9m, dado ao adiantado da hora eleitoral, me vejo incitado a meter meu bedelho no pleito municipal que ocorre domingo em todo Brasil, e especialmente em S\u00e3o Paulo, cidade onde n\u00e3o moro, mas voto&#8230;<\/p>\n<p>Explico o porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Um tanto por que como jornalista acompanhei elei\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis a partir de 1982, quando Franco Montoro se elegeu governador de S\u00e3o Paulo. Dizem que o uso do cachimbo deixa a boca torta, pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Dif\u00edcil para um rep\u00f3rter vira-lata, como o que fui e sempre serei, n\u00e3o dar pitacos nessa hora.<\/p>\n<p>Depois por que \u00e9 evidente a relev\u00e2ncia da escolha o paulistano para que se prospecte os caminhos do Pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos. Meu saudoso pai, o Velho Aldo, dizia que sempre foi assim. E era inevit\u00e1vel que lembrasse das querelas Adhemar de Barros versus J\u00e2nio da Silva Quadros. <\/p>\n<p>Eu, particularmente, vivo essa realidade desde 1985, quando o Brasil consolidava o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o \u2013 e, para surpresa geral, o ent\u00e3o senador Fernando Henrique, candidat\u00edssimo das for\u00e7as progressistas, foi surrado nas urnas por J\u00e2nio Quadros que reaparecia no cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional, calcado na mais retr\u00f3grada das alian\u00e7as. Que inclu\u00eda pol\u00edticas e pol\u00edticos de um passado remoto, al\u00e9m de outros nomes que notoriamente serviram \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p>A conseq\u00fc\u00eancia dessa derrocada \u00e9 que, n\u00e3o demorou, para que o ent\u00e3o presidente Jos\u00e9 Sarney fizesse uma reforma ministerial, com um perfil muito mais \u00e0 direita. Que se consagrou pelo uso de uma cita\u00e7\u00e3o b\u00edblica, popularizada pelo ent\u00e3o deputado Roberto Cardoso Alves, que virou ministro da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio em 88.<\/p>\n<p>A frase definiu bem o que foi esse per\u00edodo:<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 dando que se recebe.<\/p>\n<p>\u00c9 DANDO QUE SE RECEBE<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de hoje n\u00e3o \u00e9 diferente. <\/p>\n<p>De olho no cen\u00e1rio de 2010, continua o &quot;\u00e9 dando que se recebe.&quot;<\/p>\n<p>Ao que demonstram as pesquisas de ontem, Marta e Kassab seguem imp\u00e1vidos para o segundo turno. O que por si s\u00f3 revela a vit\u00f3ria de seus dois padrinhos pol\u00edticos, senhores virtuais do pr\u00f3ximo pleito: o presidente Lula e o governador Jos\u00e9 Serra.<\/p>\n<p>Para a galera das arquibancadas, o presidente \u2013 queiramos ou n\u00e3o, um h\u00e1bil estrategista \u2013 acena com a candidatura da ministra Dilma Roussef. Mas, h\u00e1 quem veja uma possibilidade de um outro nome, visto que a ministra j\u00e1 vem sendo exposta aos le\u00f5es da m\u00eddia h\u00e1 um largo tempo. <\/p>\n<p>Como no PT n\u00e3o h\u00e1 nomes representativos para suced\u00ea-la, esses mesmos analistas da cena pol\u00edtica n\u00e3o descartam a chance de Lula cooptar nomes de outros partidos \u2013 e n\u00e3o importa se fa\u00e7am parte hoje da alian\u00e7a governista. Uma conversa com Crist\u00f3v\u00e3o Buarque, do PDT, aconteceu por esses dias no Planalto. Lula pediu que se juntassem for\u00e7as para elei\u00e7\u00e3o de Dilma e ouviu que o pr\u00f3prio Buarque \u00e9 candidat\u00edssimo a sucede-lo, se o partido assim o quiser.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 um primeiro contato. Mas, o di\u00e1logo est\u00e1 em aberto. Outros nomes sempre citados s\u00e3o os de Ciro Gomes (PPS) e A\u00e9cio Neves que, mineiramente, conseguiu costurar uma inimagin\u00e1vel alian\u00e7a com o PT nas elei\u00e7\u00f5es municipais de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>\u00c9 bom que se registre nenhum dos candidatos acima \u00e9 o nome dos sonhos do partido do presidente e do pr\u00f3prio presidente que, do alto de seus bons \u00edndices de popularidade, n\u00e3o se imagina apear do poder t\u00e3o cedo. <\/p>\n<p>Desde j\u00e1, fala-se em Lula l\u00e1 em 2014&#8230;<\/p>\n<p>Do lado tucano, o troco de Jos\u00e9 Serra \u00e0s artimanhas que lhe tiraram da candidatura presidencial em 2006 se configura agora se Kassab confirmar nas urnas o que as pesquisas apontam. Deixa Geraldo Alckmin sem espa\u00e7o no PSDB paulista, inclusive para tentar voltar ao Governo do Estado em 2010. Importante perceber como os pr\u00f3ceres tucanos \u2013 entre os quais, o ex-presidente Fernando Henrique \u2013 o deixaram \u00e0 deriva nesta campanha. Se Alckimin n\u00e3o for para o segundo turno, a fama de desagregador vai lhe valer v\u00f4os mais modestos no futuro mais pr\u00f3ximo. Pode tentar o senado em 2010 ou mesmo a C\u00e2mara Federal, onde j\u00e1 esteve por duas legisla\u00e7\u00f5es antes de receber as b\u00ean\u00e7\u00e3os de M\u00e1rio Covas que concorria ao Governo do Estado em 94.