{"id":11318,"date":"2009-05-17T00:00:00","date_gmt":"2009-05-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:36","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:36","slug":"simonal-5","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/simonal-5\/","title":{"rendered":"Simonal (5)"},"content":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito e depois de me emocionar ao assistir o document\u00e1rio \u201cSimonal. Ningu\u00e9m Sabe o Duro Que Dei\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Ao encerrar esta miniss\u00e9rie sobre Wilson Simonal, quero fazer um post\/homenagem, se me permitem, a tr\u00eas nomes que foram fundamentais para consolida\u00e7\u00e3o da MPB a partir dos anos 60, quando surgiram. S\u00e3o: Benjor, Jair Rodrigues e o pr\u00f3prio Wilson Simonal. <\/p>\n<p>Eles foram os respons\u00e1veis pelo grande arcabou\u00e7o de pretitude (como diz a cantora Sandra de S\u00e1) que embala e sacode todas as correntes da dita m\u00fasica pra pular brasileira (aqui, a express\u00e3o \u00e9 de N\u00e9lson Motta); em resumo a s\u00edntese de nossa principal manifesta\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>D\u00e1 para entender? Ou est\u00e1 viajand\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Tento explicar melhor.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas intuitivamente funcionaram como uma esp\u00e9cie de filtros para as tend\u00eancias que vieram antes deles. Usaram a pedra filosofal do raro e natural talento de cada um para posteriormente devolver ao p\u00fablico um som \u00fanico que funde os mais diversos, latentes e apaixonantes g\u00eaneros musicais.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Percebam. <\/p>\n<p>Se um extraterrestre ouvir \u201cMas Que Nada\u201d hoje seguramente dir\u00e1, l\u00e1 no idioma deles e se for um E.T. antenado, que a m\u00fasica foi feita ontem, tamanha a modernidade de ritmo e letra. O baticum de Benjor \u00e9 de 61\/62. Ou seja, est\u00e1 batendo nos 50 anos de vida \u2013 e continua atual. A can\u00e7\u00e3o tem elementos de bossa-nova, samba e ra\u00edzes africanas e universais, como diz o pr\u00f3prio autor. <\/p>\n<p>Desconfio que seja a m\u00fasica brasileira mais tocada no Exterior. N\u00e3o houve uma vez que viajei para os estranjas e deixei de ouvir alguma vers\u00e3o do samba-afox\u00e9 de Benjor. Tocou na esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 de Paris, no sistema de som da loja de roupa na Costa Malfitana, no r\u00e1dio do carro alugado pelas estradas da Normandia, no reveillon em \u00c9vora. Oba, oba, oba.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Jair \u00e9 o sambista que se fez int\u00e9rprete de respeito ao transformar \u201cDisparada\u201d numa can\u00e7\u00e3o \u00e9pica. Antes disso, cantou samba com as m\u00e3os e precedeu o rap em \u201cDeixa Que Digam, Que Pensem, Que Falem\u201d. Fez dueto \u00fanico com Elis em \u201cDois na Bossa\u201d e levou a ent\u00e3o jovem MPB para a televis\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o circunscritos aos circuitos universit\u00e1rios, novos talentos, como Caetano, Gil, Chico e toda esta gera\u00e7\u00e3o, puderam chegar ao grande p\u00fablico na fase \u00e1urea dos festivais da Record.<\/p>\n<p>O sambista p\u00f4de, ent\u00e3o, subir aos palcos com dignidade; n\u00e3o mais como representante da marginalia. <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Simonal era extraordin\u00e1rio cantor. Tra\u00e7ou todos os g\u00eaneros musicais com eleg\u00e2ncia, e requinte. Transformou uma can\u00e7\u00e3o do folclore em hit nacional, \u201cMeu Lim\u00e3o Meu Limoeiro\u201d, e fez a plat\u00e9ia do Maracan\u00e3zinho cant\u00e1-la em diversas vozes. Inventou o Patropi e fez a turma sorrir e acreditar, num tempo triste. Seu dueto com a diva Sarah Vaughan em \u201cThe Shadow Over Small\u201d, que est\u00e1 no document\u00e1rio e circula na web, mostra bem do que estamos falando. Vai ficar para a posteridade.<\/p>\n<p>Podem acreditar, meus caros, nada que hoje se fa\u00e7a em termos de m\u00fasica negra, em algum momento, bem antes, passou pela cabe\u00e7a desses tr\u00eas not\u00e1veis artistas&#8230; <\/p>\n<p>PS:- Reitero aqui: o grande artista que foi Wilson Simonal est\u00e1 em cartaz nos cinemas da cidade, com o document\u00e1rio \u201cSIMONAL. Ningu\u00e9m sabe o duro que dei\u201d, de Cl\u00e1udio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito e depois de me emocionar ao assistir o document\u00e1rio \u201cSimonal. 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