{"id":11291,"date":"2009-04-11T00:00:00","date_gmt":"2009-04-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:39","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:39","slug":"8-ou-800","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/8-ou-800\/","title":{"rendered":"8 ou 800"},"content":{"rendered":"<p>Quando comecei a blogar, ouvi de um amigo a profecia:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o dura oito dias a brincadeira. Tamb\u00e9m passei por isso&#8230;<\/p>\n<p>Foi em setembro de 2006. <\/p>\n<p>Hoje completo 800 posts \u2013 e ainda n\u00e3o estou certo<br \/>\nque o amigo profeta esteja t\u00e3o errado assim&#8230;<\/p>\n<p>De qualquer forma, vale celebrar o feito. <\/p>\n<p>Para tanto, trago-lhes hoje ilustres convivas.<\/p>\n<p>FERNANDO SABINO:<\/p>\n<p>Eu pretendia apenas recolher da vida di\u00e1ria algo de seu disperso conte\u00fado humano, fruto da conviv\u00eancia, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao epis\u00f3dico. Nesta persegui\u00e7\u00e3o do acidental, quer num flagrante na esquina, quer na palavra de uma crian\u00e7a ou num incidente dom\u00e9stico, torno-me simples espectador e perco a no\u00e7\u00e3o do essencial. Sem mais nada para contar, lan\u00e7o um olhar para fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma cr\u00f4nica&#8230;<\/p>\n<p>* em A Companheira de Viagem<\/p>\n<p>CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE:<\/p>\n<p>Nunca podia imaginar que fosse t\u00e3o agrad\u00e1vel a fun\u00e7\u00e3o de contar hist\u00f3rias, para a qual fui nomeado por decreto do Rei. A nomea\u00e7\u00e3o colheu-me de surpresa, pois jamais exercitara dotes de imagina\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 me exprimo com certa dificuldade verbal. Mas bastou que o rei confiasse em mim para que as hist\u00f3rias me jorrassem da boca \u00e0 maneira de \u00e1gua corrente. Nem carecia inventa-las. Inventavam-se a si mesmas.<\/p>\n<p>* em Hist\u00f3rias Para o Rei<\/p>\n<p>RUBEM BRAGA:<\/p>\n<p>E considerei a gl\u00f3ria de um pav\u00e3o ostentando o esplendor de suas cores; \u00e9 um luxo imperial. Mas, andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas n\u00e3o existem na pena do pav\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 pigmentos. O que h\u00e1 s\u00e3o min\u00fasculas bolhas d\u2019\u00e1gua em que a luz se fragmenta como em um prisma. O pav\u00e3o \u00e9 um arco-\u00edris de plumas. Eu considerei que este \u00e9 o luxo do grande artista, atingir o m\u00e1ximo de matizes com o m\u00ednimo de elementos. De \u00e1gua e luz ele faz seu esplendor; seu grande mist\u00e9rio \u00e9 a simplicidade.<\/p>\n<p>* em O Pav\u00e3o<\/p>\n<p>MANUEL BANDEIRA:<\/p>\n<p>Ver-te e amar-te, Vera Marta,<br \/>\nObra foi de um s\u00f3 momento.<br \/>\nNada mais ponho na carta:<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 preciso, nem tento.<\/p>\n<p>* em Vera Marta <\/p>\n<p>MACHADO DE ASSIS:<\/p>\n<p>Quero deixar aqui, entre par\u00eantesis, meia d\u00fazia de m\u00e1ximas das muitas que escrevi por esse tempo. S\u00e3o bocejos de enfado; podem servir de ep\u00edgrafe a discursos sem assunto:<\/p>\n<p>Suporta-se com paci\u00eancia a c\u00f3lica dos outros.<\/p>\n<p>Matamos o tempo; o tempo nos enterra.<\/p>\n<p>Um cocheiro fil\u00f3sofo costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos andassem de carruagem.<\/p>\n<p>Cr\u00ea em ti; mas nem sempre duvides dos outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o se compreende que um botocudo fure o bei\u00e7o para enfeita-lo com um peda\u00e7o de pau. Esta reflex\u00e3o \u00e9 de um joalheiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o te irrites se te pagarem mal um benef\u00edcio: antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.<\/p>\n<p>* em Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/p>\n<p>Ops! <\/p>\n<p>S\u00f3 mais um recadinho.<\/p>\n<p>Volto na segunda.<\/p>\n<p>Como disse, o amigo n\u00e3o estava t\u00e3o errado assim&#8230;<\/p>\n<p>* FOTO no blog: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando comecei a blogar, ouvi de um amigo a profecia:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o dura oito dias a brincadeira. 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