<\/p>\n<p>Alckimin pode at\u00e9 deixar o partido, dizem. O que particularmente eu duvido. PSDB continuar\u00e1 rachado, mas parecer\u00e1 mais que unido aos olhos do p\u00fablico. Tudo para fazer Serra presidente em 2010 e n\u00e3o perder o trem da Hist\u00f3ria como uma das duas grandes agremia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>RESCALDO&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; das urnas em S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>\u2022Imposs\u00edvel dissociar a elei\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo do pleito presidencial de 2010.<\/p>\n<p>\u2022H\u00e1 um grande vencedor e as urnas n\u00e3o deixaram d\u00favidas. Gilberto Kassab, o atual prefeito surpreendeu e \u00e9 favorito para se reeleger nessa reta de chegada. <\/p>\n<p>\u2022F\u00e1cil identificar que a TV foi determinante para que Kassab se consolidasse como uma candidatura vi\u00e1vel \u2013 e, at\u00e9 certo ponto, renovadora. Partiu de \u00edndices modestos que o colocavam em terceiro lugar e atropelou forte no final. Est\u00e1 em alta, e ainda parece ter f\u00f4lego para o segundo rounde.<\/p>\n<p>\u2022O eleitorado de S\u00e3o Paulo adora um \u201cismo\u201d \u2013 e n\u00e3o \u00e9 de hoje. Adhemarismo, janismo, malufismo. Talvez o kassabismo seja o novo fen\u00f4meno que indica uma certa tend\u00eancia \u00e0 direita e ao centro.<\/p>\n<p>\u2022A partir da\u00ed \u2013 e da p\u00edfia vota\u00e7\u00e3o que Maluf recebeu ontem \u2013 n\u00e3o \u00e9 exagero dizer que Kassab passa a ser nome forte deste segmento mais conservador do eleitorado paulistano, com ramifica\u00e7\u00f5es por todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u2022\u00c0 dist\u00e2ncia, \u00e9 poss\u00edvel constatar outros dois vencedores: o presidente Lula e o governador Jos\u00e9 Serra. Seus candidatos \u2013 Marta e Kassab \u2013 foram para o segundo turno.<\/p>\n<p>\u2022Projeta-se, ent\u00e3o, uma disputa presidencial em 2010 a partir desses dois nomes.<\/p>\n<p>\u2022Serra, candidat\u00edssimo pelo PSDB; ali\u00e1s como deveria ter acontecido em 2006.<\/p>\n<p>\u2022N\u00e3o um sucessor dentro das lides petistas para Lula, o que s\u00f3 a\u00e7oda a gula de eventuais candidatos a candidatos.<\/p>\n<p>\u2022A tese do terceiro mandato foi mesmo para as cucuias, salvo mudan\u00e7a repentina nos ventos. <\/p>\n<p>\u2022De qualquer forma, Lula aparece hoje como mentor eleitoral do eventual candidato da situa\u00e7\u00e3o; preferencialmente sa\u00eddo da legenda do PT.<\/p>\n<p>\u2022Hoje. \u00e9 not\u00f3ria a prefer\u00eancia de Lula pela ministra Dilma Roussef para suced\u00ea-lo, mas h\u00e1 graves restri\u00e7\u00f5es ao seu nome entre os aliados governistas \u2013 especialmente dentro do PT.<\/p>\n<p>\u2022H\u00e1 quem veja possibilidades claras de alian\u00e7a no futuro. N\u00e3o se deve subestimar os nomes de Ciro Gomes e A\u00e9cio Neves entre os cotados.<\/p>\n<p>\u2022Dif\u00edcil para o PT ser\u00e1 entregar os an\u00e9is.<\/p>\n<p>\u2022Em ocasi\u00f5es anteriores, perdeu os dedos mas n\u00e3o se abriu para conversas.<\/p>\n<p>\u2022De resto, o vereador mais votado de S\u00e3o Paulo foi o ex-secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o, Gabriel Chalita, do PSDB, com mais de 100 mil votos. O pagodeiro Netinho de Paula, aquele, foi o terceiro mais votado, aproximados 85 mil votos. Netinho saiu pelo PC do B e sua expressiva vota\u00e7\u00e3o abriu vaga para mais tr\u00eas nomes do Partid\u00e3o.<\/p>\n<p>FURAC\u00c3O ERUNDINA<\/p>\n<p>O furac\u00e3o \u201cErundina\u201d varreu as urnas na elei\u00e7\u00e3o municipal de 88. O pleito se realizava em apenas um turno. O vencedor levava. Foi a primeira vit\u00f3ria expressiva do Partido dos Trabalhadores \u2013 e, de certa forma, referendou e al\u00e7ou ao patamar de realidade a candidatura Lula para presidente no ano seguinte sem mais jurumelas.<\/p>\n<p>A esquerda tinha nomes fortes, ent\u00e3o. Um leque que se abria com M\u00e1rio Covas, tinha Ulysses Guimar\u00e3es e passava pelo ent\u00e3o imbat\u00edvel governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. Havia tamb\u00e9m Roberto Freire, pela hist\u00f3rica sigla do PCB. <\/p>\n<p>O metal\u00fargico e l\u00edder sindical corria por fora. Os campe\u00f5es de votos \u2013 e maiores amea\u00e7as ao sistema \u2013 eram Ulysses, o ent\u00e3o Sr. Diretas, e o incendi\u00e1rio Leonel Brizola. Brizola que, em seus longos discursos \u00e0 la Fidel, dizia que o primeiro ato de seu governo seria \u201cacabar com o monop\u00f3lio da Rede Globo\u201d.