{"id":11366,"date":"2009-07-05T00:00:00","date_gmt":"2009-07-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:40:57","modified_gmt":"2017-09-15T19:40:57","slug":"meus-textos-preferidos-10","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/meus-textos-preferidos-10\/","title":{"rendered":"Meus  textos preferidos &#8211; 10"},"content":{"rendered":"<p>Devo rever\u00eancias aos amigos corintianos pela conquista desta semana, a Copa do Brasil.  <\/p>\n<p>Aproveito, pois, o ensejo deste que \u00e9 o meu 900o post para publicar um texto que acho memor\u00e1vel, A Invas\u00e3o Corintiana, escrito por N\u00e9lson Rodrigues e publicado em O Globo, em 6 de dezembro de 1976.<\/p>\n<p>Foi por ocasi\u00e3o de uma semifinal do Brasileir\u00e3o daquele ano. A Fiel torcida invadiu o Rio de Janeiro e levou o time a um empate hist\u00f3rico diante do Fluminense que tinha mais time. Nos p\u00eanaltis, deu Tim\u00e3o que enfrentou o Internacional na final\u00edssima \u2013 e perdeu.<\/p>\n<p>Vejam o relato do cronista:<\/p>\n<p>A INVAS\u00c3O CORINTIANA<\/p>\n<p>Por N\u00e9lson Rodrigues<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: n\u00e3o se improvisa uma vit\u00f3ria. Voc\u00eas entendem? Uma vit\u00f3ria tem que ser o lento trabalho das gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>At\u00e9 que l\u00e1, um dia, acontece a grande vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ainda digo mais: j\u00e1 estava escrito h\u00e1 seis mil anos, que em certo domingo, de 1976m ter\u00edamos um empate.<\/p>\n<p>Sim, quarenta dias antes do Para\u00edso estava decidida a batalha entre o Fluminense e o Corinthians.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabia, ningu\u00e9m desconfiava.<\/p>\n<p>O jogo come\u00e7ou na v\u00e9spera, quando a Fiel explodiu na cidade.<\/p>\n<p>Durante toda a madrugada, os fan\u00e1ticos do tim\u00e3o faziam uma festa no Leme, em Copacabana, Leblon, Ipanema.<\/p>\n<p>E as bandeiras do Corinthians ventavam a procela.<\/p>\n<p>Ali, chegavam os corintianos aos borbot\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00d4nibus, avia\u00e7\u00e3o, carros particulares, t\u00e1xis, a p\u00e9, a bicicleta.<\/p>\n<p>A coisa era terr\u00edvel. Nunca uma torcida invadiu outro estado com tamanha euforia.<\/p>\n<p>Um turista, que por aqui passasse, havia de anotar em seu caderninho: \u2018O Rio \u00e9 uma cidade ocupada\u2019.<\/p>\n<p>Os corintianos passavam a toda hora e em toda parte.<\/p>\n<p>Dizem os idiotas da objetividade que torcida n\u00e3o ganha jogo.<\/p>\n<p>Pois ganha.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera da partida, a Fiel estava fazendo for\u00e7a em favor do seu time.<\/p>\n<p>Durmo tarde e tive ocasi\u00e3o de testemunhar a vig\u00edlia da Fiel.<\/p>\n<p>Um amigo me perguntou: \u2018E se o Corinthians perder?\u2019<\/p>\n<p>O Fluminense era mais time.<\/p>\n<p>Pois estavam certos, e maravilhosamente certos os corintianos, quando faziam um pr\u00e9vio carnaval.<\/p>\n<p>Esse carnaval n\u00e3o parou.<\/p>\n<p>De manh\u00e3, acordei num clima paulista.<\/p>\n<p>Nas ruas, as pessoas n\u00e3o entendiam e at\u00e9 se assustavam.<\/p>\n<p>Expliquei tudo a uma senhora, gorda e patusca.<\/p>\n<p>Expliquei-lhe que o Tricolor era, no final do Brasileiro, o \u00fanico carioca.<\/p>\n<p>N\u00e3o cabe aqui falar em t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>O que influiu e decidiu o jogo foi a torcida. <\/p>\n<p>A torcida empurrou o time para o empate.<\/p>\n<p>A torcida n\u00e3o parou de incitar.<\/p>\n<p>Voc\u00eas percebem?<\/p>\n<p>Houve um momento em que me senti estrangeiro na doce terra carioca.<\/p>\n<p>Os corintianos estavam t\u00e3o certos de que ganhariam que apelaram para o j\u00e1 ganhou. <\/p>\n<p>Veio de S\u00e3o Paulo, a p\u00e9, um corintiano. Eu imaginava que a antecipa\u00e7\u00e3o do carnaval ia potencializar o Corinthians. <\/p>\n<p>O Fluminense jogou mal? <\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o jogou mal. <\/p>\n<p>Teve sorte? <\/p>\n<p>Para o gol, nem o Fluminense, nem o Corinthians. <\/p>\n<p>Onde o Corinthians teve sorte foi na cobran\u00e7a dos p\u00eanaltis. <\/p>\n<p>A partir dos p\u00eanaltis, a competi\u00e7\u00e3o passa a ser um cara e coroa. O Fluminense perdeu tr\u00eas, n\u00e3o, dois p\u00eanaltis, e o Corinthians n\u00e3o perdeu nenhum. <\/p>\n<p>Eis regulamento de rara estupidez. <\/p>\n<p>Tem que se descobrir uma outra solu\u00e7\u00e3o. A mais simples, e mais certa, \u00e9 fazer um novo jogo. <\/p>\n<p>Imaginem que beleza se os dois partissem para outro jogo.<\/p>\n<p>Futebol \u00e9 futebol e n\u00e3o tem nada de futebol quando a vit\u00f3ria se vai decidir no puro azar. <\/p>\n<p>Ouvi ontem uma pergunta: \u2018O que vai fazer agora o Fluminense?\u2019 <\/p>\n<p>Realmente, meu time n\u00e3o pode parar. <\/p>\n<p>O nosso pr\u00f3ximo objetivo \u00e9 o tricampeonato carioca. <\/p>\n<p>Vejam voc\u00eas: empatamos uma partida e realmente um empate n\u00e3o derruba o Fluminense. Francisco Horta j\u00e1 est\u00e1 tratando do tricampeonato. <\/p>\n<p>Estivemos juntos um momento. Perguntei: \u2018E agora?\u2019 <\/p>\n<p>Disse: \u2018Amanh\u00e3 vou tomar as primeiras provid\u00eancias para o tricampeonato\u2019. <\/p>\n<p>Como eu, ele n\u00e3o estava deprimido. <\/p>\n<p>O bom guerreiro conhece tudo, menos a capitula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Aprende-se com uma vit\u00f3ria, um empate, uma derrota. <\/p>\n<p>S\u00f3 a ociosidade n\u00e3o ensina coisa nenhuma. <\/p>\n<p>No seguinte jogo, voc\u00eas ver\u00e3o o Fluminense em seu m\u00e1ximo esplendor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devo rever\u00eancias aos amigos corintianos pela conquista desta semana, a Copa do Brasil.  <\/p>\n<p>Aproveito, pois, o ensejo deste que \u00e9 o meu 900o post para publicar um texto que acho memor\u00e1vel,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11366","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11366"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16594,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11366\/revisions\/16594"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}