{"id":11383,"date":"2009-08-01T00:00:00","date_gmt":"2009-08-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:40:53","modified_gmt":"2017-09-15T19:40:53","slug":"a-perguntadora","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-perguntadora\/","title":{"rendered":"A perguntadora"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSou um autor porque prefiro fazer perguntas.<br \/>\n Se tivesse respostas para elas, eu seria um pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p>Eug\u00e8ne Ionesco<\/p>\n<p>N\u00e3o posso lhes garantir que, se tivesse resposta para algo neste mund\u00e3o de meu Deus, eu fosse um pol\u00edtico. Embora insista em continuar teclando, diria que voc\u00eas se livraram de uma boa com o meu n\u00e3o \u00e0 carreira de deputado, senador e da\u00ed pra cima. <\/p>\n<p>Modestamente, por\u00e9m, e j\u00e1 me entendendo do oficio de alinhavar letrinhas, concordo plenamente com o pensamento acima.<\/p>\n<p>Minha impress\u00e3o \u00e9 a de que escrevemos para esclarecer a n\u00f3s mesmos sobre as pelejas da vida cotidiana.<\/p>\n<p>E por um motivo bem \u00f3bvio.<\/p>\n<p>Somos os primeiros a ler a hist\u00f3ria que acabamos de escrever.<\/p>\n<p>Vai da\u00ed que se acharmos que a tal n\u00e3o ficou boa podemos simplesmente chut\u00e1-la para o webespa\u00e7o \u2013 e ningu\u00e9m ficar\u00e1 sabendo que um dia ela existiu, mesmo que momentaneamente. J\u00e1 se a considerarmos minimamente legalzinha podemos coloc\u00e1-la na banca ou na tela, como \u00e9, aqui, o nosso humilde caso.<\/p>\n<p>Todo esse convers\u00ea \u2013 que os antigos chamavam de pr\u00f3logo \u2013 \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o de que as pessoas, leitores ou n\u00e3o, comumente enchem os escribas de perguntas como se fossem, estes, filiais ambulantes do Google.<\/p>\n<p>Acontece inclusive com blogueiros inofensivos, como este que vos tecla.<\/p>\n<p>Nenhum mal nisso. Apenas alguns embara\u00e7os&#8230;<\/p>\n<p>Ontem mesmo respondi prazerosamente, em post, \u00e0 pergunta de uma internauta sobre a malversada imparcialidade jornal\u00edstica.<\/p>\n<p>Hoje, tento me desculpar por nada haver dito aqui sobre os 40 anos da chegada do homem \u00e0 Lua. Uma \u201cimperdo\u00e1vel omiss\u00e3o\u201d, segundo outra leitora\/entrevistadora. Ali\u00e1s, uma metralhadora de perguntas:<\/p>\n<p>&#8212; Queria saber onde voc\u00ea estava e o que pensou quando soube da not\u00edcia? <\/p>\n<p>&#8212; Quando viu a cena do homem pisando pela primeira vez na Lua, voc\u00ea duvidou que fosse verdade e acreditou que os americanos estavam encenando tudo aquilo? <\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea se emocionou ou&#8230;<\/p>\n<p>Minha cara e meus caros cinco ou seis am\u00e1veis leitores, aos 18 anos a \u00fanica coisa que me emocionava era o olhar da menina que, a caminho do trabalho, pegava o mesmo \u00f4nibus que eu. Olhar encantador que, registre-se aqui, raras vezes recebi e se perderam nas manhas e manh\u00e3s do tempo.<\/p>\n<p>Ah! <\/p>\n<p>Talvez por isso tamb\u00e9m, achei lindos e definitivos os versos de Gilberto Gil em in\u00edcio de carreira:<\/p>\n<p>\u201cPoetas, seresteiros, namorados, correis.<br \/>\n \u00c9 chegada a hora de escrever e sonhar.<br \/>\n Talvez as derradeiras noites de luar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSou um autor porque prefiro fazer perguntas.<br \/>\n Se tivesse respostas para elas, eu seria um pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p>Eug\u00e8ne Ionesco<\/p>\n<p>N\u00e3o posso lhes garantir que, se tivesse resposta para algo neste mund\u00e3o de meu Deus,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11383","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11383"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11383\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16577,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11383\/revisions\/16577"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}