<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 demais lembrar que, para vencer e se tornar prefeita em 88, Erundina derrotou Paulo Maluf (PDS), Jos\u00e9 Serra (PSDB) e Jo\u00e3o Leiva, do PMDB quercista.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, e com o respaldo do maior col\u00e9gio eleitoral do Pa\u00eds, a milit\u00e2ncia do PT foi \u00e0s ruas acreditando que o sonho era poss\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 certo que havia \u201cum fio desencapado\u201d chamado Collor no meio do caminho.<\/p>\n<p>Mas esta \u00e9 uma outra hist\u00f3ria de elei\u00e7\u00f5es que fica para uma pr\u00f3xima vez&#8230; <\/p>\n<p>A RECA\u00cdDA<br \/>\nEm 1992, S\u00e3o Paulo teve uma reca\u00edda e elegeu Paulo Maluf como prefeito.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem aponte como causa os inequ\u00edvocos altos e baixos da gest\u00e3o Erundina que come\u00e7ou oscilante \u2013 at\u00e9 por desconhecimento da m\u00e1quina administrativa \u2013 mas depois se recuperou. <\/p>\n<p>E h\u00e1 ainda quem considere, desde sempre, insond\u00e1veis os des\u00edgnios do eleitorado paulistano sempre pronto a aprontar das suas. Nos idos de 60, antes da Redentora, um rinoceronte que acabara de aportar no z\u00f4o, apelidado de Cacareco, foi o mais votado nas urnas paulistanas. As c\u00e9dulas de papel permitiam esses destemperos&#8230;<\/p>\n<p>Naquele pleito de 92, no entanto, outra tradi\u00e7\u00e3o se fez valer. A de votar na Oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 85, o prefeito era M\u00e1rio Covas, do ent\u00e3o PMDB. Elegeu-se J\u00e2nio Quadros, do PTB. Tr\u00eas anos depois (J\u00e2nio teve um mandato mais curto para coincidir o calend\u00e1rio eleitoral), Erundina desconsertou a todos com sua elei\u00e7\u00e3o, pelo emergente Partido dos Trabalhadores (PT). Agora, em 92, a volta dos que n\u00e3o foram. Veio o troco e deu Maluf com mais de 2 milh\u00f5es de votos. <\/p>\n<p>Desnecess\u00e1rio dizer, mas digo: Maluf governou no velho estilo.Entre a den\u00fancia de um esc\u00e2ndalo e outro, a inaugura\u00e7\u00e3o de obras fara\u00f4nicas \u2013 t\u00faneis, viadutos, cingapuras.<\/p>\n<p>O paulistano, naquele primeiro momento, gostou. <\/p>\n<p>Os \u00edndices de popularidade de Maluf subiram aos p\u00edncaros da gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como conseq\u00fc\u00eancia, o sonho presidencial voltou a inebriar os cora\u00e7\u00f5es e as mentes das lides malufistas. Antes, por\u00e9m, o homem precisaria fazer o seu sucessor na Municipalidade paulistana.<\/p>\n<p>Adivinhem de quem vamos falar no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo?<\/p>\n[*S\u00f3 para constar: nesta elei\u00e7\u00e3o, Maluf n\u00e3o foi al\u00e9m dos 370 mil votos. Sinais dos tempos&#8230;] <\/p>\n<p>O TSUNAMI<br \/>\nTal qual um m\u00e1gico ilusionista, Maluf tirou da cartola o nome de Celso Pitta para concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es municipais de 1996 em S\u00e3o Paulo. Duas correntes do malufismo digladiavam-se para receber as b\u00ean\u00e7\u00e3os do poderoso chef\u00e3o. Eram lideradas por dois chefes pol\u00edticos representativos no cl\u00e3, Salim Curiati e Calim Eid. <\/p>\n<p>Em 98, o chef\u00e3o Maluf voaria para os Bandeirantes ou para o Planalto. <\/p>\n<p>Quem herdaria a cidade?<\/p>\n<p>Para n\u00e3o desgostar nenhum deles \u2013 e n\u00e3o ver o malufismo rachado &#8211;, a solu\u00e7\u00e3o foi o PPS indicar o ex-funcion\u00e1rio das empresas da Fam\u00edlia Maluf e que, nos \u00faltimos anos, respondera pela Secretaria Municipal das Finan\u00e7as.<\/p>\n<p>A seu favor, Celso Pitta tinha alguns pontos. Era um novo nome no cen\u00e1rio pol\u00edtico. Estudara em Londres, tinha gestos contidos e fala pausada. Era um negro bem-sucedido, o que, al\u00e9m de quebrar uma s\u00e9rie de estigmas sociais, poderia trazer \u00e0s lides malufistas uma simpatia das chamadas minorias.<\/p>\n<p>Desde a c\u00e9lebre \u2013 e infeliz \u2013 frase \u201cEstupra, mas n\u00e3o mata\u201d, Maluf aumentara sua p\u00e9ssima fama e a fama de intolerante.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, mesmo com todo esse cabedal, o afilhado n\u00e3o fazia jus aos \u00edndices de popularidade do chef\u00e3o. A candidatura Pitta n\u00e3o decolava \u2013 as pesquisas o colocavam atr\u00e1s dos candidatos Luiza Erundina (PT) e Jos\u00e9 Serra (PSDB). <\/p>\n<p>Suas chances eram remotas&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 que entrou em cena um brinquedinho publicit\u00e1rio que se denominou Fura Fila.