{"id":11334,"date":"2009-06-02T00:00:00","date_gmt":"2009-06-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:44:33","modified_gmt":"2017-09-15T19:44:33","slug":"dias-tristes-como-o-de-ontem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dias-tristes-como-o-de-ontem\/","title":{"rendered":"Dias tristes como o de ontem&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O professor e escritor Rubem Alves \u00e9 um dos meus referenciais de leitura. \u00c9 um s\u00e1bio na arte de viver e de tentar entender melhor esses atribulados dias que correm. Em recente palestra, para divulgar o novo livro Cantos do P\u00e1ssaro Encantado, foi de uma sinceridade acachapante. Falou que se percebeu \u201cum homem velho\u201d quando a jovem esposa de um m\u00e9dico amigo seu veio cumpriment\u00e1-lo num encontro social. No exato instante em que ele se preparou para levantar-se da poltrona em que estava para receb\u00ea-la, ela fez um gesto carinhoso com as m\u00e3os, como a dizer: <\/p>\n<p>&#8212; Por favor, n\u00e3o se d\u00ea ao trabalho. <\/p>\n<p>A mo\u00e7a n\u00e3o verbalizou a rever\u00eancia \u00e0 idade, mas ele entendeu tudo.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>C\u00e1 do meu canto, e modestamente, penso que outra forma de flagrar o tanto que j\u00e1 percorremos na tal longa e sinuosa estrada da vida se d\u00e1 em dias como o de ontem. Ou seja: quando nos chega a not\u00edcia de uma trag\u00e9dia como o desaparecimento do Airbus da Air France como 228 passageiros a bordo em pleno voo Rio-Paris. <\/p>\n<p>Al\u00e9m da natural tristeza que nos invade \u2013 e que, de alguma forma, nos faz pr\u00f3ximos do sofrimento das vitimas e de seus parentes \u2013 \u00e9 inevit\u00e1vel que passe pela nossa cabe\u00e7a um filme de outras ocasi\u00f5es quando nos sentimos assim.<\/p>\n<p>Da\u00ed, se pode ter claro nosso tempo de estrada.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Lembro que estava na Reda\u00e7\u00e3o \u2013 e todos ficamos chocados quando soubemos da morte de Elis Regina em janeiro de 1982. <\/p>\n<p>Viajei para Campos de Jord\u00e3o no dia 1\u00ba de maio de 1994, quando Senna morreu. N\u00e3o sabia do acidente fatal e procurava um restaurante para almo\u00e7ar. Estranhei, pois n\u00e3o havia ningu\u00e9m em todos os estabelecimentos onde entrava. At\u00e9 que em um deles, com a TV ligada, soube da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Ainda era estudante de jornalismo em novembro de 1973. Mal cheguei \u00e0 USP um amigo veio me contar da morte do cantor Agostinho dos Santos, em um acidente a\u00e9reo pr\u00f3ximo ao aeroporto de Paris.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Mas, em minha mem\u00f3ria, o fato mais remoto foi o assassinato de John Kennedy em novembro de 1963.<\/p>\n<p>Era garoto ainda.<\/p>\n<p>Jog\u00e1vamos bola no campinho da rua Pia\u00ed, quando o Nescau chegou com a not\u00edcia que ouvira no r\u00e1dio. Ele era da turma dos grandes (ou seja, devia ter entre 15 e 16 anos) e anunciou solenemente:<\/p>\n<p>&#8212; Mataram o presidente dos Estados Unidos. O homem do r\u00e1dio disse que foram os russos e que vai haver outra guerra mundial.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro se paramos ou n\u00e3o a partida entre o time da rua Muniz de Souza contra o da Albino Barbosa. Mas, lembro que, \u00e0 noite, quando a turma se reuniu, na esquina da Muniz com a Almeida Torres, o assunto era um s\u00f3: quando tempo faltava para cada um de n\u00f3s se alistar no ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Morr\u00edamos de medo de sermos chamados para a guerra.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Eu era um dos mais tranq\u00fcilos.<\/p>\n<p>Tinha onze anos. E, na minha ingenuidade, nenhuma guerra, por mais mundial que fosse, duraria tanto tempo&#8230;<\/p>\n<p>FOTO no Blog: Camila Bevilacqua<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor e escritor Rubem Alves \u00e9 um dos meus referenciais de leitura. \u00c9 um s\u00e1bio na arte de viver e de tentar entender melhor esses atribulados dias que correm. Em recente palestra,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11334","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11334"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16623,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11334\/revisions\/16623"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}