{"id":11319,"date":"2009-05-18T00:00:00","date_gmt":"2009-05-18T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:35","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:35","slug":"o-trofeu-don-juan-vai-para","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-trofeu-don-juan-vai-para\/","title":{"rendered":"O Trof\u00e9u Don Juan vai para&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O Lira pagava todos os pecados naquela velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado, onde demos nossos primeiros passos como jornalistas. O motivo era simples. Todos tinham (ou diz\u00edamos ter) hist\u00f3rias para contar. Gost\u00e1vamos de bancar nossas prosas, com pegada e estilo. Especialmente no campo das conquistas amorosas, havia ali quase um campeonato entre n\u00f3s. Houve at\u00e9 quem pensasse em instituir o trof\u00e9u Don Juan para quem narrasse as melhores perip\u00e9cias no g\u00eanero. <\/p>\n<p>\u00danica exce\u00e7\u00e3o era o Lira.<\/p>\n<p>A esposa Mafalda o trazia num cortado &#8211; e, de cinco em cinco minutos, ligava (e nem havia celular) para saber onde estava, com quem estava etc etc&#8230; <\/p>\n<p>A bem da verdade, o Lira tamb\u00e9m n\u00e3o era do ramo. Preferia ficar quieto no seu canto, fazer suas reportagens sobre Variedades e deixar a vida seguir em paz.<\/p>\n<p>De quando em quando, diante de tantos e tamanhos relatos, defendia-se com um longo suspiro e o desabafo.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o sei como voc\u00eas conseguem.<\/p>\n<p>Quando um ou outro exagerava na proeza, o Lira amea\u00e7ava:<\/p>\n<p>&#8212; Sou amigo do Lauro C\u00e9sar Muniz, o novelista. Ele vai gostar de \u201capimentar\u201d as cenas da pr\u00f3xima novela das oito com hist\u00f3rias como essas que voc\u00eas contam.<\/p>\n<p>Um dia, depois de atender o d\u00e9cimo telefonema do dia de Dona Mafalda, o Lira saiu \u00e0s pressas da reda\u00e7\u00e3o. Foi incumbido de dar carona a uma aluna de ingl\u00eas da esposa. A jovem n\u00e3o estava se sentindo bem. Ia num p\u00e9 voltava no outro, avisou ao chefete de plant\u00e3o. N\u00e3o haveria atraso na entrega da reportagem que estava escrevendo.<\/p>\n<p>Meia hora depois o Lira estava de volta. P\u00e1lido e tr\u00eamulo. Com jeit\u00e3o de quem fez bobagem.<\/p>\n<p>E, no entender dele, fizera \u2013 e nos culpou:<\/p>\n<p>&#8212; Estava a caminho da casa da mo\u00e7a. Na verdade, pouco mais do que uma menina. Vinte anos, se tanto. Quando passamos diante de um drive-in, brinquei com ela. Falei: que tal um drink? Mas, juro estava s\u00f3 brincando&#8230;<\/p>\n<p>Todos imaginamos a violenta rea\u00e7\u00e3o da mo\u00e7a. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m, em s\u00e3 consci\u00eancia, poderia supor o Lira numa enrascada dessas. <\/p>\n<p>&#8212; E a\u00ed Lira? O que aconteceu?<\/p>\n<p>&#8212; Sabem o que ela me disse? \u201cAh! seo Lira n\u00e3o curto drive &#8211; in, n\u00e3o. Sei de um motelzinho mais adiante que \u00e9 bem mais legal. A gente fica mais \u00e0 vontade. Vamos, sim&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Nossos olhos se arregalaram e, inevit\u00e1vel, todos quiseram saber o fim da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8212; Acelerei o carro e deixei a mo\u00e7a na primeira esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 que encontrei. Voc\u00eas me metem em cada uma&#8230;  <\/p>\n<p>FOTO: Caio Kenji<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Lira pagava todos os pecados naquela velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado, onde demos nossos primeiros passos como jornalistas. O motivo era simples. 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