<\/p>\n<p>Foi a vez do marketing pol\u00edtico brincar de ilusionismo na TV. <\/p>\n<p>Exibida \u00e0 exaust\u00e3o no hor\u00e1rio gratuito eleitoral, a anima\u00e7\u00e3o de um \u00f4nibus a cortar o tr\u00e2nsito e ligar a cidade de um ponto a outro encantou os espectadores\/eleitores. Mais ou menos nos moldes das Organiza\u00e7\u00f5es Tabajara, o brinquedinho anunciava algo como: \u201cseus problemas acabaram\u201d.<\/p>\n<p>Oportunamente, aproveitou-se o tamp\u00e3o sobre o rio Tamanduate\u00ed para \u201ccomprovar\u201d que a obra inclusive estava em andamento. E foi na base do \u201cme engana que eu gosto\u201d que o paulistano foi \u00e0s urnas e transformou Celso Pitta em prefeito de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ele derrotou Erundina no segundo turno \u2013 e os mais sensatos j\u00e1 anteviam: era inevit\u00e1vel o tsunami que arrasaria a segunda maior cidade do hemisf\u00e9rio sul&#8230; <\/p>\n<p>CRIADOR E CRIATURA<br \/>\nN\u00e3o durou muito a harmoniosa conviv\u00eancia entre criador e criatura pelos corredores e salas da Prefeitura paulistana. T\u00e3o logo se assenhoreou do cargo, Celso Pitta, tratou de desmontar o staff de correligion\u00e1rios de Maluf que ocupavam secretarias, subprefeituras e outros postos chaves da administra\u00e7\u00e3o municipal.<\/p>\n<p>N\u00e3o estava combinado assim.<\/p>\n<p>Mas, assim foi&#8230;<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, como j\u00e1 ocorrera tantas outras vezes na vida e, principalmente, na pol\u00edtica. Era ainda recente o lit\u00edgio entre Orestes Qu\u00e9rcia e Luiz Ant\u00f4nio Fleury Filho que o sucedeu como governador de S\u00e3o Paulo em 1990. De um secret\u00e1rio desconhecido, Fleury foi al\u00e7ado ao Pal\u00e1cio dos Bandeirantes pelas b\u00ean\u00e7\u00e3os e m\u00e1quina do chefe. Meses depois \u2013 ser\u00e1 que chegou a tanto? \u2013 estavam rompidos.<\/p>\n<p>Pitta repetia a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A cada dia sentia-se mais \u00e0 vontade para trocar assessores e secret\u00e1rios e montar uma equipe pr\u00f3pria. Que, de resto, n\u00e3o inspirava confian\u00e7a em ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou, ent\u00e3o, uma luta pela sobreviv\u00eancia dentro da pr\u00f3pria Prefeitura que se espalhou entre os diversos escal\u00f5es. De alguma forma, consagrou-se entre os malufistas empregados na Municipalidade a c\u00e9lebre frase:<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o foi ou \u00e9 ou ser\u00e1&#8230; desempregado.<\/p>\n<p>Para deixar a situa\u00e7\u00e3o mais inst\u00e1vel, os demitidos sa\u00edam botando a boca no trombone. Deu-se uma enxurrada de den\u00fancias de esquemas que funcionavam em sob o toldo da Prefeitura. Instalou-se o caos na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. M\u00e1fia dos Camel\u00f4s. M\u00e1fia das Regionais. Vereador situacionista preso por levar \u2018bola\u2019. Esc\u00e2ndalos nas secretarias.<br \/>\nMas a grande bomba estava por explodir&#8230;<\/p>\n<p>Foi a vez da esposa do prefeito, Nic\u00e9ia Pitta, ir ao Globo Rep\u00f3rter e desancar o marido e suas tram\u00f3ias como alcaide paulistano.<\/p>\n<p>Pitta foi amea\u00e7ado de impeachment. Chegou a deixar o cargo por uma a\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a \u2013 assumiu o vice R\u00e9gis de Oliveira, que uma semana de gl\u00f3ria \u2013, mas foi logo reconduzido tamb\u00e9m por decis\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Ele conseguiu terminar o mandato e as pend\u00eancias at\u00e9 hoje se arrastam nos tribunais. <\/p>\n<p>Para a cidade, o estrago foi descomunal.<\/p>\n<p>A PROMESSA<\/p>\n<p>Retomo hoje a seq\u00fc\u00eancia da breve hist\u00f3ria das elei\u00e7\u00f5es para prefeito da cidade de S\u00e3o Paulo. Retomo, na verdade, por dois bons motivos. Primeiro, pela repercuss\u00e3o do debate de ontem na TV Bandeirantes. Ao que parece, esquentaram os tamborins de acusa\u00e7\u00f5es e ataques mais frontais. At\u00e9 o mediador, o jornalista Boris Casoy, saiu algo temeroso com a rea\u00e7\u00e3o dos candidatos e da plat\u00e9ia, que se manifestou v\u00e1rias vezes. \u201cPensei que a coisa toda fosse degringolar a qualquer momento\u201d, disse ap\u00f3s o programa. Segundo, porque \u00e9 incontrol\u00e1vel a vontade de meter minha colher de pau nesse angu de caro\u00e7o. De resto, estamos a\u00ed. J\u00e1 que comecei com a s\u00e9rie n\u00e3o h\u00e1 como parar na metade.