{"id":11330,"date":"2009-05-29T00:00:00","date_gmt":"2009-05-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:34","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:34","slug":"o-imbativel-time-sem-nome","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-imbativel-time-sem-nome\/","title":{"rendered":"O imbat\u00edvel time Sem Nome"},"content":{"rendered":"<p>Dei bobeira. <\/p>\n<p>Levaram o meu Tissot de estima\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Eu, que vida afora nunca acertei meus ponteiros, fiquei desconsolado.<\/p>\n<p>Restou a lembran\u00e7a da frase do Seo J\u00falio, o relojoeiro do Largo do Cambuci:<\/p>\n<p>&#8212; O homem \u00e9 o seu rel\u00f3gio.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Como a partir desta consta\u00e7\u00e3o descobri que nada sou, resolvi voltar aos tempos de garoto. <\/p>\n<p>Lembro que \u00edamos visitar Seo J\u00falio quase todas as semanas.<\/p>\n<p>O bom homem gostava de contar hist\u00f3rias que fing\u00edamos acreditar. <\/p>\n<p>Dizia ser um dos rapazes que, l\u00e1 no mais antigo dos anos, fundou o Sport Club Corinthians Paulista sob a luz de um lampi\u00e3o na esquina de uma rua no Bom Retiro.<\/p>\n<p>Fic\u00e1vamos cinicamente admirados.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos mesmo ganhar os celul\u00f3ides de antigas tampas dos rel\u00f3gios que consertava com destreza e precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Pelo milagre da nossa imagina\u00e7\u00e3o infantil, esses artefatos se transformavam em poderosos craques de futebol de bot\u00e3o; hoje esporte oficial chamado de futebol de mesa.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Pensando bem, d\u00e1vamos total raz\u00e3o ao Seo J\u00falio:<\/p>\n<p>\u201cO home \u00e9 o seu rel\u00f3gio.\u201d<\/p>\n<p>E complet\u00e1vamos:<\/p>\n<p>\u201cTodo garoto \u00e9 o seu time de bot\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>N\u00e3o preciso dizer, mas digo:<\/p>\n<p>O meu escrete da bola (ou melhor, do milho; sim um gr\u00e3o de milho substitu\u00eda a redonda) era uma mistureba das \u201cacademias\u201d palmeirenses: Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Aldemar e Vicente Arenari, Dudu e Ademir da Guia, Julinho, Serv\u00edlio, C\u00e9sar e Tup\u00e3zinho.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Na placa de Eucatex pintada toscamente, onde jog\u00e1vamos, os meus boleiros n\u00e3o iam al\u00e9m do razo\u00e1vel. No campeonato da rua Muniz de Souza, sempre fiquei entre o terceiro e o quarto lugar. <\/p>\n<p>Via de regra, o S\u00e3o Paulo do Bet\u00e3o era o campe\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, imbat\u00edvel mesmo era o time Sem Nome do grandalh\u00e3o Raul.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Raul era mais velho que n\u00f3s. Um rapag\u00e3o que j\u00e1 trabalhava em banco, andava de gravata e n\u00e3o tinha tempo para essas ociosidades. \u00d3bvio n\u00e3o participava dos nossos torneios, mas vez ou outra fazia, digamos, alguns jogos exibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Seu time era um deslumbre.<\/p>\n<p>Uma esp\u00e9cie de Barcelona dos dias atuais.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Tinha um diferencial.<\/p>\n<p>Eram bot\u00f5es que ele pr\u00f3prio fabricava. <\/p>\n<p>Um luxo.<\/p>\n<p>Raul pegava velhos brinquedos de pl\u00e1stico e os deixava em caquinhos. Depois, juntava esse farelo dentro de uma forma de fazer empadinhas e levava ao fogo brando.<\/p>\n<p>Ficavam coloridos, \u00e1geis e encobriam o goleiro (uma singela caixa de f\u00f3sforos encapada com papel colorido, com chumbo dentro), a um leve toque da &quot;tica&quot;, com a maior facilidade.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Muitos \u2013 eu, inclusive \u2013 tentaram imitar a alquimia de Raul.<\/p>\n<p>Em v\u00e3o.<\/p>\n<p>O m\u00e1ximo que consegu\u00edamos era uma bronca da m\u00e3e da gente e um horr\u00edvel cheiro de queimado que se espalhava por toda a casa.<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, meus caros, como veem, foi s\u00f3 eu ficar sem o rel\u00f3gio para cair, de paraquedas, no t\u00fanel do tempo, dos sonhos e das lembran\u00e7as&#8230;<\/p>\n<p>FOTO no Blog: Caio Kenji<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dei bobeira. <\/p>\n<p>Levaram o meu Tissot de estima\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Eu, que vida afora nunca acertei meus ponteiros, fiquei desconsolado.<\/p>\n<p>Restou a lembran\u00e7a da frase do Seo J\u00falio,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11330","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11330"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11330\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16627,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11330\/revisions\/16627"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}