{"id":11393,"date":"2009-08-11T00:00:00","date_gmt":"2009-08-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-10-02T20:53:18","modified_gmt":"2017-10-02T20:53:18","slug":"chacrinha-na-redacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/chacrinha-na-redacao\/","title":{"rendered":"Chacrinha na Reda\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Quem n\u00e3o acreditar na hist\u00f3ria que conto a seguir pode perguntar para a Leila Kiyomura, que \u00e9 rep\u00f3rter, das mais conceituadas, do Jornal da USP. Pode tamb\u00e9m pegar o depoimento da Regina Maria Curucci que tamb\u00e9m era colega da gente na combativa Reda\u00e7\u00e3o da Gazeta do Ipiranga nos idos de 70 e 80 quando o fato se sucedeu. Aviso logo, por\u00e9m. N\u00e3o sei onde a mo\u00e7a anda. H\u00e1 tempos n\u00e3o tenho not\u00edcias dela.<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico era o Cl\u00e1udio Michelli, o popular Clamic. Foi ele que registrou o fulgurante momento com a velha Rolleyflex caixote. S\u00f3 que com este n\u00e3o vai dar para falar, n\u00e3o. Ele partiu antes do combinado para o outro lado da constela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era uma tarde de sol de um dia qualquer. N\u00e3o sei precisar quando.<\/p>\n<p>Tenho claro na mem\u00f3ria, por\u00e9m, o alvoro\u00e7o que tomou o velho casar\u00e3o da rua Bom Pastor, onde trabalh\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Risos, assobios, aplausos e ruidoso vozerio.<\/p>\n<p>No andar de cima, ouv\u00edamos uma voz que se sobressaia. Era conhecida, mas inimagin\u00e1vel de estar ali.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00f4, Al\u00f4&#8230; Terezinhaaaaaa!<\/p>\n<p>Voc\u00eas querem bacalhau?\u201d<\/p>\n<p>Interrompemos o que faz\u00edamos.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 o maluco-beleza, pensei.<\/p>\n<p>Antes mesmo que pud\u00e9ssemos chegar \u00e0s escadas, o homem j\u00e1 estava diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Era o pr\u00f3prio. Jos\u00e9 Abelardo Barbosa de Medeiros.<\/p>\n<p>O Chacrinha.<\/p>\n<p>Aquele do \u201cquem n\u00e3o se comunica se trumbica\u201d.<\/p>\n<p>Pois, ent\u00e3o, fiel ao lema, ele estava visitando os jornais de bairro paulistanos para divulgar seus programas que iam ao ar na TV Bandeirantes.<\/p>\n<p>Assim que ele me viu, n\u00e3o teve d\u00favidas em como se anunciar:<\/p>\n<p>\u201cAl\u00f4, Al\u00f4, meu filho&#8230; Cheguei! Onde vai ser a entrevista?\u201d<\/p>\n<p>Surpreso, apontei a sala de reuni\u00e3o \u2013 e afastei, como pude, os curiosos.<\/p>\n<p>Logo fizemos uma roda ao redor do Velho Guerreiro e o enchemos de perguntas que ele respondeu com monoss\u00edlabos. Encaminhava as frases como se estivesse no palco a apresentar suas loucas atra\u00e7\u00f5es que, \u00e0quela altura, n\u00e3o viviam um bom momento no Ibope.<\/p>\n<p>As fotos do Clamic mostraram um senhor com roupas comuns, de ar cansado e algo triste.<\/p>\n<p>Uma tristeza que traduzia o baque que sofreu ao retirarem a Discoteca e a Buzina do Chacrinha da grade da toda poderosa TV Globo. Que, na verdade, ele ajudou a popularizar em seus primeiros anos.<\/p>\n<p>&#8212; Me disseram que iam apostar nas novelas e no jornalismo. E que a linha de shows e programas de audit\u00f3rio era muito personalista. Assim acabaram com os meus programas, com o do S\u00edlvio, da Bibi Ferreira e outros mais. Mas, continuo na luta, meu filho.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que n\u00e3o foram exatamente as palavras que disse. Mas, o sentido era esse mesmo.<\/p>\n<p>O texto final da reportagem foi da Leila.<\/p>\n<p>Meses depois, ele voltou para a Globo para um novo desafio. Juntar os dois programas em um, o Cassino do Chacrinha, e consolidar a audi\u00eancia de um novo hor\u00e1rio: as tarde de s\u00e1bado.<\/p>\n<p>O Velho Guerreiro morreu em julho de 1988 \u2013 e eu nunca esqueci aquela tarde de sol de um dia qualquer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem n\u00e3o acreditar na hist\u00f3ria que conto a seguir pode perguntar para a Leila Kiyomura, que \u00e9 rep\u00f3rter, das mais conceituadas, do Jornal da USP. 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