<\/p>\n<p>No texto de sexta passada, paramos nas conseq\u00fc\u00eancias nefastas da gest\u00e3o Pitta em S\u00e3o Paulo. A defini\u00e7\u00e3o que se consagrou \u2013 e que ontem surgiu muitas vezes no debate \u2013 foi a de que a Prefeitura paulistana se transformou em \u201cterra arrasada\u201d. Marta usou a express\u00e3o para definir como recebeu a Prefeitura de Pitta e Kassab disse o mesmo para definir como ele e o atual governador Jos\u00e9 Serra receberam a Municipalidade das m\u00e3os de Marta.<\/p>\n<p>Desconfio que Marta tem mais de raz\u00e3o do que Kassab. Mas, enfim&#8230;<\/p>\n<p>No imbroglio Maluf\/Pitta, h\u00e1 quem veja \u2013 por mais incr\u00edvel que pare\u00e7a \u2013 um ponto positivo. \u00c9 que durante a campanha para Prefeitura paulistana de 1996, Maluf apareceu, v\u00e1rias vezes no hor\u00e1rio eleitoral, referendando a candidatura do afilhado Celso Pitta:<\/p>\n<p>&#8212; Se Pitta n\u00e3o for um bom prefeito, nunca mais votem em mim.<\/p>\n<p>Lembram da promessa? Os paulistanos, ao que tudo indica, acreditaram piamente. Ano a ano, mingua a vota\u00e7\u00e3o de Paulo Maluf. Depois disso, o pol\u00edtico se candidatou para cargos no Executivo cinco vezes \u2013 tr\u00eas para prefeito e duas para governador \u2013 e perdeu todas. S\u00f3 se elegeu em 2006 para deputado federal porque alguns insistem em promover assuntos para o CQC&#8230; <\/p>\n<p>AS TAIS PERGUNTAS<br \/>\nA campanha eleitoral em S\u00e3o Paulo esquentou nos \u00faltimos dias. Um tanto em fun\u00e7\u00e3o do debate entre os candidatos que se realizou na noite de domingo na TV Bandeirantes. Outro tanto pela insidiosa inser\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria que os marqueteiros de Marta Suplicy bolaram para o hor\u00e1rio eleitoral:<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea sabe se Kassab \u00e9 casado? Se tem filhos?<\/p>\n<p>S\u00e3o as perguntas que o an\u00fancio prop\u00f5e \u2013 e que os analistas pol\u00edticos e a m\u00eddia consideraram uma desrespeitosa invas\u00e3o de privacidade \u00e0 vida pessoal do candidato do Dem. O pr\u00f3prio senador Eduardo Suplicy disse que aconselharia a candidata do PT a n\u00e3o veicular mais essa pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Suplicy \u00e9 mesmo um grande cara.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m acho que n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed que se escolhe o melhor candidato \u00e0 Prefeitura de S\u00e3o Paulo. Se \u00e9 casado ou descasado, se tem ou n\u00e3o filho n\u00e3o s\u00e3o fatores determinantes de um grande gestor p\u00fablico. Se formos por a\u00ed, o risco de cairmos na vala das agress\u00f5es m\u00fatuas e gratuitas passa a ser enorme \u2013 e literalmente todos perdemos com o equ\u00edvoco.<\/p>\n<p>Ouvi hoje na r\u00e1dio Bandeirantes \u2013 que vem fazendo uma not\u00e1vel cobertura do pleito municipal \u2013 o coment\u00e1rio sobre o tema do cientista pol\u00edtico Torquato Guad\u00eancio. Ele classificou como \u201cs\u00f3rdido\u201d o ataque sofrido por Kassab. Disse tamb\u00e9m que, ao contr\u00e1rio do que se imagina, h\u00e1 uma tend\u00eancia do eleitorado em se manifestar a favor do ofendido e assim o tiro sair pela culatra.<\/p>\n<p>Por essa ou por aquelas, leio agora na home do UOL que a pe\u00e7a publicit\u00e1ria n\u00e3o ser\u00e1 veiculada hoje, e h\u00e1 controv\u00e9rsias de que voltar\u00e1 ao ar. De qualquer forma, o que ela queria dizer j\u00e1 disse \u2013 e eu acrescentaria at\u00e9 que a m\u00eddia adorou a provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sei n\u00e3o, viu. Mas, desconfio que o assunto em quest\u00e3o j\u00e1 estivesse pautado h\u00e1 algum tempo. Sei de muita gente que foi atentar para o an\u00fancio depois do que leu nos jornais.<\/p>\n<p>Teria sido ingenuidade dos editores, apre\u00e7o \u00e0 verdade dos fatos ou s\u00f3 estavam esperando a hora para tocar fogo no paiol&#8230; <\/p>\n<p>O DECISIVO APOIO DOS ARTISTAS<br \/>\nMeus caros cinco ou seis leitores, vou lhes dizer porque, sabe bem voc\u00eas, que nada lhes escondo. <\/p>\n<p>Li ontem aqui mesmo na home do UOL, antes de ser lindamente repaginada, que \u201cartistas estavam pedindo votos para Gabeira no Rio de Janeiro\u201d. A not\u00edcia falava dos apoios que o cantor\/compositor Caetano Veloso e a cantora Paula Toller expressaram em seus respectivos blogs \u00e0 candidatura do parlamentar \u00e0quela Prefeitura.