{"id":11320,"date":"2009-05-19T00:00:00","date_gmt":"2009-05-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:35","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:35","slug":"os-80-anos-de-johnny-alf","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-80-anos-de-johnny-alf\/","title":{"rendered":"Os 80 anos de Johnny Alf"},"content":{"rendered":"<p>Foi tanta e tamanha a confus\u00e3o do Festival da Record de 1967 que nem j\u00fari, nem plat\u00e9ia atentaram para a delicadeza de \u201cEu e a Brisa\u201d, de Johnny Alf, em interpreta\u00e7\u00e3o igualmente sens\u00edvel da cantora paulistana M\u00e1rcia.<\/p>\n<p>\u201cPonteio\u201d (Edu Lobo\/Capinan), \u201cDomingo no Parque\u201d (Gil), \u201cBenvinda\u201d (Chico), \u201cAlegria Alegria\u201d (bord\u00e3o de Simonal que Caetano consagrou como can\u00e7\u00e3o) e \u201cMaria Carnaval e Cinzas (de Luiz Carlos Paran\u00e1 na voz de Roberto Carlos) dividiram, na ordem, os cinco primeiros lugares entre vaias e aplausos.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 escrevi em posts anteriores, foram tantas e tamanhas as vaias que at\u00e9 um viol\u00e3o voou pelos ares em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 distinta plat\u00e9ia, arremessado pelo cantor\/compositor S\u00e9rgio Ricardo.<\/p>\n<p>No balan\u00e7o geral, entre vencedores e vencidos, ao que me consta salvaram-se todos. S\u00f3 a repercuss\u00e3o dos festivais mudou de endere\u00e7o no ano seguinte, em 68. Transferiu-se da Teatro Record em S\u00e3o Paulo para o Maracan\u00e3zinho no Rio Vandr\u00e9 e Chico Buarque e Tom Jobim foram piv\u00f4 de outra grande  pol\u00eamica ao defenderem as can\u00e7\u00f5es \u201cPra N\u00e3o Dizer Que N\u00e3o Falei das Flores\u201d e \u201cSabi\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Caetano j\u00e1 ficara pelo caminho com a sua \u201c\u00c9 Proibido Proibir\u201d. Falou barbaridades para a turba uivante enquanto Os Mutantes, que o acompanhavam, tocavam de costas para o p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o entendendo nada\u201d, disse entre outras coisas e saiu do palco sendo desclassificado.<\/p>\n<p>Decididamente, esses n\u00e3o eram anos prop\u00edcios para cantar \u201ca juventude que essa brisa canta\u201d. S\u00f3 mesmo um autor primoroso, como Alf, se colocaria acima dos modismos e das tens\u00f5es. Tanto \u00e9 verdade que hoje, 32 anos depois, a can\u00e7\u00e3o permanece intacta e \u00e9 obrigat\u00f3ria a qualquer antologia que se pretenda digna da grandeza da MPB.<\/p>\n<p>Por que lhes escrevo tudo isso?<\/p>\n<p>Porque hoje Johnny Alf (ou se preferirem Alfredo Jos\u00e9 da Silva) completa 80 anos. Ele est\u00e1 recolhido a uma casa de repouso em Santo Andr\u00e9, onde mora h\u00e1 dois anos convalescendo de uma complicada cirurgia.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer programa\u00e7\u00e3o preparada para reverenciar a data. Um lament\u00e1vel e inexplic\u00e1vel vazio.<\/p>\n<p>Recentemente, o jornalista e escritor Ruy Castro tentou acabar com esse sil\u00eancio e sugeriu em sua coluna, na p\u00e1gina 2 da Folha de S.Paulo: \u201cOs museus da Imagem e do som do Rio e de S\u00e3o Paulo promoveriam palestras e debates sobre o estado de coisas da m\u00fasica popular brasileira quando ele apareceu ao piano de uma boate carioca em 1952 e de como, pouco depois, tivemos a bossa-nova. O pr\u00f3prio Johnny gravaria um extenso depoimento para esses museus. Uma TV produziria um especial a seu respeito. Uma editora lan\u00e7aria seu songbook. E seus discos, sempre t\u00e3o dif\u00edceis de encontrar, seriam relan\u00e7ados. Mas, n\u00e3o h\u00e1 nada disso programado\u201d<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o aos domingos, no hor\u00e1rio nobre da TV, temos a vulgaridade de A Garagem do Faust\u00e3o. Fazemos a melhor m\u00fasica do mundo. Ouvimos a pior. Ou seja, continuamos sem nada entender&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi tanta e tamanha a confus\u00e3o do Festival da Record de 1967 que nem j\u00fari, nem plat\u00e9ia atentaram para a delicadeza de \u201cEu e a Brisa\u201d, de Johnny Alf, em interpreta\u00e7\u00e3o igualmente sens\u00edvel da cantora paulistana M\u00e1rcia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11320","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11320"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11320\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16637,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11320\/revisions\/16637"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}