<\/p>\n<p>Longe de mim de querer me imiscuir em pleito alheio, eleitor que sou em Sampa. Mas, perdoem-me car\u00edssimos, se vou escapar do que os descolados, alternativos e afins entendem como\u201dpoliticamente correto\u201d, mas se faz incontrol\u00e1vel o desejo de registrar aqui duas breves hist\u00f3rias de elei\u00e7\u00f5es relativamente recentes com a participa\u00e7\u00e3o \u2018decisiva\u2019 de artistas.<\/p>\n<p>Se os amigos j\u00e1 forem entrados nos trinta e tantos, h\u00e3o de se lembrar do mutir\u00e3o de artistas de todos os naipes e calibres que participaram do clip de apoio a Lula para presidente em 1989. Atores, atrizes, o pessoal da MPB, diretores de novelas e de teatro \u2013 o que voc\u00eas imaginarem de relevante nas artes c\u00eanicas e musicais apareceu no hor\u00e1rio eleitoral, repetida vezes, a cantar o singelo refr\u00e3o: <\/p>\n<p>Lula l\u00e1&#8230;<br \/>\n\u00c9 a esperan\u00e7a.<br \/>\nLula l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>E por a\u00ed seguia a can\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Era uma celebra\u00e7\u00e3o. Todos lindos, de branco, sorridentes a cantar&#8230;<\/p>\n<p>Lula l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Nas urnas, deu Fernando Collor que contou como raqu\u00edtico apoio de Mar\u00edlia P\u00eara e Cl\u00e1udia Raia. <\/p>\n<p>(Por um bom tempo, as duas foram olhadas como \u201ctraidoras\u201d da causa p\u00fablica pelos seus pares e pela m\u00eddia.)<\/p>\n<p>A outra historinha bem emblem\u00e1tica ocorreu, anos antes, aqui mesmo em S\u00e3o Paulo. E tamb\u00e9m num pleito municipal. O soci\u00f3logo e senador Fernando Henrique Cardoso era o favorito das pesquisas, da intelectualidade e dos artistas para eleger-se prefeito de S\u00e3o Paulo. Lembro do mo\u00e7o fazendo campanha no centro de S\u00e3o Paulo, ladeado pelas belas Regina Duarte e Mait\u00ea Proen\u00e7a. Rec\u00e9m-chegado de Paris, era s\u00f3 sorrisos e certeza da vit\u00f3ria. <\/p>\n<p>Seu advers\u00e1rio era a sombra do passado, do retrocesso, do populismo: o ex-presidente J\u00e2nio Quadros.<\/p>\n<p>Uma semana antes das elei\u00e7\u00f5es, um grande showm\u00edcio, com a participa\u00e7\u00e3o de Gil, Chico Buarque, Djavan e a fina flor da MPB, reuniu mais de uma milh\u00e3o de pessoas nos arredores do Centro de Conven\u00e7\u00f5es do Anhembi, naquele espa\u00e7o onde hoje se localiza o samb\u00f3dramo paulistano.<\/p>\n<p>Foram horas e horas de cantoria e fala\u00e7\u00e3o. Alguns chamaram o encontro como \u201ca festa da vit\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo assim, houve a vota\u00e7\u00e3o porque, tanto no futebol como nas urnas, ningu\u00e9m ganha na v\u00e9spera \u2013 e o resultado, todos sabem: deu J\u00e2nio por uma diferen\u00e7a de pouco mais de 100 mil votos.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que, no mesmo dia do showm\u00edcio, naquele domingo que era para ser hist\u00f3rico, a candidatura J\u00e2nio Quadros tamb\u00e9m fez o encerramento da campanha numa modesta pra\u00e7a no bairro oper\u00e1rio da Vila Maria. No mesmo hor\u00e1rio, juntou algo em torno de 20 mil pessoas para ouvi-lo discursar e assistir a um show com Moacir Franco e as Irm\u00e3s Galv\u00e3o&#8230; <\/p>\n<p>FOI ASSIM EM 2000<br \/>\nMarta Suplicy foi eleita prefeita de S\u00e3o Paulo, em 2000, ap\u00f3s derrotar o competente Paulo Maluf &#8211; \u201caquele compete, compete, compete\u2026\u201d &#8211; no segundo turno por ampla vantagem de votos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da piada acima, feita na ocasi\u00e3o pelo ent\u00e3o l\u00edder do PT, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, algumas curiosidades marcaram aquele pleito. Creio que a mais relevante foi a decis\u00e3o do governador M\u00e1rio Covas em dar apoio incondicional \u00e0 candidatura de Marta, \u00e0quela altura um nome relativamente novo no cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional.<\/p>\n<p>Explica-se a relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>No primeiro turno, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, quase chegou l\u00e1. Teve um bom desempenho, com aproximadamente 900 mil votos. Ficou em terceiro, atr\u00e1s de Maluf por uma diferen\u00e7a \u00ednfima de cerca de 40 mil votos.<\/p>\n<p>At\u00e9 por for\u00e7a dessa expressiva vota\u00e7\u00e3o, era fundamental a participa\u00e7\u00e3o dos tucanos que, de resto, e por uma caracter\u00edstica inerente ao partido, hesitavam. <\/p>\n<p>A bem da verdade, sobraram farpas ao longo do primeiro rounde da campanha entre petistas e pessedebistas. As pendengas remetiam ainda \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 98. Os institutos de pesquisa anunciaram no dia da vota\u00e7\u00e3o que Marta, tamb\u00e9m candidata ao Governo, n\u00e3o tinha quaisquer chances de ir para o segundo turno. Maluf liderava os indices e os anti-malufistas descarregaram seus votos em M\u00e1rio Covas, consagrando o voto \u00fatil.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a apura\u00e7\u00e3o, a vota\u00e7\u00e3o de Marta supreendeu. Faltou pouco para superar Covas, o anti-Maluf. <\/p>\n<p>No entender dos petistas, foi um equ\u00edvoco premeditado &#8211; o que comprometia a lisura da vit\u00f3ria de Covas.<\/p>\n<p>Os tucanos n\u00e3o gostaram, \u00f3bvio. E demoravam a manifestar de que lado estariam.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que Covas veio a p\u00fablico e, no melhor estilo, p\u00f4s fim \u00e0 celeuma. Apoiaria Marta por um motivo simples. Sempre que Maluf estivesse de um lado, ele, M\u00e1rio Covas, e o PSDB estariam do outro.<\/p>\n<p>B\u00e1sico&#8230;<\/p>\n<p>Divertido nesta elei\u00e7\u00e3o foi ouvir a esfarrada desculpa de Maluf para continuar competindo. Lembram que ele dissera que, se Pitta n\u00e3o fosse um bom prefeito, ningu\u00e9m precisaria votar em Paulo Maluf? <\/p>\n<p>Pois \u00e9\u2026<\/p>\n<p>Agora ele justificava a candidatura dizendo que os paulistanos precisariam eleg\u00ea-lo para que pudesse corrigir os erros de seu ex-afilhado, Celso Pitta. <\/p>\n<p>A REJEI\u00c7\u00c3O DE DONA MARTA<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 como negar. Marta Suplicy fez uma boa administra\u00e7\u00e3o \u00e0 frente da Prefeitura de S\u00e3o Paulo a partir de 2001. Herdou a Municipalidade em cacos, ap\u00f3s o per\u00edodo Pitta, e fez realiza\u00e7\u00f5es interessantes como o saneamento das finan\u00e7as e os propalados Ceus. Teve erros e vacilos, como a cria\u00e7\u00e3o da taxa do lixo e o discurso de que governava para a periferia. Nada absolutamente comprometedor. No entanto, foi fragorosamente derrotada pelo ent\u00e3o candidato Jos\u00e9 Serra nas elei\u00e7\u00f5es de 2004, apesar da milion\u00e1ria campanha que fez para reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais do que a an\u00e1lise de seu governo, alguns pontos influ\u00edram, de forma decisiva, para o resultado da elei\u00e7\u00e3o. Importante, por exemplo, destacar a escolha de Jos\u00e9 Serra como candidato do PSDB. N\u00e3o s\u00f3 por sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica eleitoral, mas principalmente pelo residual de votos que manteve desde que, em 2002, disputou a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, enfrentando Lula. Serra ainda estava na lembran\u00e7a do eleitorado como um candidato de porte e calibre nacional.<\/p>\n<p>Outro ponto decisivo foi a performance t\u00edbia &#8211; o que \u00e9 natural, mas n\u00e3o para os eleitores &#8211; dos dois primeiros anos do Governo Lula. Mesmo com bons \u00edndices de popularidade &#8211; s\u00f3 afetados posteriormente pelos esc\u00e2ndalos do mensal\u00e3o e afins &#8211; o paulistano preferiu algo mais \u201cconservador\u201d e com resultados convincentes no governo do Estado. Ou seja, uma administra\u00e7\u00e3o tucana. \u00c9 bem verdade que muitos j\u00e1 imaginavam que Serra n\u00e3o permaneceria no cargo at\u00e9 o fim do mandato &#8211; era \u00f3bvia sua futura candidatura para governador ou para presidente &#8211; resolveram arriscar.\u00c0 \u00e9poca , a campanha do PT tentou bater na origem \u201cum tanto suspeita\u201d do candidato a vice, o ent\u00e3o pefelista Gilberto Kassab &#8211; amigo do Maluf e secret\u00e1rio de Celso Pitta &#8211; mas, n\u00e3o surtiu efeito.<\/p>\n<p>O terceiro aspecto que derrubou Marta foi que ela perdeu para ela mesmo. Desde a vit\u00f3ria no primeiro turno, ela adotou um discurso e uma postura que boa parcela dos paulistanos considerou \u201carrogante\u201d &#8212; e essa imagem come\u00e7ou a ganhar contornos mais efetivos junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o durante o mandato e especialmente depois que se separou do senador Eduardo Suplicy. Sei que vida pessoal \u00e9 vida pessoal, mas a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o gostou &#8211; e ponto. Ao que consta, Marta nunca se preocupou com esse estigma que se consolidou definitivamente quando ela, ent\u00e3o ministra do Turismo, soltou o c\u00e9lebre \u201crelaxa e goza\u201d em pleno apag\u00e3o dos aeroportos. <\/p>\n<p>A fama de antip\u00e1tica gerou altos \u00edndices de rejei\u00e7\u00e3o que pode afast\u00e1-la, ao menos por enquanto, de um segundo mandato como prefeita de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>AINDA SOBRE ELEI\u00c7\u00d5ES<br \/>\nConversa inevit\u00e1vel hoje por todos os lugares onde andei: a vit\u00f3ria de Gilberto Kassab em S\u00e3o Paulo e a repercuss\u00e3o do feito num futuro bem pr\u00f3ximo. J\u00e1 dissemos isso ao fim do primeiro turno e reiteramos agora: outro grande vitorioso foi o governador Jos\u00e9 Serra que saiu desta candidat\u00edssimo \u00e0 sucess\u00e3o de Lula daqui a dois anos.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, percebo nitidamente certo ufanismo entre os vitoriosos e seus eleitores. Ao que anunciam j\u00e1 est\u00e1 tudo nos conformes para 2010. D\u00e1 Serra na cabe\u00e7a, com apoio da popularidade emergente de Kassab, entre outras lideran\u00e7as pa\u00eds afora.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Ontem mesmo na TV vi um tucano de rica plumagem (que, diga-se, trafega com a mesma desenvoltura pelas alas de Alckmin e Serra) anunciar uma futura prov\u00e1vel dobrada de Serra com o governador mineiro A\u00e9cio Neves que sairia como vice. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>At\u00e9 a recatada apresentadora animou-se com a possibilidade. Diria at\u00e9 que quase deixou escapar um euf\u00f3rico \u201cimbat\u00edvel\u201d. Quase. Um cientista pol\u00edtico que tamb\u00e9m participava do programa tratou de sensatamente fazer a ressalva:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o \u00e9 uma dobradinha t\u00e3o simples de se costurar. <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>O mo\u00e7o tem raz\u00e3o. Ele n\u00e3o disse que n\u00e3o era poss\u00edvel. Explicou que h\u00e1, desde j\u00e1, diversos interesses em jogo &#8211; e de todas as partes envolvidas no perigoso jogo do Poder. Especialmente por que em pol\u00edtica sempre vale lembrar o tal dito popular: \u201cSe o cavalo passar atrelado, trate de montar. A gente nunca sabe quando vai passar de novo. N\u00e3o sabe at\u00e9 se vai passar\u201d.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Pensem comigo. N\u00e3o seria f\u00e1cil convencer A\u00e9cio esperar, no m\u00ednimo, mais quatro anos. Quais os caminhos que ele precisaria seguir para continuar na cena pol\u00edtica e na mira da m\u00eddia nacional?<\/p>\n<p>VII. <\/p>\n<p>Tem outra. Podem ser oito anos, claro. Pois, se Jos\u00e9 Serra vencer, vai querer dar um repeteco em 2014, certo? <\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>O governador de Minas \u00e9 jovem \u2013 anda pelos 40 e tantos \u2013, pode esperar. Mas, a quest\u00e3o \u00e9 outra. Em pol\u00edtica, a gente nunca sabe para que lado vira o vento. Olha o que aconteceu em S\u00e3o Paulo. Quando o tal cavalo vai passar atrelado? Kassab era o azar\u00e3o. Marta e Alckmin puxavam a lista de inten\u00e7\u00e3o de votos. Em agosto, houve rumores de que Marta, ent\u00e3o favorita, precisou tranq\u00fcilizar a ministra Dilma Roussef que, mesmo se vencesse em S\u00e3o Paulo, n\u00e3o postularia concorrer \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 2010. De repente, Kassab atropelou \u2013 e, de certa forma, ocupou o espa\u00e7o na reta de chegada e se transformou num fato novo e relevante. <\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Hoje os jornais j\u00e1 anunciavam o prefeito reeleito como \u201cuma lideran\u00e7a nacional\u201d. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 mais apenas um pe\u00e3o no tabuleiro do jogo pol\u00edtico para 2010. Toda e qualquer negocia\u00e7\u00e3o que houver para uma eventual coaliz\u00e3o no futuro, certamente ter\u00e1 Kassab como um dos interlocutores \u2013 e com sua nova pose de vencedor.<\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>Quanto a A\u00e9cio, \u00e9 indiscut\u00edvel tem hoje um alto cacife para negociar; tanto de um lado como de outro. J\u00e1 ouvi de petistas que ele seria um bom nome para ser vice de Dilma Roussef. Mas, n\u00e3o tenho d\u00favidas, como bom mineiro que \u00e9, s\u00f3 vai se pronunciar ap\u00f3s matutar e matutar. Ouvir todos os lados e s\u00f3 ent\u00e3o se pronunciar em causa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>Resumo da \u00f3pera. Tem muita coisa pra acontecer at\u00e9 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha amiga e ass\u00eddua leitora Doris n\u00e3o vai gostar do que hoje aqui vou escrever.<\/p>\n<p>Ela curte mais quando o texto cai para o lado mais rom\u00e2ntico, fale de amores que seriam poss\u00edveis,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-11286","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-parangoles"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11286"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11286\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13953,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11286\/revisions\/13953"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}